terça-feira, janeiro 25, 2005

Louçã "persiste et signe"

Louçã não se arrepende de ter dito a Portas que ele não tinha direito a pronunciar-se sobre o aborto porque nunca tinha sido pai.

E mais, com uma argumentação absolutamente extraordinária. Disse Louçã:

Cada um tem o direito à sua opinião, mas o que realmente está em causa é saber se pode haver a diferenciação sectária do campo da vida e da morte, até porque hoje nas listas do PP, estão pessoas que entendem que uma mulher violada tem que ser presa se tiver abortado.

Bem, peço desculpa, mas em bom português pergunto: o que é que tem o cu que ver com as calças? É que não percebi a relevância desta explicação para a frase bem (neo)fascista de Louçã de achar que uma pessoa que não tenha filhos não pode ter opinião sobre o aborto.

É que o que Louçã disse foi que dezenas (ou centenas) de milhares de portugueses, de esquerda ou de direita, homo ou heterossexuais, não podem ter opinião sobre este assunto. E isto é absolutamente absurdo.

Será que os portugueses que não fazem política não podem ter opinião sobre a política portuguesa porque há alguns deles que defendem que Mao foi um verdadeiro humanista?Será que é preciso jogar futebol para se ter opinião sobre a falta que não era falta mas que deuorigem ao golo da vitória ao adversário?

Por outro lado, aqueles que desculpavam o contexto para uma afirmação tão obtusa não têm agora como desculpá-lo. O homem é mesmo assim, isto é, assim para o anti-democrático.