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Rivoli

Esta semana houve muita agitação e muito emoção em redor de um simples acto de gestão da Câmara do Porto: a concessão a privados da exploração do Rivoli. Levantaram-se logo vozes contra o mercantilismo, o economicismo e quejandos. Lamentou-se logo a falta de uma política cultural para o Porto (que talvez não haja mesmo neste momento, mas, para mim, uma política cultural não se faz de subsídios para uma clique de pseudo-intelectuais e pseudo-elites). Fez-se um abaixo-assinado . Sinceramente não percebo tanto barulho... Rui Rio cometeu algum crime? Para alguns, sim... um crime lesa-cultura. Mas será mesmo? É que quando ouço esta gente falar em cultura, gostava que eles explicassem de que "cultura" falam. É que tenho a impressão de que não falamos da mesma coisa (e não me acusem de economicista e outras coisas que tais, pois eu de economia ou gestão até nem percebo muito, aliás até sou de Letras). Também não sou daqueles que coloque a cultura num patamar para além da compreensão...

Depois querem que acreditemos neles...

O governo espanhol e o partido que o sustenta nesta situação de crise do Médio Oriente têm mostrado bem de que lado estão. É claro que estão do lado dos terroristas do Hezbollah. Mas apesar disso até ficam ofendidos quando lhes chamam anti-semitas. Mas, depois, põem-se a fazer afirmações como esta : El secretario de Organización del PSOE, José Blanco, ha asegurado hoy que las víctimas civiles provocadas por los bombardeos israelíes en Líbano no son “daños colaterales” sino un “objetivo buscado”. El dirigente socialista ha condenado las acciones terroristas del grupo libanés Hezbolá y “la desproporcionada respuesta de Israel y sus ataques indiscriminados contra la población de Líbano”. Para além da discutível questão da proporcionalidade (proporcionalidade em relação a quê quando se tem um inimigo que tem como objectivo a destruição de Israel), dizer que Israel procura matar civis de propósito só pode vir da mente completamente enviesada e perversa de um esquerdista típico (sendo certo ...

Leitura obrigatória...

... para o artigo no JN de Francisco José Viegas . Quando se trata de Médio Oriente, ou seja, quando se trata de atacar Israel, a tarefa está facilitada em larga escala. Um contingente de meninas idiotas e genericamente ignorantes, que assina peças de "internacional" nas nossas televisões, não se tem cansado de falar na "agressão israelita" e apenas por pudor, acredito, não tem valorizado os "heróis do Hezbollah". Infelizmente, nem a ignorância paga imposto nem o seu atrevimento costuma ser punido. Isolado desde 1947, quando as Nações Unidas decidiram pela criação de dois estados na região (um israelita, outro árabe) Israel não enfrenta apenas a provocação deliberada ou pontual do Hamas e do Hezbollah. Essa provocação tem sido permanente e é ela a razão de não existir na região um estado palestiniano livre e democrático - não o quiseram, primeiro, os estados árabes da região que invadiram Israel mal a sua independência foi pronunciada; não o quiseram, d...

Grand Prix du Centennaire

Há cem anos atrás, mais precisamente em 26 e 27 de Junho de 1906, disputou-se a primeira corrida de automóveis a que se deu o nome de "Grand Prix": foi o Grand Prix de l'Automobile Club de France, antepassado directo da Fórmula 1 actual. Por isso, o Grande Prémio de França que se disputa este ano, neste fim-de-semana, também é o Grand Prix du Centennaire . A história da criação deste grande prémio automobilístico é uma história que nasce do descontentamento francês em relação à prova mais famosa da época. Se o Grand Prix de l'ACF pode ser considerado o antepassado directos dos grandes prémios actuais, é certo que já havia diversas corridas para os tipos de carros que disputaram o primeiro grande prémio da história. Por exemplo, a prova mais famosa da época era a Coupe Gordon Bennet. Esta competição foi criada por James Gordon-Bennet, filho do proprietário do New York Herald, que vivia em França, seu país de adopção, que decidiu, no final de 1899, criar uma competição ...

