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O mundo permanece em silêncio

Nuno Guerreiro faz autêntico serviço público e traduz um artigo de Ben Dror Yemini, no diário israelita Ma'ariv , onde se apresentam algumas questões pertinentes sobre o conflito israelo-árabe. Eis um pequeno excerto: Por que razão não existe uma ligação entre os factos e os números e a muito demoníaca imagem de Israel no mundo? Há muitas respostas possíveis. Uma delas é que a moral do Ocidente tornou-se a moralidade das câmaras de televisão. Se um terrorista palestiniano ou do Hezbollah lançar um míssil por entre habitações civis, e Israel retaliar – causando, imagine-se, a morte de duas crianças –, haverá inúmeras manchetes e artigos por todo o mundo clamando que “Israel assassina crianças”. Mas se aldeias inteiras são destruídas no Sudão, ou se cidades inteiras forem arrasadas na Síria, não haverá câmaras de televisão na zona. E assim, de acordo com a moralidade televisiva, José Saramago e Harold Pinter assinarão uma petição protestando contra o “genocídio” e os “crimes de gue...

Boa pergunta

Aznar pregunta por qué los musulmanes no piden perdón por ocho siglos de ocupación .

Mais virgens ofendidas...

Por vezes, os clubes grandes de Lisboa, ali para os lados da 2.º Circular, parecem o Bloco de Esquerda do futebol: estão sempre prontos a apontar o dedo aos outros por falta de ética, sempre prontos a dar aos outros lições de moral, do alto das suas cátedras. E, volta não volta, quando por acaso são prejudicados pelos árbitros (o que se calhar não acontece tantas vezes como nos querem crer), desatam em berraria desenfreada. Esta semana, é a vez do Sporting que, como se sabe, foi prejudicadono seu último jogo com o Paços de Ferreira, apenas porque um jogador do Paços achou que o andebol era um desporto mais adequado à situação. Vai daí, leio hoje no Record (destaques meus): a participação disciplinar que o Sporting irá preparar – dependente do relatório do árbitro – deverá abordar o golo com a mão de Ronny e alegados penáltis sobre Moutinho e Liedson. A conduta do juiz, que terá saído de campo esboçando leve sorriso, conforme assegura fonte próxima da SAD , será igualmente referida. As...

Da invisibilidade do tradutor...

... queixa-se o Eduardo Pitta nesta entrada . Infelizmente, isto ainda vai acontecendo, não sei se por desconhecimento do que é o trabalho do tradutor, se por outro motivo qualquer, mas não quero pensar que seja por considerarem o trabalho de tradutor como algo de secundário (é aquele tipo que passa de uma língua para outra, como se essa passagem fosse quase mecanizada)... Post scriptum: sobre tradução literária e não literária escrevi há uns tempos um texto que pode ser encontrado aqui .

E dizem eles que são uma religião de paz...

Pronto, como era de esperar os muçulmanos, a "rua árabe" e sabe-se lá mais o quê ficaram muito ofendidos com o discurso de Bento XVI na Universidade de Ratisbona. Ofendidos porquê? Por o Papa ter uma visão diferente sobre o Islão daquela que os própios muçulmanos têm? Mas qual é a surpresa? Afinal o Papa é católico, pelo que não tem que acreditar nem numa única vírgula daquilo que é dito no Alcorão, nem sequer considerar Maomé como profeta. O Papa tem todo o direito de ter uma opinião sobre o Islão. O problema é que os muçulmanos (e aqui não distingo entre moderados e radicais , pois o clamor foi em todo o mundo islâmico) não querem aceitar uma única crítica ao Islão e ficam ofendidas com qualquer interpretação que seja diferente da deles. Vai daí, põem-se atirar bombas a igrejas (católicas ou não), a queimar efígies do Papa, apreender jornais com o discurso do Papa, etc., etc. Quando é que se viu, nos últimos tempos, cristãos a atacarem mesquitas por vingança contra os muçul...

Bento XVI e o Islão

Muito se tem falado da visita do Papa à Baviera, sobretudo pela ideia passada por alguma imprensa, certamente com problemas de literacia, que o Papa teria dito que "a teoria da evolução é irracional". Obviamente que a leitura da homília da missa em Ratisbona (disponível no sítio do Vaticano ) esclarece definitivamente quem souber ler (e não for preguiçoso intelectual, que é o que acontece com muitos dos nossos jornalistas - parecem tradutores do que vem nas agências). Mas não é disso que quero agora falar, pois esse assunto foi já abordado aqui e aqui ou ainda aqui . No mesmo dia, mas na Aula Magna da Universidade de Ratisbona, onde o Papa deu aulas de teologia nos anos 70, o Papa, não tão veladamente como isso, fala da Jihad (ou guerra santa), bem como de maomé, utilizando para isso as palavras do Manuel II Paleólogo, imperador do Oriente entre 1391 e 1425 (e antepenúltimo imperador de Constantinopla) numa conversa que este teve com um persa sobre o Cristianismo e o Islão ...

