terça-feira, setembro 26, 2006

O mundo permanece em silêncio

Nuno Guerreiro faz autêntico serviço público e traduz um artigo de Ben Dror Yemini, no diário israelita Ma'ariv, onde se apresentam algumas questões pertinentes sobre o conflito israelo-árabe. Eis um pequeno excerto:
Por que razão não existe uma ligação entre os factos e os números e a muito demoníaca imagem de Israel no mundo?

Há muitas respostas possíveis. Uma delas é que a moral do Ocidente tornou-se a moralidade das câmaras de televisão. Se um terrorista palestiniano ou do Hezbollah lançar um míssil por entre habitações civis, e Israel retaliar – causando, imagine-se, a morte de duas crianças –, haverá inúmeras manchetes e artigos por todo o mundo clamando que “Israel assassina crianças”. Mas se aldeias inteiras são destruídas no Sudão, ou se cidades inteiras forem arrasadas na Síria, não haverá câmaras de televisão na zona.

E assim, de acordo com a moralidade televisiva, José Saramago e Harold Pinter assinarão uma petição protestando contra o “genocídio” e os “crimes de guerra” perpetrados por Israel. Provavelmente eles não sabem que, com algumas excepções, os actos de Israel contra alvos militares que atingem civis são permitidos de acordo com as Convenções de Genebra (protocolo 1, parágrafo 52.2). E porque estão tão submersos na moralidade das câmaras de televisão, nunca assinarão uma petição em protesto contra o genocídio de muçulmanos perpetrado por muçulmanos. O assassínio pelo assassínio.

A moralidade televisiva é uma tragédia para os próprios árabes e muçulmanos. Israel paga caro por causa dela, mas os árabes e muçulmanos são as suas vítimas reais. E enquanto prosseguir a moralidade do ecrã, os árabes e muçulmanos continuarão a pagar o preço.
Vale a pena ler o artigo inteiro.

sábado, setembro 23, 2006

Boa pergunta

segunda-feira, setembro 18, 2006

Mais virgens ofendidas...

Por vezes, os clubes grandes de Lisboa, ali para os lados da 2.º Circular, parecem o Bloco de Esquerda do futebol: estão sempre prontos a apontar o dedo aos outros por falta de ética, sempre prontos a dar aos outros lições de moral, do alto das suas cátedras.

E, volta não volta, quando por acaso são prejudicados pelos árbitros (o que se calhar não acontece tantas vezes como nos querem crer), desatam em berraria desenfreada.

Esta semana, é a vez do Sporting que, como se sabe, foi prejudicadono seu último jogo com o Paços de Ferreira, apenas porque um jogador do Paços achou que o andebol era um desporto mais adequado à situação. Vai daí, leio hoje no Record (destaques meus):
a participação disciplinar que o Sporting irá preparar – dependente do relatório do árbitro – deverá abordar o golo com a mão de Ronny e alegados penáltis sobre Moutinho e Liedson. A conduta do juiz, que terá saído de campo esboçando leve sorriso, conforme assegura fonte próxima da SAD, será igualmente referida. As queixas podem alargar-se à nomeação: depois do que ocorreu na antecâmara do Boavista-Benfica e na própria partida, a nomeação do árbitro setubalense foi feita de forma pouco cuidada.
O Sporting tem todo o direito em reclamar, mas o Sporting não está só a tentar reclamar, está também a tentar influenciar a opinião negativa que as pessoas já têm sobre os árbitros, fazendo comentários insidiosos que permitem a leitura de que o árbitro terá feito de propósito e que no final estaria satisfeito com o trabalhinho efectuado. Depois, os próprios jornalistas entram no jogo emitindo/transmitindo opiniões: a nomeação foi feita de forma pouco cuidada.

