domingo, outubro 31, 2004

Reforma protestante

Foi na véspera do dia de Todos os Santos de 1517 que Lutero (10/11/1483 - 18/02/1546) publicou as suas 95 teses contra as indulgências na porta da igreja do castelo de Vitermberga.

Foi há 487 anos e mudou, para o bem ou para o mal, para sempre a face da Europa. A partir desse dia, Lutero começou a incompatiblizar-se com a Igreja Católica (apesar das teses expostas em si não exprimirem nenhum ponto de vista irreconciliável com as posições da Igreja), até ser condenado pela bula Exsurge domine de 15 de Junho de 1520. Aos poucos a Reforma começava a expandir-se pela Alemanha.

Depois do Cisma do Oriente em 1054, que separou a Igreja Católica da Igreja Ortodoxa de Constatinopla, a Igreja Católica já tinha sofrido uma outra grande crise com o chamado Grande Cisma do Ocidente, entre 1378 e 1417. A crise foi resolvida mas a autoridade da Igreja ficou muitíssimo abalada. O poder pontifício, a organização hierárquica e os sacramentos foram postas em causa por homens como Wyclif e Jan Huss. Assim, a Reforma protestante não nasceu do nada, mas apenas culminou um mal-estar que se sentia na Igreja na época tardo-medieval.

sábado, outubro 30, 2004

Turquia? Não, obrigado!

Como os meus leitores sabem, eu sou contra a Turquia na UE. Sou também da opinião de que não se deveria sequer abrir negociações tendo em vista a entrada na Turquia na UE. Há demasiadas questões políticas, culturais, religiosas, geográficas, demográficas em jogo para que o barco seja levado a bom porto. Penso mesmo que a entrada da Turquia na UE não iria aproveitar a ninguém. E, a minha posição nada tem que ver com a UE ser ou não um clube cristão, ou não.

No entanto é certo que o problema da Turquia é ser um país muçulmano e de, como todos os países muçulmanos, ter problemas com islamitas que estão em guerra declarada (embora andem para aí uns idiotas que ainda não viram isso) com o Ocidente (e não só com os Estados Unidos, ao contrário do que pensam esses míopes). Dizem-me que a Turquia é um país laico. Mas depois leio notícias como esta. A Turquia é um país laico à força, Lembrem-se que 80 anos de União Soviética não conseguiu acabar com as religiões aí existentes. Mas o império caíu, as religiões reapareceram em toda a força. E o mesmo acontece em vários países do leste europeu. Não se pode confundir os habitantes de Istambul com os da Anatólia ou os do Curdistão turco. Eu como não alinho em teorias multiculturalistas, tenho muitas dúvidas quanto à sã convivência entre povos tão diferentes dentro do mesmo espaço europeu.

Apesar de a Turquia ter interferido nos assuntos europeus durante cinco séculos, quase nada absorveu da cultura europeia. Culturalmente a Turquia seria um corpo estranho, não partilhando uma herança comum. Nada daquilo que influenciou e ajudou a construir a Europa de hoje, tem alguma importância na Turquia.

E pequenos episódios como aquele relatado na notícia, no dia nacional da Turquia, que comemora a criação da república da Turquia e, ao mesmo tempo, o fim do Império Otomano, são significativos de como a laicidade da Turquia é apenas um verniz que nunca penetrou profundamente no país.

sexta-feira, outubro 29, 2004

Falhanço total

Nas eleições no Kosovo, menos de 1% dos sérvios foram votar, segundo leio no Le Point.

O falhanço da ONU é total. Mas ninguém vê...

Fantasmas...

Ontem, à noite, na A2, estava a dar o Clube de Jornalistas, programa que gosto de ver, quando me lembro, porque aparecem sempre por lá pessoas com opiniões pré-históricas e completamente suspensas no tempo. É uma verdadeira cápsula no tempo, faz-me voltar atrás cerca de 30 anos.

Outra característica que este programa tem, é a recorrente ideia do elevado conceito que têm da profissão de jornalista, quase como se fosse um sacerdócio, ideia complementada pela noção de que actualmente, obviamente devido à influência do poder económico (esse papão!), o jornalismo em geral não tem a mesma qualidade do jornalismo de outros tempos (o mito da Idade de Ouro reciclado e adaptado).

Bom, mas vamos ao que interessa e ao programa de ontem em concreto. Não o vi todo, por que me esqueci, mas ainda apanhei algumas pérolas. Um senhor, de seu nome António Rego Chaves, diz, a propósito da situação actual da comunicação social e do país, que era preciso não esquecermo-nos de que como era as coisas no tempo do Fascismo (coisa que, strictu sensu, nunca existiu em Portugal), para que agora não caiamos na mesma situação. Assim, segundo este senhor, a situação actual poderia levar a que o governo censurasse os media de agora como o governo da Outra Senhora fazia então.

É óbvio que isto é um absurdo e que a liberdade de imprensa não está agora mais ameaçada do que estava há 6 anos atrás. Alias, quando a Portugal Global foi criada e o deputado socialista João Carlos Silva nomeado presidente da RTP não ouvi estes arautos da liberdade a protestarem contra o controlo do governo (do PS) sobre media portugueses. Lembro-me do Pacheco Pereira reclamar e pouco mais...

Baptista-Bastos, também presente no programa, não poderia deixar de estar mais de acordo com Rego Chaves.

Enfim, verdadeiros dinossauros excelentíssimos que vivem ainda com os fantasmas do passado. Certamente estão com saudades da imprensa do imediatao pós-25A em que o Estado tudo podia e tudo mandava. Aí sim, é que era bom.

Post-scriptum. Não que tudo fosse mau no programa. O depoimento de Ana Sousa Dias foi interessante e certeiro.

quinta-feira, outubro 28, 2004

Como se alguém duvidasse disso

"La France sera toujours à vos côtés pour appuyer vos efforts en faveur d'une paix équitable et négociée", a écrit le ministre des Affaires étrangères, Michel Barnier, à Arafat. "C'est avec préoccupation et sympathie que je me tiens informé de l'évolution de votre état de santé", écrit le ministre dans ce message. "Je souhaite vous transmettre mes voeux très sincères de guérison en souhaitant que vous puissiez rapidement reprendre votre place à la tête de l'Autorité palestinienne".

Deste governo francês já nada me espanta. Por isso mesmo, esta afirmação de Micher Barnier, ministro dos negócios estrangeiros francês, não me faz impressiona mesno nada. Direi eu, mais uma frase para a lamentável figurinha feita por um governo deste segundo mandato de Chirac.

Mas dizer, sem se rir, que Arafat sempre procurou a paz é realmente uma idiotice. Enfim...

É preciso ter lata

Ouço na SIC-N um senhor da Associação Académica de Coimbra, vestido à vampiro, a falar de democracia. Que desaforo.

É um verdadeiro paradoxo. Como podem estes senhores falarem de democracia quando, da forma mais antidemocrática possível, eles invadiam o Senado da Universidade para impedir o regular funcionamento democrático da instituição?.

A estes é que falta de certeza o "calo" democrático.

quarta-feira, outubro 27, 2004

Parabéns

Não queria deixar de dar parabéns ao Nuno Guerreiro e ao seu excelente Rua da Judiaria. Tenho aprendido algumas coisas que não sabia. Gratulor tibi.