Mais um "lapsus linguae"

É incrível que, quando se fala de Israel, a RTP-N tenha tantos "lapsus linguae" (outro aqui ). Ouço agora, no notíciário transmitido após o final da Volta à França, que os mísseis lançados pelo Hezbollah no norte de Israel causaram dois mortos entre os colonos. Entre os colonos? Que colonos? Que eu saiba, as cidades israelitas do norte não estão naquilo a que se chama habitualmente "territórios ocupados" que são, como se sabe, a Cisjordânia e Faixa de Gaza (embora esta, antes do rapto do soldado israelita, estivesse já completamente desocupada). Por isso, nunca se poderia tratar de colonos. A não ser, é claro, que o pessoal da RTP-N siga a cartilha do Hamas que, como não reconhece Israel, considera que todo o território de Israel é território ocupado. Ai, estas imprecisões linguísticas reveladoras!

Brem prega Frei Tomás

... ou, continuando numa de vox populi, "olha para o que digo, não olhes para o que faço" é que se pode concluir desta notícias do The Boston Globe : PROVINCETOWN -- Town leaders here are holding a public meeting today to air concerns about slurs and bigoted behavior. And this time, they say, it's gay people who are displaying intolerance. Para mim nem sequer é surpresa, aqueles que andam sempre com a palavra tolerância na boca, são frequentemente os mais intolerantes.

Viva Italia

Bem já que não chegámos à final, passo a declarar o meu apoio à Itália, não por que eu seja antifrancês, mas apenas porque gosto mais da Itália e da equipa italiana. Quanto a Portugal, fez um bom campeonato, mas não houve um jogo que fosse excepcional, a não ser quanto à vontade de vencer que essa esteve sempre lá. Mas, apesar de termos excelentes jogadores a equipa tinha pouco poder de fogo: Pauleta, Pauleta e Pauleta (e como este não estava inspirado, nicles); Postiga e Nuno Gomes não contavam para o totobola. É um problema que Scolari tem que resolver se continuar em Portugal que, por mim, pode continuar a ser o seleccionador português. No que respeita à França, só posso dizer que há quinze/vinte dias atrás os fãs franceses dificilmente poderiam imaginar a chegada à final. Estive em Paris em Junho, tendo chegado no dia seguinte ao do empate da França com a Suíça. O tom na imprensa e na televisão era absolutamente deprimente (tenho pena de ter deitado fora o L'Équipe e o Le Figar...

Novos (velhos) hábitos

A Nações Unidas decidiram acabaram com o sua desacreditada Comissão de Direitos Humanos e criaram um novo Conselho de Direitos Humanos que, supostamente, iria, recuperar a credibilidade da ONU em matérias de defesa dos direitos humanos. Se a constituição do Conselho já não augurava nada de muito brilhante (China, Cuba, Federação Russa, Arábia Saudita são alguns dos seus membros actuais), as práticas do dito vêm confirmar que a credibilidade do novo Conselho é igual a zero. Porquê? Segundo reporta The Jerusalem Post : The new UN Human Rights Council voted Friday to make a review of alleged human rights abuses by Israel a permanent feature of every council session. The resolution, which was sponsored by Islamic countries, was passed by a vote of 29-12, with five abstentions. It effectively revives a practice of the UN's dissolved Human Rights Commission, which also reviewed alleged Israeli abuses every time it met. Israel protested Friday's vote, calling it a perpetuation of ...

Isenção jornalística

Acabo de ouvir uma reportagem na RTP-N sobre o actual o conflito israelo-palestiniano, em que se faz referência ao "exército sionista". Onde isto já vai. Todos sabemos que a utilização de certas palavras não é inocente e, então, neste conflito, ainda muito menos. Neste contexto, a classificação dos israelitas como "sionistas" é habitualmente utilizada pela esquerda (e direita) anti-semita e pelos inimigos do estado de Israel (e que desejam a sua destruição). Parece que a RTP-N acabou de tomar partido: está do lado dos inimigos de Israel. Post scriptum. É preciso não nos esquecermos que o Padre Carreira das Neves, há uns anos atrás, também falava do "exército judeu". Enfim, anti-semitismo recalcado.