O dia em que morreu um ditador...

... mas que deixou a sua ditadura com vida. Há 30 anos atrás, a 9 de Setembro de 1976, morreu Mao. Obviamente que, nesse dia, eu não fui um dos que chorou a sua morte. Mao foi um terrível ditador responsável por milhões de mortes resultantes da tirania que implantou na China e das suas ideias loucas como o Grande Salto em frente ou da Revolução Cultural. Aliás, como diz este editorial do Le Figaro de hoje de Pierre Rouseelin (destaques meus): Chez nous, trente ans après, il est difficile de comprendre comment Mao a pu envoûter toute une génération d'intellectuels de gauche. D'avantage que le sursaut nationaliste bien compréhensible des origines, ce fut, à partir des années 1956-1957, avec les Cent Fleurs et la radicalisation qui s'en suivit, la quête d'une «voie chinoise» qui fascina bien des esprits. Et c'est précisément cette dérive qui conduisit la révolution maoïste à ses pires excès. Des débordements que personne ne pouvait ignorer. De facto, muita gente, sup...

Afinal, sempre estiveram lá...

O camarada Jerónimo lá acabou por confessar que elementos da FARC estiveram na Festa do Avante. Afinal, o PCP só discorda da FARC em pequenos pormenores, isto é, questões de método (fuzila-se ou enforca-se?, rapta-se ou mata-se já, etc.), o resto, o ideário (que é acorrentar o povo a uma ditadura do proletariado) até é bom. Para quem tivesse ilusões sobre o PCP ser ou não um partido democrata, penso que a resposta está cabalmente dada. De qualquer modo, eles até têm um conceito diferente de terrorismo (supõe-se que é do génerO: tudo o que Israel ou os EUA fazem é mau, tudo o que os kamaradas fazem é bom - só o método, coisa de somenos - é que poderia ser diferente). E têm estes gajos a lata de quererem vir dar lições de moral ao pessoal.

C'est en septembre

Les oliviers baissent les bras Les raisins rougissent du nez Et le sable est devenu froid Oh blanc soleil Maitres baigneurs et saisonniers Retournent à leurs vrais métiers Et les santons seront sculptés Avant Noël C'est en septembre Quand les voiliers sont dévoilés Et que la plage, tremblent sous l'ombre D'un automne débronzé C'est en septembre Que l'on peut vivre pour de vrai En été mon pays à moi En été c'est n'importe quoi Les caravanes le camping-gaz Au grand soleil La grande foire aux illusions Les slips trop courts, les shorts trop longs Les hollandaises et leurs melons De cavaillon C'est en septembre Quand l'été remet ses souliers Et que la plage est comme un ventre Que personne n'a touché C'est en septembre Que mon pays peut respirer Pays de mes jeunes années Là où mon père est enterré Mon école était chauffée Au grand soleil Au mois de mai, moi je m'en vais Et je te laisse aux étrangers Pour aller faire l'étranger moi-même So...

Rivoli

Esta semana houve muita agitação e muito emoção em redor de um simples acto de gestão da Câmara do Porto: a concessão a privados da exploração do Rivoli. Levantaram-se logo vozes contra o mercantilismo, o economicismo e quejandos. Lamentou-se logo a falta de uma política cultural para o Porto (que talvez não haja mesmo neste momento, mas, para mim, uma política cultural não se faz de subsídios para uma clique de pseudo-intelectuais e pseudo-elites). Fez-se um abaixo-assinado . Sinceramente não percebo tanto barulho... Rui Rio cometeu algum crime? Para alguns, sim... um crime lesa-cultura. Mas será mesmo? É que quando ouço esta gente falar em cultura, gostava que eles explicassem de que "cultura" falam. É que tenho a impressão de que não falamos da mesma coisa (e não me acusem de economicista e outras coisas que tais, pois eu de economia ou gestão até nem percebo muito, aliás até sou de Letras). Também não sou daqueles que coloque a cultura num patamar para além da compreensão...

Depois querem que acreditemos neles...