Quem mentirá?

Marcelo ou Paes do Amaral?

terça-feira, outubro 26, 2004

Barroso e o Parlamento Europeu

A comissão de Durão Barroso vai a votos no Parlamento Europeu. Segundo noticia a TSF, socialistas e liberais ainda têm dúvidas no sentido de voto, mais os primeiros do que os segundos.

Segundo dizem os analistas, a causa próxima da rejeição dos par(a)lamentares socialistas são as declarações do comissário Buttiglione sobre a homossexualidade e o estatuto das mulheres na sociedade. Bastaram uma afirmações fora do politicamente correcto, os media amplificam o caso distorcendo de vez em quando. E, pronto, é quanto baste para apresentar o homem como homofóbo.

Por muito contestáveis que sejam as suas declarações, não vi nelas qualquer homofobia (aliás, era bom que antes de começarem a adjectivarem tudo e todos, era bom definir o conceito com um pouco mais de rigor) nelas. Há sem dúvida uma opinião baseada nas suas crenças religiosas. Mas, e daí? Todos nós temos as nossas opiniões baseadas em crenças (religiosas ou não). Será que as opiniões com base laicas são melhores, só por não são religiosas. Dizem que ele não pode impor a sua visão à sociedade. E os outros, os laicos, podem impor as suas concepção e visões do mundo à sociedade? Tenho eu que acreditar, por exemplo, que uma sociedade multicultural perfeita é possível? Claro que não! Não acredito nisso. Como não acredito que a homossexualidade seja só uma questão de "nurture". Afinal se rapazes e raparigas são diferentes em tanta coisa, como por exemplo, na aprendizagem. No fundo, na política, há sempre uma facção que impõe a sua visão do mundo num aspecto particular à(s) outra(s). Buttiglione tem é que respeitar a instituição onde está e reger-se de acordo com os seus padrões sobre as liberdades e garantias dos cidadãos europeus.

Tudo este caso é de uma enorme hipocrisia que para mim esconde outro facto. O facto é que a esquerda europeia está ressabiada por o presidente da comissão não ser um deles. A escolha de Durão Barroso, alguém que veio da direita, europeísta convicto (para o meu gosto até demais) mas também atlantista e, pior, apoiante de George Bush, caiu-lhes muito mal. Foi um autêntico sapo vivo que engoliram. Por isso, Buttiglione é apenas um pretexto para eles se porem em bicos de pé, para marcarem posição. A comissão no seu todo é considerada demasiado liberal pela esquerda (como a UE tivesse liberais!). Ainda por cima Barroso quer manter Buttiglione e isso a esquerda acha que é arrogância. Como não lhes satisfez a vontadinha, os socialistas querem reprovar a nova equipa de comissários. Enfim... much ado about nothing.

Carlos Martel

Há 1272 anos, a 25 de Outubro de 732 d.C., Carlos Martel, maire du palais da decadente corte merovíngia, juntamente com o duque Eudes, que governava a Aquitânia, então um país independente do reino franco, derrotou as tropas muçulmanas de Abd el-Rahmann, governador de Espanha, entre Poitiers e Tours.

Abd el-Rahmann foi morto na batalha e, no dia seguinte, as suas tropas retiraram. Esta batalha foi o ponto final da expansão do Islão para norte. A partir daí, Carlos Martel desceu para o Midi e começou a desalojar os vários chefes muçulmanos que aí se tinham instalado alguns anos antes.

Esta vitória foi importante porque de facto marcou o fim da tentativa de expansão. Os muçulmanos já tinham sido derrotados em Toulouse em 9 de Junho de 721 d.C. pelo já referido duque Eudes e que solidificou a independência da Aquitânia em relação ao Reino dos Francos. Mas Eudes não se ficou por aí e fez uma aliança com Munuza, governador berbere da Septimânia que, em bora muçulmano estava em revolta contra a Espanha muçulmana. Eudes deu a sua filha em casamento a Munuza (naquele tempo os preconceitos religiosos ficavam atrás das considerações políticas), mas no seguimento da guerra Munuza foi morto em batalha com Abd el-Rahmann. este decidiu fazer uma expedeção punitiva contra a Aquitânia. Eudes teve que chamar Carlos Martel a contragosto, pois saberia que havia o perigo dos Francos estenderem os seus domínios para sul. Mas perante a ameaça, assim o fez e deste modo, a invasão muçulmana pode ser definitivamente parada. É claro que a Aquitânia, bem como a Provença, acabam por cair sob domínio franco devido às suas campanhas de 737 e 739.

Carlos Martel (c. 668 - 741), sucedeu a seu pai, Pepino de Herstal, em 714, como maire du palais, que nestes últimos anos dos reinos dos Merovíngios era quem exercia efectivamente o poder. A 14 de Outubro de 714, em Néry, Carlos Martel à frente dos francos austrasianos, venceu os francos neustrianos, e a Austrásia e a Nêustria reuniram-se num único reino franco.

O poder da família cresceu de tal modo, que em 751, o seu filho Pepino, o Breve, que lhe sucedeu em 741, derrubou o último rei merovíngio, Childerico III, fazendo-se proclamar rei. O sucessor de Pepino foi Carlos Magno que levou o império carolíngio à sua máxima expansão. O nome de carolíngio dada a esta família deve-se ao facto dos seus mais ilustres representates serem ambos Carlos (Karolus em dialecto germânico), Carlos Martel e Carlos Magno

domingo, outubro 24, 2004

Legendagem

Tenho normalmente um grande apreço por aqueles que fazem tradução/legendagem de programas de televisão porque conheço as condições difíceis com que muitas vezes trabalham. Conheço pelo menos duas pessoas que fazem tradução para as televisões nacionais, conheço as suas competências e sei do que são capazes. Por isso, não sou demasiado crítico em relação a alguns erros que acontecem na legendagem de programas.

Acresce ainda que sendo eu tradutor, e tendo paixão pela minha profissão, jamais gostaria de ser intérprete ou responsável por tradução/legendagem de programas. E porquê? Se há competências básicas similares, os processos são por vezes muito diferentes, requerendo também outros processos de trabalho de que eu não gosto muito. Gosto de trabalhar com textos escritos (sim, não se espantem por eu escrever "textos escritos" porque a definição de texto é algo complexa ao longo da curta história da linguística) e apenas com estes.

Mas se sou tolerante com erros de decorrem das condições em que a tradução e legendagem é realizada, não deixando tempo para reflectir sobre algumas das decisões de tradução tomadas (e de que os clientes se estão perfeitamente nas tintas porque desconhecem o que é traduzir), já não o sou tanto com erros que relevam de uma cultura geral ou formação incompletas para além do admissivel

Para ilustrar o que digo, dois exemplos:
1 - Canal Odisseia, programa Maravilhas do Mundo, sobre a cidade de Córdoba. A certa altura o locutor diz, falando a propósito da queda de Granada, "Castilla" e "Isabel e Ferdinand". Que eu saiba em português seria "Castela" e "Isabel e Fernando". A língua de origem do documentário era alemã, assim se explica o nome do rei. Isto é falta de cultura geral.

2 - Canal História, programa Reescrevendo a História sobre a morte de Marilyn Monroe. A certa altura o locutor diz "teoristas da conspiração" em vez de "teóricos da conspiração" ou, melhor, mais natural em português, "adeptos das teorias da conspiração". Aqui, no mínimo houve falta de atenção...