Timor: só dúvidas e algumas perplexidades

O assunto de Timor está verdadeiramente confuso e não eu, certamente, que vou elucidar oassunto às massas. Resta-me, apenas, questionar-me sobre algumas pormenores e questões que gostaria de ver respondidos (por alguém a que isso diga respeito, por exemplo, o MNE ou o MAI). - Disseram que os soldados da GNR iriam manter a paz, pois, por agora, os australianos iriam repor a paz. Isto é, deixaríamos o trabalho difícil para os australianos, depois iríamos nós. Mas, segundo as últimas notícias, os australianos queixam-se de não ter um quadro legal para poderem actuar, pelo que as pilhagens mantêm-se. Por este andar, nem daqui as dois meses a GNR estará em Timor. - A mim parece-me que esta opção pela GNR e não pelo Exército é mais uma desculpa do Governo para disfarçar a incapacidade de projectar forças (por pequenas que sejam) neste momento. Com missões militares no Kosovo, na Bósnia e no Afeganistão deixou de haver capacidade de enviar uma única companhia que seja para outro lado qualquer...

Boas e más traduções

Não queria deixar de dar boas-vindas à blogosfera a um colega de tradução, Marco Neves, e ao seu blog Traduzido . Entres os textos publicados, há um, com título Más traduções , bastante interessante, com o qual estou geralmente de acordo, mas que me suscita também algumas questões. Diz o Marco Neves (destaques meus): A produção de um texto traduzido tem uma tripla faceta: tem de ser um bom texto (escrito em bom português; mesmo quando o original é mau, pergunto-me?), tem de ser bem traduzido (fiel ao original) e não deve ter aspecto de tradução . A má tradução é uma falha nesses três aspectos: falha na qualidade do texto, falha na tradução, falha na transparência da mesma. 1.º Quando ensinei Técnicas de Tradução no Secundário, a primeira coisa que dizia aos meus alunos é que uma tradução é, antes de mais, um texto e, como tal, tinha que ser tratado. Mas, Marco Neves pergunta se a tradução deve estar em bom português mesmo quando o original é mau. Esta resposta é difícil de dar. Em...

Miser Europa II

A Comissão Europeia contra o Racismo e a Intolerância (ECRI) divulgou ontem o seu 3.º relatório sobre a situação dinamarquesa , como se sabe esse país do norte da Europa onde não se respeitam os direitos humanos... Não o li integralmente, mas houve alguns pontos que me saltaram à vista. Por exemplo: Antisemitism 85. ECRI deeply regrets the fact that Holocaust denial and revisionism are not a crime in Denmark. It has thus been brought to its attention that 90% of Nazi material and memorabilia as well as Holocaust denial material are published and manufactured in Denmark and sold in the rest of Europe, mainly in Russia. ECRI also notes with concern that as freedom of speech prevails in Denmark, antisemitic statements are not monitored. It has further been informed that although there are approximately 5000-6000 Jews in Denmark, very little research is carried out regarding their situation. As a positive matter, ECRI notes that since 2003, each year the Holocaust Memorial Day is comme...

Miser Europa...

... neste caso específico, Holanda. E porquê? Vejam o caso lamentável que esta semana se passou com a agora ex-deputada holandesa Ayaan Hirsi Ali. E isto certamente não acontece por acaso, pois esta senhora era demasiado incómoda para esta pobre Europa acobardada. A história conta-se em poucas palavras, como se pode ler aqui , por exemplo. Em resumo, Hirsi Ali, nascida na Somália, mentiu em 1997, para obter a cidadania holandesa, mas desde 2002 (ainda antes de ser deputada), que não fez segredo disso. Esta semana, a televisão pública holandesa voltou a recordar este facto, num documento intitulado "Santa Ayaan", através de um testemunho (pago) de um irmão. A ministra Rita Verdonk, do mesmo partido de Hirsi Ali, apanhada talvez nas malhas da sua política rigorosa de imigração (por vezes um pouco cega) e na luta pela liderança do seu partido, rapidamente julgou que se deveria retirar a cidadania holandesa a Ali. Isto num país em que a expulsão de imigrantes ilegais que mentiram...