O governo espanhol e o partido que o sustenta nesta situação de crise do Médio Oriente têm mostrado bem de que lado estão. É claro que estão do lado dos terroristas do Hezbollah. Mas apesar disso até ficam ofendidos quando lhes chamam anti-semitas. Mas, depois, põem-se a fazer afirmações como esta : El secretario de Organización del PSOE, José Blanco, ha asegurado hoy que las víctimas civiles provocadas por los bombardeos israelíes en Líbano no son “daños colaterales” sino un “objetivo buscado”. El dirigente socialista ha condenado las acciones terroristas del grupo libanés Hezbolá y “la desproporcionada respuesta de Israel y sus ataques indiscriminados contra la población de Líbano”. Para além da discutível questão da proporcionalidade (proporcionalidade em relação a quê quando se tem um inimigo que tem como objectivo a destruição de Israel), dizer que Israel procura matar civis de propósito só pode vir da mente completamente enviesada e perversa de um esquerdista típico (sendo certo ...

Leitura obrigatória...

... para o artigo no JN de Francisco José Viegas . Quando se trata de Médio Oriente, ou seja, quando se trata de atacar Israel, a tarefa está facilitada em larga escala. Um contingente de meninas idiotas e genericamente ignorantes, que assina peças de "internacional" nas nossas televisões, não se tem cansado de falar na "agressão israelita" e apenas por pudor, acredito, não tem valorizado os "heróis do Hezbollah". Infelizmente, nem a ignorância paga imposto nem o seu atrevimento costuma ser punido. Isolado desde 1947, quando as Nações Unidas decidiram pela criação de dois estados na região (um israelita, outro árabe) Israel não enfrenta apenas a provocação deliberada ou pontual do Hamas e do Hezbollah. Essa provocação tem sido permanente e é ela a razão de não existir na região um estado palestiniano livre e democrático - não o quiseram, primeiro, os estados árabes da região que invadiram Israel mal a sua independência foi pronunciada; não o quiseram, d...

Grand Prix du Centennaire

Há cem anos atrás, mais precisamente em 26 e 27 de Junho de 1906, disputou-se a primeira corrida de automóveis a que se deu o nome de "Grand Prix": foi o Grand Prix de l'Automobile Club de France, antepassado directo da Fórmula 1 actual. Por isso, o Grande Prémio de França que se disputa este ano, neste fim-de-semana, também é o Grand Prix du Centennaire . A história da criação deste grande prémio automobilístico é uma história que nasce do descontentamento francês em relação à prova mais famosa da época. Se o Grand Prix de l'ACF pode ser considerado o antepassado directos dos grandes prémios actuais, é certo que já havia diversas corridas para os tipos de carros que disputaram o primeiro grande prémio da história. Por exemplo, a prova mais famosa da época era a Coupe Gordon Bennet. Esta competição foi criada por James Gordon-Bennet, filho do proprietário do New York Herald, que vivia em França, seu país de adopção, que decidiu, no final de 1899, criar uma competição ...

Mais um "lapsus linguae"

É incrível que, quando se fala de Israel, a RTP-N tenha tantos "lapsus linguae" (outro aqui ). Ouço agora, no notíciário transmitido após o final da Volta à França, que os mísseis lançados pelo Hezbollah no norte de Israel causaram dois mortos entre os colonos. Entre os colonos? Que colonos? Que eu saiba, as cidades israelitas do norte não estão naquilo a que se chama habitualmente "territórios ocupados" que são, como se sabe, a Cisjordânia e Faixa de Gaza (embora esta, antes do rapto do soldado israelita, estivesse já completamente desocupada). Por isso, nunca se poderia tratar de colonos. A não ser, é claro, que o pessoal da RTP-N siga a cartilha do Hamas que, como não reconhece Israel, considera que todo o território de Israel é território ocupado. Ai, estas imprecisões linguísticas reveladoras!

Brem prega Frei Tomás

... ou, continuando numa de vox populi, "olha para o que digo, não olhes para o que faço" é que se pode concluir desta notícias do The Boston Globe : PROVINCETOWN -- Town leaders here are holding a public meeting today to air concerns about slurs and bigoted behavior. And this time, they say, it's gay people who are displaying intolerance. Para mim nem sequer é surpresa, aqueles que andam sempre com a palavra tolerância na boca, são frequentemente os mais intolerantes.