Exemplos como estes são às dezenas e por vezes, pelo menos para mim, arruinam aquilo (não é propriamente o caso destes, mas houve alguns no passado verdadeiramente desastrosos) que estou a ver. Um poucochinho de mais atenção, dentro do possível, não seria pior.

sábado, outubro 23, 2004

Eleições no Kosovo

Hoje há eleições no Kosovo. Passados 5 anos sobre a vergonhosa intervenção da Nato sobre um parte integrante da República Sérvia, em nome de uma limpeza étnica inexistente (não que os sérvios fossem simpáticos com os kosovares albaneses, mas aquilo que se disse antes da guerra era uma propalada mentira), a limpeza étnica esta feita. Neste momento só 80000 sérvios vivem no Kosovo, centenas de igrejas e mosteiros cristãos, que nem os turcos otomanos incendiaram, tendo dezenas de milhar fugido de lá.

A política unilateral americana do mui amado Clinton criou um problema maior do qua havia antes. Nessa altura, ninguém na Europa se preocupou com a legalidade internacional, nem com a opinião da ONU. O caso é que passado 5 anos, vamos ter uma palhaçada de eleições, sabe-se lá para quê, porque a comunidade internacional não sabe o que fazer com aquilo: o protectorado vai-se manter? por quando tempo mais? Dar independência? E amputar um estado soberano?

Miser Kosovo!

sexta-feira, outubro 22, 2004

Leitura indispensável

Como habitualmente às sextas, não posso deixar de recomendar a leitura de Le Bloc-Notes de Ivan Rioufol no Le Figaro. Destaco dois assuntos: o movimento antiglobalização e a tentanção penal para condenar o anti-semitismo.

L'épuisement altermondialiste

La droite cessera-elle un jour d'avoir peur de son ombre ? L'année dernière, elle multipliait les clins d'oeil aux altermondialistes, qui tenaient leur forum social européen à Saint-Denis. «Devenir altermondialiste, pourquoi pas ?», lançait Alain Juppé, heureux de cet autoportrait si peu bourgeois, tandis que Jean-Pierre Raffarin, bonhomme, saluait les militants «avec bonne humeur» et que François Bayrou, inspiré, y voyait «un mouvement important qui est en train de naître». Un an après, qu'a-t-on vu de son rassemblement, qui s'est clos le week-end dernier à Londres ? Un mouvement déjà à bout de souffle, ratiocinant sur son anti-impérialisme, son antilibéralisme, son antisionisme et n'arrivant pas à faire taire la déception dans ses rangs.

Voilà où mènent les contestations artificiellement gonflées par les médias et étourdiment applaudies par les politiques, fascinés par ce qui se réclame de la nouveauté et de la transgression. En l'occurrence, il est permis de retenir de cet épisode que la droite complexée aura eu des mots plus sévères pour stigmatiser la brutalité du libéralisme du Medef que pour mettre en garde contre le collectivisme des antimondialistes, désireux «d'éradiquer l'idéologie libérale» et de renverser le capitalisme en faisant alliance avec l'islamisme révolutionnaire et tiers-mondiste.


De facto, como aqui já várias vezes referi, o movimento antiglobalização não é alternativa à globalização porque veicula soluções totalitárias, para além deste movimento estar a aliar-se a movimentos islamitas no seu ódio à democracia representativa ocidental.

Antisémitisme : la tentation pénale

Le rapport rendu, mardi, par Jean-Christophe Rufin (prix Goncourt 2001) sur le racisme et l'antisémitisme : l'écrivain dénonce avec raison l'«antisionisme radical», qui dénie en fait à l'Etat d'Israël le droit d'exister. Rufin y voit un antisémitisme non avoué. Paradoxalement porté par les discours antiracistes des belles âmes, bovistes, gauchistes et autres altermondialistes, cet antisionisme sytématique ne veut voir de coupables que chez le juif «colonisateur» et «raciste». Il ferme les yeux sur l'idéologie antijuive et guerrière de l'islamiste, élevé au rang d'irréprochable victime. L'extrême droite antisémite est proche de cet antisionisme-là, qui n'a rien à voir avec la critique, admissible et souhaitable, de la politique de Sharon.

Mais faut-il pour autant sanctionner pénalement, comme le propose Rufin, ceux qui accusent Israël de nazisme, d'apartheid ou d'être un «Etat raciste», cette dernière expression ayant valu à Alain Ménargues, responsable de Radio France internationale, de démissionner cette semaine ? Il y a là un mauvais réflexe qui, sous couvert des meilleures intentions, remet en cause la liberté d'expression, qui ne trouve pas toujours ses avocats pour la défendre. Cette pénalisation introduirait de surcroît une sorte de délit sacrilège qui risquerait d'être contre-productif, en attisant les ressentiments. D'autant qu'il existe aussi, dans les cités, un racisme occulté contre la France elle-même.


Já por muitas vezes escrevi neste blog contra a mania em países nórdicos e no Canadá de penalizarem aquilo que é considerado "hate speech". Normalmente os lóbis LGBT, feministas, islamitas são muito activos a procurarem calar as vozes não concordantes com o politicamente correcto com a ameaça de processos judiciais.
Mas se discordo desta mania de chamar a todos "homófobos" (Buttiglione tem agora as suas palavras sempre adjectivadas com "homofóbico" - uma verdadeira estupidez, ele limitou-se a exprimir a sua opinião) ou "islamófobos" (palavra criada por Tariq Ramadan para contrariar "anti-semitismo") ou das tentativas de processos como em França se tentou contra Louis Chagnon, também acho que se deve evitar a tentação de combater o anti-semitismo apenas pela via penal. Para além de estarmos a impedir a liberdade de expressão, esse combate judiciário não será eficaz. A maior eficácia será a de não deixarmos passar todos os actos anti-semitas e denunciá-los sem meias palavras.

quinta-feira, outubro 21, 2004

Já diziam os latinos

"primum uiuere, deinde philosophari"

É de facto um preceito sensato. Assegurar os seus meios de subsistência em primeiro lugar (viver primeiro) e, só depois, então, filosofar. É um pouco o que me vai acontecer nos próximos tempos. A tradução de um livro com cerca de 500 páginas vai-me manter ocupado durante uns tempos. Não tanto como aquilo que seria necessário (as traduções técnicas são sempre para ontem).

Como perceberam trata-se de um livro técnico, não de um de literatura. Perguntam-me, por vezes, porque não traduzo literatura. Bem, há pelo menos duas razões: 1) ninguém mo pediu; 2) a tradução técnica paga melhor.

Quando às vezes digo isto, as pessoas ficam um pouco espantadas, pois obviamente não sabem muito bem como estas coisas funcionam. Para muita gente, tradutor sério e respeitado é aqueles que traduz literatura. Os outros, os tradutores técnicos (chamemos-lhe assim), não lhes merecem o mesmo respeito, pois afinal traduzir manuais ou outras coisas não é propriamente tradução a sério. É claro que quem assim pensa, não sabe que para traduzir não basta saber línguas... antes bastasse.