Poema do dia

Coimbra, 14 de Maio de 1981. REMEMORAÇÃO Sim, a vida não presta. Mas foi bonita a festa Da mocidade. O corpo são, a alma sã, e todos os sentidos Na sua virgindade Castamente despidos. Lembrá-lo, agora, dá não sei que paz. Esta paz medular De já ter sido, E ter sido capaz De uma hora solar Gravada a fogo no tempo perdido. (Miguel Torga, Diário XIII)

Leitura de fim-de-semana

Para o fim-de-semana, deixo a seguinte recomendação de leitura: L'immigrationisme, ou la dernière utopie des bien-pensants de Pierre-André Taguieff . Só um bocadinho, para ver se abro o apetite para a leitura (destaques meus): Partons de la thèse bien-pensante sur l'immigration, la thèse centrale de l'immigrationnisme, telle qu'elle est formulée dans le langage politique ordinaire : l'immigration serait un phénomène à la fois inéluctable et positif . C'est là une thèse étrange, qui a pour conséquence de fermer la discussion qu'elle semble ouvrir. Elle indique en effet une voie politique unique : celle de l'acceptation sans discussion de ce qu'on appelle « l'immigration ». Il n'est nul besoin d'être un spécialiste du droit de la nationalité pour relever l'incompatibilité entre l'existence d'États-nations indépendants et souverains et le principe de l'entrée libre dans les États-nations de tous les migrants qui se présenten...

Leituras

Sou, habitualmente, um leitor incansável pelo que ando sempre com um livro comigo, vá para onde vá. A minha mulher já estranha quando saio de casa e não levo o famigerado livro. Mas, e se calhar nem sequer é estranho, a literatura não ocupa o maior espaço nas minhas leituras. Usualmente o meu interesse reparte-se entre história, linguística, teoria da tradução, literatura (com, actualmente, maior preponderância da poesia sobre a prosa e de autores mais antigos sobre os mais modernos) e política (mais ou menos por esta ordem de importância). Também é hábito ler vários livros ao mesmo tempo, alternando os livros, mas tentanto não deixar demasiados dias entre leituras para poder continuar a leitura sem perder o fio à meada. No entanto, nos últimos dias concentrei-me praticamente num livro cuja leitura me absorveu totalmente: a biografia de D. Dinis por José Augusto Pizarro , editada pelo Círculo de Leitores no âmbito da sua colecção Reis de Portugal . Esta série faz a biografia de todos o...

A caixa de Pandora

Para um observador exterior, Rodriguez Zapatero parece estar empenhado em desfazer em poucos anos aquilo que levou aos reis de Castela centenas de anos a construir. Os reis de Castela sempre se acharam com direito ao título de "Imperator hispanorum", pois consideravam-se (acima de todos os outros reinos da Hispânia) como os herdeiros legítimos do Império Visigótico desaparecido em 711 d.C. Mas, agora que Zapatero está há cerca de 2 anos no governo, a Espanha dá alguns inquietantes sinais, não diria de desagregação, mas de um certo mal-estar. Depois da questão da palavra "nació" no novo estatuto da Catalunha, agora a Andaluzia aprovou um novo estatuto, que procura emular o da Catalunha, que procura equiparar essa região autónoma com as outras nacionalidades históricas, andanado às voltas com expressões como "realidad nacional" e "una nacionalidad histórica". A Andaluzia? Enfim, a Catalunha abriu o caminho, agora os outros vão todos tentar segui-l...

Informação

No meu outro blog, Humanae Litterae , publico a segunda parte do meu artigo sobre Catulo .

Obituário

Na noite de passagem de sábado para domingo, morreu Jean-François Revel .

Abrilices

Leio no Jornal de Notícias que o BE decidiu protestar contra Rui Rio porque este condecorou, no passado 25 de Abril, o major-general Pires Veloso. Segundo o Bloco, estas condecoração é condenável porque, por um lado, Rio não condecorou qualquer "resistente antifascita" ou "militar de Abril", mas sim Pires Veloso um confesso "opositor ao movimento popular desencadeado no pós-25 de Abril". Não sou muito velho, andava no ciclo quando se deu o 25-A, mas lembro-me bem da arbitrariedades que o antecessor de Pires Veloso no cargo de comandante militar da Região Militar Norte cometeu durante o seu breve consulado (de Abril a Setembro), de seu nome Eurico Corvaco. Se calhar, o Bloco prefiriria que Rui Rio condecorasse Corvacho, esse sim, um verdadeiro militar de Abril pois até mandou prender pessoas sem qualquer justificação apenas porque as achava contra-revolucionárias. Ah, já me esquecia, parece que a oposição ao "movimento popular desencadeado no pós-25 de...