Viva Italia

Bem já que não chegámos à final, passo a declarar o meu apoio à Itália, não por que eu seja antifrancês, mas apenas porque gosto mais da Itália e da equipa italiana. Quanto a Portugal, fez um bom campeonato, mas não houve um jogo que fosse excepcional, a não ser quanto à vontade de vencer que essa esteve sempre lá. Mas, apesar de termos excelentes jogadores a equipa tinha pouco poder de fogo: Pauleta, Pauleta e Pauleta (e como este não estava inspirado, nicles); Postiga e Nuno Gomes não contavam para o totobola. É um problema que Scolari tem que resolver se continuar em Portugal que, por mim, pode continuar a ser o seleccionador português. No que respeita à França, só posso dizer que há quinze/vinte dias atrás os fãs franceses dificilmente poderiam imaginar a chegada à final. Estive em Paris em Junho, tendo chegado no dia seguinte ao do empate da França com a Suíça. O tom na imprensa e na televisão era absolutamente deprimente (tenho pena de ter deitado fora o L'Équipe e o Le Figar...

Novos (velhos) hábitos

A Nações Unidas decidiram acabaram com o sua desacreditada Comissão de Direitos Humanos e criaram um novo Conselho de Direitos Humanos que, supostamente, iria, recuperar a credibilidade da ONU em matérias de defesa dos direitos humanos. Se a constituição do Conselho já não augurava nada de muito brilhante (China, Cuba, Federação Russa, Arábia Saudita são alguns dos seus membros actuais), as práticas do dito vêm confirmar que a credibilidade do novo Conselho é igual a zero. Porquê? Segundo reporta The Jerusalem Post : The new UN Human Rights Council voted Friday to make a review of alleged human rights abuses by Israel a permanent feature of every council session. The resolution, which was sponsored by Islamic countries, was passed by a vote of 29-12, with five abstentions. It effectively revives a practice of the UN's dissolved Human Rights Commission, which also reviewed alleged Israeli abuses every time it met. Israel protested Friday's vote, calling it a perpetuation of ...

Isenção jornalística

Acabo de ouvir uma reportagem na RTP-N sobre o actual o conflito israelo-palestiniano, em que se faz referência ao "exército sionista". Onde isto já vai. Todos sabemos que a utilização de certas palavras não é inocente e, então, neste conflito, ainda muito menos. Neste contexto, a classificação dos israelitas como "sionistas" é habitualmente utilizada pela esquerda (e direita) anti-semita e pelos inimigos do estado de Israel (e que desejam a sua destruição). Parece que a RTP-N acabou de tomar partido: está do lado dos inimigos de Israel. Post scriptum. É preciso não nos esquecermos que o Padre Carreira das Neves, há uns anos atrás, também falava do "exército judeu". Enfim, anti-semitismo recalcado.

Timor: só dúvidas e algumas perplexidades

O assunto de Timor está verdadeiramente confuso e não eu, certamente, que vou elucidar oassunto às massas. Resta-me, apenas, questionar-me sobre algumas pormenores e questões que gostaria de ver respondidos (por alguém a que isso diga respeito, por exemplo, o MNE ou o MAI). - Disseram que os soldados da GNR iriam manter a paz, pois, por agora, os australianos iriam repor a paz. Isto é, deixaríamos o trabalho difícil para os australianos, depois iríamos nós. Mas, segundo as últimas notícias, os australianos queixam-se de não ter um quadro legal para poderem actuar, pelo que as pilhagens mantêm-se. Por este andar, nem daqui as dois meses a GNR estará em Timor. - A mim parece-me que esta opção pela GNR e não pelo Exército é mais uma desculpa do Governo para disfarçar a incapacidade de projectar forças (por pequenas que sejam) neste momento. Com missões militares no Kosovo, na Bósnia e no Afeganistão deixou de haver capacidade de enviar uma única companhia que seja para outro lado qualquer...

Boas e más traduções

Não queria deixar de dar boas-vindas à blogosfera a um colega de tradução, Marco Neves, e ao seu blog Traduzido . Entres os textos publicados, há um, com título Más traduções , bastante interessante, com o qual estou geralmente de acordo, mas que me suscita também algumas questões. Diz o Marco Neves (destaques meus): A produção de um texto traduzido tem uma tripla faceta: tem de ser um bom texto (escrito em bom português; mesmo quando o original é mau, pergunto-me?), tem de ser bem traduzido (fiel ao original) e não deve ter aspecto de tradução . A má tradução é uma falha nesses três aspectos: falha na qualidade do texto, falha na tradução, falha na transparência da mesma. 1.º Quando ensinei Técnicas de Tradução no Secundário, a primeira coisa que dizia aos meus alunos é que uma tradução é, antes de mais, um texto e, como tal, tinha que ser tratado. Mas, Marco Neves pergunta se a tradução deve estar em bom português mesmo quando o original é mau. Esta resposta é difícil de dar. Em...