Estienne Dolet (1509?-1546), tradutor francês, que morreu na fogueira por causa de uma tradução que fez de Platão em que um "rien" pareceu dar ideia às autoridades eclesiásticas de que Dolet estaria a dizer que a alma não era imortal, disse em 1540, no seu La manière de bien traduire d'une langue en autre:

"Il faut que le traducteur entende parfaictement le sens et la matière de l'autheur qu'il traduit" (p. 13) Este era o primeiro preceito.

O segundo preceito "que le traducteur ait parfaicte congnaissance de la langue de l'autheur qu'il traduict; et soit pareillement excellent en la langue en laquelle il se mect à traduire" (p. 14/15).

Dolet dá ainda outros três preceitos para a realização de uma boa tradução São preceitos muito gerais e sucintos, mas que demonstram uma tomada de consciência sobre os problemas da tradução.

Mas é certo que praticamente toda a teorização sobre tradução feiita até meados do séc. XX dedicava-se quase exclusivamente à tradução literária. Friedrich Schleiemacher (1768-1834), no seu muitíssimo famoso texto Über die verschiedenen Methoden des Übersezens (Dos diferentes métodos de traduzir) de 1813, distingue dois tipos de tradução: a interpretação e a tradução. Aquilo a que ele chama interpretação seria a actual tradução técnica e geral. Com o nome de tradução "a sério" são mereciam as traduções de obras literárias e académicas. Da chamada "interpretação" (não confundir com o sentido moderno do termo), Scheleiemacher diz (uso a tradução de Douglas Robison in Western Translation Theory, p. 227):

Translating in this field is thus a merely mechanical task that can be performed by anyone with a modest proficiency in both languages, and where, so long as obvious errors are avoided, there is little difference between better and worse renditions." No mínimo podemos dizer que ele não tinha esta tradução em grande conta.

Quanto a tradução "propriamente dita" (ainda segundo Schleiemacher, p. 227):

The situation is totally different in art and scholarship, and generally wherever thought, one with the word, reigns more securely than the thing of which the word is but an arbitrary and yet well-established sign. For how infinitely and intricate the business becomes here! What accurate knowledge, what command of both languages it hten requires!" Que diferença de tom. E a partir daqui, e só para as traduções literárias e académicas, é que Scheleimacher desenvolve a sua teoria sobre os diferentes métodos de tradução.

Mas quem pensar que esta dicotomia entre tradutores literários e não-literários é coisa do passado (em termos de público em geral) está muito enganado. Em 2003, num seminário de tradução da União Latina no Porto, Yves Gambier, presidente da European Society for Translation Studies (EST), começou a sua comunicação assim "Les traducteurs littéraires et non-littéraires exercent-ils une même profession? Peuvent-ils recevoir en commun une formation appropriée?". Mais adiante, propondo-se a ultrapassar esta dicotomia:

"Cette opposition [literária/não-literária] reflète une perception de la traduction trop souvent encore considérée en dehors de son environnement socio-économique, y compris dans nombre d'entreprises où la traduction est mêlée à la communication, à la publicité, au marketing, à l'iexport-import, aux services de langues. Il n'y a pas de base sérieuse pour reproduire à l'infini cette distinction: d'une part, la traduction littéraire est souvent qualifiée ainsi uniquement à partir du texte de départ; d'autre part, la traduction non-littéraire donne lieu à des débats souvent séparés sinon marginalisés en traductologie (théorie) et lors de conférences, quand bien même l'immense volume du travail quotidien les concerne."

Depois de dar vários exemplos em que demonstra que o processo de tradução literária não é assim tão diferente dos processos da não-literária, Gambier afirma:

"Ils [os tradutores] doivent negocier avec leur donneur d'ouvrage, trouver un accord sur la prestation à fournir, recevoir et vérifier le texte à traduire, l'analyser et faire les recherches documentaires et terminologiques appropriées, transférer (en réflechissant sur les stratégies idoines et les degrés d'acceptabilité de leurs décisions et propositions), relire et réviser, adpater et corriger (l...), mettre en forme et livre."

Por isso, na conclusão, Gambier afirma ainda:

"Le traducteur (littéraire et non-littéraire) a à se faire admettre sa spéficié, parmi les "écrivants" (auteurs, rédacteurs, producteurs de sites, créateurs de documentations, écrivains). Et pour ce faire, il doit toujours préciser et maitriser ses compétences, ses rôles.

La dichotomie littéraire/non-littéraire appartient au passé, à une époque où certains pouvaient se payer le luxe d'être amateurs éclairés (plus ou moins riches ou désargentés) et d'autres se faisaient tâcherons pour survivre. Dans les deux cas, le traducteur était servile et les communications multilingues étaient réduites dans un monde qui ne connaisait pas encore la mondialisation accélérée, concurrentielle et uniformisante."

Estou perfeitamente de acordo com Gambier, não importa a natureza do texto, há uma certo número de procedimentos comuns que o tradutor tem que fazer sob pena de não fazer um serviço de qualidade.

A tradução é uima profissão apaixonante, pelo menos para mim, mas, frequentemente muito desgasttante, mesmo fisicamente. Qual é o tradutor que não fez noitadas para entregar as suas traduções a tempo?

Por isso, quando alguém não compreende como é que eu posso, tendo eu uma formação de Letras, estar empenhadíssimo numa tradução de engrenagens ou de tribologia, não percebem, nitidamente, o desafio que estes temas nos colocam (a minha formação anterior a ter mudado para Letras, que me levou primeiro para Engenharia é claro que me ajuda, pois ainda tenho muitas noções de matemática, física, geometria descritiva, mecânica, etc.).

Não percebem também que, tendo um método de trabalho estabelecido e uma boa capacidade de saber onde localizar a informação necessária, pode-se fazer traduções muito variadas. E que por isso, não importa o tipo de tradução, e ao contrário do que afirmou Schleiemacher, qualquer tradução tem que ter, independentemente do tema e da forma, qualidade.

Bom, parece-me que o pequeno texto que eu ia fazer para justificar o facto de nos próximos tempos poder não haver um tão grande número de actualizações do blog (embora vá tentar manter um ritmo diário), descambou para um texto sobre tradução. Mas essa é a minha paixão, para além de ser a minha profissão.

Post scriptum: tenho, é verdade, algumas traduções literárias feitas, sobretudo poemas, mas não tenciono publicá-las. É apenas o gozo que dá que me leva a fazê-las. Isto é, no meus tempos livres, faço tradução na mesma!

quarta-feira, outubro 20, 2004

Estou espantado...

Segundo esta notícia, a polícia impediu os estudantes de invadirem a reunião do Senado da Universidade de Coimbra.

Será que a lei vai entrar nas universidades? Já era um começo (a seguir podiam tratar do assunto da praxe).

Da utilidade da praxe universitária

Este blog, nos últimos dois dias, tem andado um pouco abandonado porque tenho que uma tradução grande para fazer com uma complexidade técnica bastante elevada. E como para traduzir não basta saber línguas (quem pensar isso nunca será um grande tradutor), necessitei de procurar informação técnica pormenoriza junto de quem sabe e também onde se encontra literatura técnica adequada. Por isso, nestes últimos dois dias tenho passado o tempo na Faculdade de Engenharia do Porto (FEUP).

E por ter passado por lá tantas horas, pude observar alguns hábitos praxísticos lá daquela gente. Desde já digo que, enquanto estudante, fui sempre contra a praxe, não praxei nem fui praxado, não trajei à estudante (para ter uma farda bastou-me andar 16 meses no Exército), nunca participei na Semana da Queima, etc., etc., etc... e não me arrependo nada por isso. E nem por isso fui anti-social, pois criei amizades que ainda perduram actualmente.

Vem isto a propósito de que quando estava eu na biblioteca da FEUP, por baixo da entrada da biblioteca, numa zona coberta (foram dias de chuva), realizava-se por lá uma praxe que durou uma eternidade . Na segunda-fera estive na biblioteca das 9h às 17h (com intervalo para almoço, está claro) e durante todo esse tempo lá se ouvia os desgraçados cânticos, os gritos, os hi-hon com que os caloiros respondiam aos "doutores". E eu fiquei a pensar: bem, estes tipos (os caloiros) não vão às aulas? Porque é que eles aturam estes gajos que denominam a si mesmos "doutores", mas que são, alguns deles, do mais burro que anda na faculdade, pois têm já um número enorme de matrículas? Qual o sentido em andarem com os caloiros de um lado para o outro de mãs dadas?

A mim faz-me realmente pena ver jovens entregarem-se como cordeiros para serem imolados a estas praxes ridículas e, frequentemente, degradantes, aceitando o caso como se fosse uma fatalidade. É claro que não é fatalidade alguma. É claro que não têm que aceitar a praxe. Precisam é de ter vontade pois, penso também que há pessoas que pensam que se não forem praxadas não entraram a sério na Univeridade.

E isto é algo que me deixa triste pois essas pessoas aceitam que outros, nem que sejam por breves momentos, ajam autoritariamente sobre eles só porque chegaram primeiro à universidade. Sempre pensei que a praxe é o momento onde há muita gente, entre aqueles que praxam, que aproveita para poder fazer dislates e se rir à custa dos outros, pondo cá fora o ditadorzeco que tèm dentro deles.


Sinceramente não compreendo a utilidade da praxe, pois se queriam fazer integração dos alunos havia muitas outras maneiras de o fazer. Assim, tal como exite, não passa de um espectáculo degradante, tanto para que o faz, como para quem o sofre.

Abaixo a praxe!

terça-feira, outubro 19, 2004

Pela última vez...

vou falar do Benfica-Porto. Será que o Benfica não conhece os limites do ridículo?

Pobre país o nosso...

segunda-feira, outubro 18, 2004

Roubados dizem eles

Os desgraçadinhos da 2.º Circular (lado vermelho) dizem que foram roubados no jogo com o Porto. Talvez... não vi o jogo, nada posso dizer sobre o assunto.

Mas o espectáculo dado pelos dirigentes - especialmente os do Benfica - depois do jogo foi tudo menos edificante.

Todos as semanas há equipas que são "roubadas" pelos árbitros, sendo o Benfica muitas vezes o beneficiado, e, excepção feita a alguns mais exaltados, não se vêem espectáculos tão indecorosos como o de ontem.

Parece-me que o início do campeonato fez mal ao Benfica, mas, como eu disse então, o Campeonato não acabava à 4.ª jornada.

Não vou fazer sermões moralistas dizendo que este jogo mostrou bem a qualidade do dirigismo desportivo nacional. Sou desejo anotar que o espectáculo foi mau de mais para ser verdade. Golos não validados já houve muitos (há uns anos, não muitos, o Benfica até teve um golo validado que nem sequer tinha entrado), penaltis e supostos penaltis por marcar são uma farturinha, etc., etc. etc...

Mas ontem os dirigentes do Benfica até parecia que tinham perdido tudo e que o campeonato já tinha acabdo. Não há dúvida que o Porto lhes provoca muita urticária. Vão ver que se tivessem perdido, digamos, com Belenenses não tinham feito aqueles ceninhas lamentáveis...

Afinal eles deveria saber que, parafraseando um sábio do nosso tempo, há mais vida para além do futebol.

domingo, outubro 17, 2004

Iraniana de 13 anos condenada à morte

O regime teocrático iraniano está cada vez pior. Se há relativamente pouco tempo havia esperanças de que os moderados conseguissem de algum modo suavizar o clima de opressão, nos últimos tempos os conservadores têm conseguido impor a sua lei (ver o que se passou nas últimas eleições iranianas).

Agora, leio a notícia de uma iraniana de 13 anos foi condenada à morte por lapidação por ter tido relações sexuais com o seu irmão de 12 que, por sua vez, foi condenado a receber 180 chibatadas, sendo ambas as condenações decretadas de acordo com a charia.

Quando é que vamos deixar de receber notícias deste género.

sábado, outubro 16, 2004

Imparcialidade novamente (parte II)

O Terras do Nunca decidiu responder ao meu artigo de ontem acusando-me de me arvorar em "detentor da verdade, quando tudo o que escreveu é de uma enorme subjectividade".

É claro que quem me lê com frequência jamais me poderia acusar de querer ser detentor de verdade, (para além de a definição de "verdade" ser um poucochinho complicada, pelo menos desde Aristóteles). Limito-me a analisar as coisas pela minha cabeça segundo a informação que consigo recolher.

Quanto à "enorme subjectividade", bem, aí estamos de acordo, porque eu não me escondo por trás de uma suposta "isenção", "imparcialidade" ou "objectividade" ao contrário do que faz grande parte dos jornalistas, como se pudessem planar acima do mundo onde vivem e não tivessem nada que ver com ele.

Se o JMF não é um defensor da "objectividade jornalística", fico contente, pois é evidente que esta não passa de um mito. E, mais, uma vez tem razão em afirmar que a liberdade e a concorrência nos permitem escolher quem queremos ler. É a óbvia vantagem de uma economia de mercado.

Agora o que penso é que parte da cobertura que o Público fez do debate parlamentar não reflectiu o que lá se passou. É a minha opinião e agora, graças à Internet, posso dizê-lo quando e como quero. Não estou dependente de uma qualquer "página do leitor" nem preciso de um provedor. E, para o bem e para o mal, os jornalistas e os media em geral vão ter que se habituar a isso.

Paciência...

Companhias pouco recomendáveis

Por estes dias está a decorrer o Forum Social Europeu, este ano, em Londres. Mais uma vez, os movimentos antiglobalização disseram ter como convidados vários islamitas, como se o seu combate fosse o mesmo. Pobres diabos, não perceberam mesmo nada de nada.

Mas nem todos os que pertencem a esse movimento estão de olhos tapados. Dominique Topo publicou no Libération de 14 de Outubro as razões pelas quais o S.O.S. Racisme francês não iria participar no forum (via Proche-Orient.info:

L'altermondialisme a, dès son émergence, suscité chez moi une profonde sympathie. Il était un mouvement généreux, capable de renouer avec de grandes mobilisations fondées sur des bases progressistes.

Mais, depuis plusieurs mois, SOS Racisme a été amené à prendre ses distances. Lors du Forum social européen (FSE) de 2003 en France, nous fûmes à deux doigts de refuser de participer aux débats en raison d'un manque de clarté sur les questions d'antisémitisme et de l'invitation de Tariq Ramadan, intellectuel proche du mouvement fondamentaliste des Frères musulmans. Ce que nous espérions pouvoir analyser comme un faux pas se trouve malheureusement confirmé par des choix de débats et d'invités à l'occasion du présent FSE de Londres.

A cette heure, nous ne savons pas si la rumeur persistante de la présence de Youssef al Qaradawi au FSE se trouvera confirmée. Mais d'ores et déjà, on ne peut que s'étonner que cette rumeur n'ait pas été démentie avec force. Comment en effet Youssef al Qaradawi, leader européen des Frères musulmans, pourrait participer à une rencontre qui se veut progressiste ? Monsieur Al Qaradawi s'est systématiquement manifesté comme un obscurantiste porteur d'un message de haine. Il déclarait encore il y a peu qu'« il n'y a pas de dialogue entre nous et les juifs, excepté par le sabre et par le fusil ». Par ailleurs, en sa qualité de président du Conseil européen de la fatwa, il a lancé une fatwa soutenant les attentats kamikazes, y compris contre les civils.

Comment Massoud Shaterjee peut-il animer deux débats au FSE ? Massoud Shaterjee a participé au sommet international contre le racisme de Durban en 2001 et a oeuvré à le transformer en une pitrerie raciste et antisémite. Autre fait de gloire de cet individu : considérer que les talibans sont des martyrs. Alors, voir un tel personnage tenir un débat intitulé l'Interdiction du voile : une attaque contre la femme musulmane ne peut que révulser. Car on comprend bien, par son soutien à la vision talibane, que sa conception de la femme musulmane se situe aux antipodes des combats féministes.

Ajouté à une série de débats organisés par des islamistes autour de leurs thèmes de prédilection, il ressort de cela l'impression que les responsables européens du mouvement altermondialiste se situent dans une recherche frénétique et insensée d'un front anti-impérialiste dont le seul principe serait « l'ennemi de mon ennemi est mon ami ».

Car nous n'ignorons pas les théories selon lesquelles l'islamisme représenterait un allié dans la lutte contre l'impérialisme américain. Théories fausses, dangereuses et exotiques. Fausses, parce qu'elles ignorent la nature de l'intégrisme islamiste, dont le projet ne se situe pas dans la lutte contre l'oppression capitaliste mais contre la démocratie, la liberté des moeurs, l'égalité entre les hommes et les femmes et, point d'accord avec les forces nationales populistes et ethnicistes, contre l'idée que l'Humanité peut et doit avoir un avenir commun. Dangereuses, parce qu'elles isolent ceux qui, à travers le monde, se battent pour des progrès démocratiques. Exotiques, parce qu'elles participent des plus terribles amalgames, et notamment celui selon lequel on pourrait poser l'égalité suivante : Arabe = musulman = intégriste. Et c'est bien ce à quoi participent les organisateurs du FSE en choisissant les islamistes intégristes comme interlocuteurs prétendument représentatifs des populations arabo-musulmanes.

sexta-feira, outubro 15, 2004

Imparcialidade novamente

Ontem, pela primeira vez, tive oportunidade de ver na íntegra um debate mensal parlamentar com o governo. Pude por isso tirar as minhas próprias conclusões de como correu o debate, não me esquecendo que a minha condição de militante do PSD poder influenciar a minha apreciação. Mas, em geral, não tendo sido brilhante, não desgostei de Santana Lopes e quanto a oposição esteve como se esperava. Tal como, Bettencourt Resendes disse na SIC-N, penso que Santana Lopes venceu o debate em geral (embora tivesse deixado algumas perguntas por responder), até porque o formato do debate dá sempre vantagem ao governo, não houve KO de nenhum partido, enfim, podemos dizer, não correu muito mal.

Por outro lado, compreendo a dificuldade que este debate engulhos em alguns comentadores (p.ex. António José Teixeira) pois como Santana não se perdeu nos dossiers, como eles esperavam, tiveram que reconhecer que ele até não se saiu mal.

Mas, hoje leio o Destaque de hoje no Público da autoria de São José Almeida e parece-me que o debate que eu vi foi um outro debate. E porquê? Atente-se neste parágrafo:

Já José Sócrates soube usar os poucos minutos que este tipo de debate lhe dava - nos debates mensais a oposição só faz perguntas. A anos-luz das parcas capacidades parlamentares de Ferro Rodrigues, Sócrates, de forma clara e directa, levantou questões de regime, como da legitimidade política e as acusações de censura. Além de não se esquecer da situação económica e social e ainda do Orçamento do Estado, acusando mesmo o Governo de em matéria orçamental querer descobrir o "gelo-quente".

Começando por um nada inocente "já", o discurso de Sócrates é considerado quase brilhante. Ora, eu ouvi a dita intervenção e ela não me impressionou rigorosamente nada. A legitimidade política, tal como disse Resendes na SIC-N é um argumento que se esgota e não tem seguimento, para além de ser perfeitamente ridícula, pois se a solução é constitucional como é que Santana não tem legitimidade? Será uma questão moral, política? Bom, então porque se lembraram só agora, se Santana nem foi o primeiro que chegou a primeiro-ministro sem eleições depois de 1976 (se a memória não me engana, foi o terceiro, quarto se contarmos com Fernando Nogueira)? Esta questão é apenas um sound-byte. Quanto à censura, como Santana lembrou, o PS não está isento, como foi o caso de Arons querer afastar Cintra Torres. Por outro lado, Joaquim Furtado também tem queixas da intervenção do governo na RTP. Censura? Alguém impede Marcelo de falar? Deixem-me rir...

Depois de declarar que o PS se deixou encurralar em terrenos não favoráveis, diz-se que apesar disso Santana também não ganhou o debate em termos gerais. Porquê? Volta à intervenção de Sócrates:

Logo de início, o líder do PS entrou a matar com questões políticas de relevância e actualidade. Numa atitude previsível - e que o próprio Sócrates já fez saber que é para continuar - atacou Santana pela falta de legitimidade e de autoridade políticas que acha que o primeiro-ministro tem. Ou seja, atirou para cima da mesa com o facto de Santana ter sido indigitado primeiro-ministro sem se submeter a eleições legislativas depois de escolhido pelo conselho nacional do PSD, sem que o congresso reunisse. Enquanto ele Sócrates foi eleito em sufrágio directo dos militantes. Isto para além de atacar com veemência as eventuais interferências na liberdade de expressão com o caso Marcelo, classificando-o de "nódoa que o vai perseguir" e defendendo que Santana não resiste "às tentações de controlo da comunicação social".

O artigo parece uma pescadinha de rabo na boca, vira-o-disco-e-toca-o-mesmo. Tal como a argumentação do PS. Para além do facto de a legitimidade de José Sócrates ser apenas enquanto líder do PS. Nada mais. Santana pelos estatutos do partido também é um líder legítimo. É claro que é necessário um Congresso o mais rápido possível. Dizer que Santana não conseguiu responder à altura das acusações é uma autêntica falácia e que só consegue enganar quem não viu o debate. Se realmente no caso de Ferro, Santana se enganou, na primeira resposta usuo a ironia que fez Sócrates ficar com um riso amarelo. E esta questão da legitimidade faz-me rir. Legitimidade vem de "legítimo", que por sua vez tem o significado de "conforme à lei". A legitimidade de Santana Lopes é total porque conforme às leis da República. A moralidade e ética nada têm que ver com o assunto, pois senão cairíamos no reino da arbitrariedade.

Mas, quanto a este aspecto, da legitimidade, dizem que Santana não a tem porque não foi a votos, que os portugueses não votaram nele. Mas, se levarmos esta ideia ao extremo, então Barroso também não tinha um governo legítimo porque os portugueses não tinham votado num governo PSD-CDS/PP. Também em 1977 (penso eu), os portugueses tiveram um governo PS-CDS, mas o povo (nesta algura bem mais ideológico) não votou certamente, nas eleições legislativas em 1976, numa solução dessas. Seriam esses governos ilegítimos? A governabilidade de um país têm que assentar em leis que permitam estas alianças pós-eleitorais, senão passávamos a vida em eleições. E quem diz alianças, diz também sucessão no cargo de primeiro-ministro.

Noto ainda, e porque o caso de passa com o Público noto ainda a grande susceptibilidade de JMF a um post do Jaquinzinhos. É que como diz o JCD a notícia era mesmo ridícula. E, hoje, na capa do jornal, lá estava a "legitimidade" como a característica principal do debate. Não era preciso confirmar assim de que lado estão os jornalistas. E ainda há que queira defender a objectividade.

O mesmo JMF responde ainda ao Nuno Guerreiro a propósito do uso de ambulâncias da ONU pelos terroristas, negando ainda que haja enviesamento pró-palestiniano na cobertura noticiosa (apelidado de teoria da conspiração). Antes fosse... mas não o é em quase toda a Europa Ocidental e Portugal não é excepção. Qualquer dia haveria de se fazer em Portugal algo como o que AC Medias faz para a imprensa francesa. É bastante elucidativo.

Enfim, estamos presente uma peça jornalística no mínimo tão alinhada politicamente como a minha. Mas, eu digo logo que a imparcialidade e objectividade absolutas são inexistentes pelo que, elas também não existem no jornalistas, por muito que eles afirmem o contrário.

Le bloc-note d'Ivan Rioufol

Os meus leitores do gosto que tenho em ler Ivan Rioufol à sexta-feira no Le Figaro.

Esta semana não é excepção e a sua coluna de hoje Le bloc-notes é altamente recomendável.

Mais uma vez o debate sobre a Turquia está na ordem do dia. Em França, este tema é um tema quente, com debates muito acesos, e que divide largamente os políticos e o homem da rua. Eis o que Rioufol diz sobre o tema (destaques meus):

Fronde contre la pensée unique

Bonne nouvelle : la pensée unique a du plomb dans l'aile, grâce à la Turquie. Certes, la moutonnerie a encore de beaux jours en France : il suffit d'entrer dans une librairie pour s'en persuader, devant la somme de livres accablant Bush et les néoconservateurs comparé à la rareté de ceux dénonçant Ben Laden et sa barbarie. Plus généralement, il demeure ardu d'aller à contre-courant du conformisme qui impose à tous le respect des tabous et des sens interdits. Néanmoins, une fronde naissante est peut-être en train d'ébranler ces consensus établis.

Les Français, sourdement, disent l'inconcevable : ils ne veulent pas de la Turquie en Europe, parce que ce pays est musulman. Les hommes politiques ont beau s'affoler d'un argument si peu convenable – tous s'empressent de dire que la religion n'a rien à y voir –, leur retenue indiffère une majorité de l'opinion. Celle-ci donne raison à l'amère analyse d'Uluc Ozulker, ambassadeur de Turquie en France (1) : «Si la Turquie était chrétienne, il n'y aurait aucun problème.» C'est vraisemblable.

Les donneurs de leçons s'indignent de cette attitude si peu «fraternelle». Mais leur moralisme ne culpabilise plus autant : les Français, qui observent la difficile intégration maghrébine et la fragilité de leur nation, n'ont plus mauvaise conscience à passer outre les matraquages sur l'antiracisme, la xénophobie ou le respect de l'Autre. Ce qu'ils pensent est honorable : ils craignent qu'un puissant pays islamique ne dénature la démocratie européenne en la rejoignant.

Les dithyrambes sur la Turquie «européenne» et «laïque» taisent une partie de la réalité, née de la réislamisation du monde musulman. Comme l'explique le spécialiste Alexandre Del Valle (2), «le visage pro-occidental et «laïque» de la Turquie kémaliste est connu ; celui d'une Turquie ultranationaliste souvent intolérante et maintenant néo-islamiste l'est beaucoup moins». Comment, par exemple, oublier la victoire, le 3 novembre 2002, des «islamistes modérés» de l'AKP aujourd'hui au pouvoir ? Ils sont en rupture avec l'héritage d'Atatürk et seule l'armée reste garante de la laïcité.

Les Français se révèlent, dans leur refus d'accepter la Turquie (à 75% selon un sondage de Libération), attachés à leur civilisation, qu'ils croient vulnérable. Ils ne peuvent en être blâmables. Quand Jacques Chirac s'inquiète de la protection des Pygmées, «qui sont l'un des peuples les plus menacés de disparaître», nos concitoyens rappellent que leur propre culture risque aussi de se dissoudre dans un espace européen n'ayant plus le droit de se prévaloir de ses héritages judéo-chrétiens et prêtant le flanc à une Turquie légitimement fière d'être musulmane.

Cette surprenante résistance au politiquement correct est un signe d'exaspération, que les hommes politiques ne devraient pas négliger. Les citoyens, qui se préoccupent de leur destin, veulent désormais avoir leur mot à dire. Ce serait une faute de les ignorer.

Mas, Rioufol também trata o assunto do futuro comissário Buttiglione:

Le «scandaleux» M. Buttiglione

Décidément, le politiquement correct se décline inépuisablement, jusque dans les couloirs du Parlement européen. Cette fois, le scandale est venu de Rocco Buttiglione, pressenti au poste de commissaire chargé de la justice et des affaires intérieures. Il est reproché à ce catholique italien proche de Jean-Paul II d'avoir dit :«A mon avis, l'homosexualité est un péché», en ajoutant «mais cela ne doit pas influencer la politique». Il a également déclaré, selon le compte rendu officiel : «Une femme a le droit d'avoir des enfants et de bénéficier de la protection d'un homme.» (La version des médias lui fait dire : «La famille existe pour permettre à une femme d'avoir des enfants et d'avoir un mâle qui les défend»). Effroi donc cette semaine chez les députés européens dénonçant des propos homophobes et sexistes. Curieusement, ces grandes consciences ne se seront jamais offusquées de la présence du théologien islamiste Tariq Ramadan dans un groupe de «sages» nommé par Romano Prodi, président sortant de la Commission. Ramadan est celui qui oeuvre à la réislamisation des musulmans et qui demande un «moratoire» pour la lapidation des femmes. A Bruxelles, certains le trouvent plus fréquentable que le trop chrétien Buttiglione.

De facto, em Bruxelas, um muçulmano (bem sei que ele não será comissário) que não consegue condenar a lapidação de mulheres adúlteras, mas apenas propor uma moratória, pode pertencer a um grupo de sábios da UE (ele que até é cidadão suíço) sem que ninguém se indigne. Já alguém que acha que a homossexualidade é um "pecado", mas que disse saber distinguir entre moralidade e legalidade (e acção política), é um homófobo que vai ameaçar as liberdades e garantias na Europa e a igualdade entre homens e mulheres.

Esta Europa anda à deriva...

quinta-feira, outubro 14, 2004

Imparcialidade

Se há coisa que me irrita é os jornalistas, quando reflectem sobre a sua profissão, estarem sempre a falar em imparcialidade e objectividade. Em primeiro lugar, porque são qualidades que não existem em estado puro, pois toda a gente tem a sua visão das coisas e, por muito racional que tente ser, sofre sempre influência das suas crenças, ideias, ideologia ou, pura e simplesmente, preferências.

Mas se estas qualidades não podem ser absolutas, pode-se tentar ser o mais justo e equilibrado possível e, sobretudo, não torcer propositadamente aquilo que é evidente. E, normalmente, os jornalistas que mais falam em imparcialidade e objectividade são aqueles que mais praticam o enviesamento noticioso (favorável geralmente à esquerda).

Vem isto a propósito de uma notícia que li no Libération de hoje, que tem o seguinte título:

Les socialistes européens pour le comissaire homophobe

Ora, o jornalista assume, logo no título, que o futuro comissário Buttiglione é "homófobo". E o início da notícia também vai no mesmo caminho:

Les socialistes européens sont prêts à passer l'éponge sur les propos homophobes de l'Italien Rocco Buttiglione, le futur commissaire européen chargé de la Justice et des Affaires italiennes (...).

Ou seja, o facto das afirmações do futuro comissário não alinharem nos cânones do politicamente correcto e do pensamento único faz com que sejam logo marcadas como o carimbo de "homofóbico" e o homem de "homófobo". A diversidade de opiniões não é sequer considerada. Não, tem que se seguir a cartilha, senão apanha-se logo com um rótulo ignominioso. É uma estratégia conhecida destes patrulheiros ideológicos que querem controlar o pensamento através da linguagem, impendindo a troca e o debate de ideias.

E o jornalista, neste caso, segue obedientemente a cartilha da ditadura PC.

quarta-feira, outubro 13, 2004

Aborto

Segundo notícia do The Sunday Telegraph de que o ABC faz eco, mais de mil mulheres britânicas vão a Barcelona fazer abortos tardios (para além das 24 semanas de gestação), não sofrendo o feto qualquer má-formação nem estando a saúde da mãe em risco.

Este tipo de aborto é ilegal na Grã-Bretanha - e também na Espanha -, mas a clínica socorre-se das facilidades da lei espanhola e falsifica as declarações.

Será que os defensores do aborto estão todos de acordo com estes abortos tardios? Será que um feto de 30 semanas não será já um ser completo e que se nascer prematuramente não será capaz de sobreviver sem grandes problemas? É que isto vai contra alguns argumentos que ouvi de alguns defensores de aborto livre até às 10/12 semanas. Ou será que, no fundo, acham que a mulher tem direito sobre o seu próprio corpo em qualquer altura da gestação?

Ainda haverá quem pense que a lei espanhola é boa, quando acaba por ser de facto, não de iure, mais permissiva do que as leis de um país como a Grã-Bretanha (onde se praticam 180 000 abortos/ano).

Terão o mesmo consultor económico?

Berlusconi anuncia uma diminuição de impostos. Como em Portugal, a Itália também tem uma elevada despesa pública. Também como nós, Berlusconi vai tentar combinar despesa pública com baixa de impostos.

terça-feira, outubro 12, 2004

Liberdade de expressão

Em Portugal muito se tem falado de putativas ameaças à liberdade de expressão, mas é óbvio que eu não acredito nisso. As choraminguices sobre a interferência do poder económico nos media é pura conversa fiada. Provavelmente, alguns jornalistas estão saudosos das interferências do Estado quando muito destes órgãos pertenciam a esse mesmo Estado. Aí, seriam livres os jornalistas? Por outro lado, há para aí um mito sobre um passado mítico de ouro do jornalismo. Mas será que ele alguma vez existiu?

Enfim, esta introdução foi só para falar de outras ameaças, estas sim verdadeiras, como o recurso aos tribunais para calar aqueles que não juram pelo credo do politicamente correcto e das causas ditas "progressistas". Certos conceitos como "islamofobia", "racismo" e "homofobia" têm ajudado a tentar calar as opiniões desalinhadas, pois a maioria não quer parecer nem islamófobo, nem racista, nem homófobo. E uma estratégia muito utilizada por certos lobbies é do recurso a tribunal para intimidar aqueles que tem opiniões diferentes.

Isto mesmo aconteceu em França com Michel Houellebecq, escritor francês, que declarou numa revista que "la religion la plus con, c'est quand même l'islam". É uma declaração sem dúvida polémica, mas sobre a Igreja Católica, por exemplo, há gente que disse coisas muitíssimo piores.

Esta frase foi quanto bastou para Houellebecq apanhar com um processo por "provocação de ódio racial" (um "must" neste tipo de casos) por parte de várias organizações muçulmanas francesas. Mas terá havido incitação ao ódio racial? Bom, em primeiro lugar, o Islão não é uma raça, há gente de todas as raça na religião muçulmanas (embora os árabes a dominem largamente). No fundo, o que estas organizações estavam a fazer era um processo de "delito de opinião" ou, então, pior ainda numa sociedade laica, um processo por "blasfémia".

A teses das organizações muçulmanas não foram acolhidas pelo tribunal de primeira instância. Estas organizações recorreram, mas agora, constata-se que não há queixosos. Todas elas se retiraram...

Ainda bem, a liberdade de expressão desta vez safou-se.

segunda-feira, outubro 11, 2004

Pensamento único no Parlamento Europeu

Rocco Buttiglione é mal-amado no Parlamento Europeu e por isso recebeu um duplo chumbo.

Isto de não ser politicamente correcto e não dizer as coisas supostamente progressistas tem custos. Diversidade de opinião é coisa que a esquerda não gosta.

Enfim, nada de que não se estivesse à espera.

Afeganistão

Independentemente das vicissitudes do processo eleitoral, as eleições no Afeganistão correram até muito bem.

Os talibãs não conseguiram transformar o dia das eleições num "banho de sangue" e as votações, para além de pequenos problemas (para quem nunca votou), decorreram numa certa normalidade. As alegações de fraude serão investigadas, o que também é bom que aconteça.

É óbvio que o Afeganistão não se transformou num paraíso desde a queda do regime talibã, mas deu passos significativos na direcção correcta. Vamos lá ver como as coisas continuam.

Inimputável

Ouço na RTP, Francisco Louçã, durante um comício na Madeira, aliás escassamente participado, que "não temos ministros que nos governam, mas ministros que se governam" (cito de memória, mas o sentido é este).

Se não fosse triste, era no mínimo grave. O que Louçã diz é que todos, mas mesmo todos, os ministros estão lá para se governar à conta do Estado, sendo por isso desonestos. Ou seja, são todos uma espécie de Verres, administrador romano corrupto a quem Cícero dedicou as verrinas.

Louçã, armado em Cícero moderno (mas sem o talento do original), vem acusar o governo de se governar. Claro, sem apresentar a mínima prova, coisa em que ele é useiro e vezeiro.

Para o BE e o seu insuportável líder, todos os outros não têm qualquer moralidade. Apenas eles são impolutos e acima de qualquer suspeita.

Provavelmente, num país a sério, Louçã teria que provar que todos os ministros deste governo se governavam enquanto exerciam o poder. Assim, num país destes, só posso concluir que Louçã (e também o resto do Bloco) é inimputável.