Sinceramente, o futebol feito fora das quatro linhas começa a ser cansantivo. As teorias da conspiração estão na moda, todo e qualquer erro é feito de propósito e a mando do Pinto da Costa (que para estes teóricos da conspiração é uma espécie de Bush do futebol: tem culpa de tudo). Enfim, se calhar nem sequer vêm o que se passa no resto do mundo, onde erros muito piores acontecem (como esta em que o apanha-bolas marca um golo validado pela juíza da partida). E se a gente quisesse ir por aí nunca mais acabava: a Inglaterra eliminada no Mundial de 86 pela "mão de Deus", o Pedro Mendes marcou um golo pelo Tottenham que o árbitro não viu, o Ricardo também teve a bola 1 metro dentro da baliza em Alvalade e o árbitro não marcou golo (à beira deste o "golo" do Benfica ao Baía é uma brincadeira e vejam só o barulho que foi feito à volta de um ou à volta do outro), etc.

Estariam todos estes árbitros comprados e a fazerem o trabalhinho por conta de outros? Ou só em Portugal é que há mandantes?

Eu sei que o futebol português (como aliás o mundial) não é composto por anjinhos, mas andam alguns que nos querem fazer crer que o são e que estão acima de todos os outros. Sinceramente, já me irrita tanta indignação de virgem ofendida.

domingo, setembro 17, 2006

Da invisibilidade do tradutor...

... queixa-se o Eduardo Pitta nesta entrada.

Infelizmente, isto ainda vai acontecendo, não sei se por desconhecimento do que é o trabalho do tradutor, se por outro motivo qualquer, mas não quero pensar que seja por considerarem o trabalho de tradutor como algo de secundário (é aquele tipo que passa de uma língua para outra, como se essa passagem fosse quase mecanizada)...

Post scriptum: sobre tradução literária e não literária escrevi há uns tempos um texto que pode ser encontrado aqui.

sábado, setembro 16, 2006

E dizem eles que são uma religião de paz...

Pronto, como era de esperar os muçulmanos, a "rua árabe" e sabe-se lá mais o quê ficaram muito ofendidos com o discurso de Bento XVI na Universidade de Ratisbona. Ofendidos porquê? Por o Papa ter uma visão diferente sobre o Islão daquela que os própios muçulmanos têm? Mas qual é a surpresa? Afinal o Papa é católico, pelo que não tem que acreditar nem numa única vírgula daquilo que é dito no Alcorão, nem sequer considerar Maomé como profeta. O Papa tem todo o direito de ter uma opinião sobre o Islão. O problema é que os muçulmanos (e aqui não distingo entre moderados e radicais , pois o clamor foi em todo o mundo islâmico) não querem aceitar uma única crítica ao Islão e ficam ofendidas com qualquer interpretação que seja diferente da deles.

Vai daí, põem-se atirar bombas a igrejas (católicas ou não), a queimar efígies do Papa, apreender jornais com o discurso do Papa, etc., etc. Quando é que se viu, nos últimos tempos, cristãos a atacarem mesquitas por vingança contra os muçulmanos pelos ataques de 11-S, 11-M ou 7 de Julho. Os muçulmanos, por muito que se queixem de islamofobia, continuam a poder viver no Ocidente. O mesmo não se passa no mundo islâmico onde na Arábia Saudita a posse de uma Bíbilia dá direito a prisão. No mundo muçulmano, os cristãos são cidadãos de segunda, pura e simplesmente.

É tempo de os muçulmanos se deixarem destas manifestações de violência, se é que querem se levados a sério quanto ao Islão ser uma religião de paz.

sexta-feira, setembro 15, 2006

Bento XVI e o Islão

Muito se tem falado da visita do Papa à Baviera, sobretudo pela ideia passada por alguma imprensa, certamente com problemas de literacia, que o Papa teria dito que "a teoria da evolução é irracional". Obviamente que a leitura da homília da missa em Ratisbona (disponível no sítio do Vaticano) esclarece definitivamente quem souber ler (e não for preguiçoso intelectual, que é o que acontece com muitos dos nossos jornalistas - parecem tradutores do que vem nas agências). Mas não é disso que quero agora falar, pois esse assunto foi já abordado aqui e aqui ou ainda aqui.

No mesmo dia, mas na Aula Magna da Universidade de Ratisbona, onde o Papa deu aulas de teologia nos anos 70, o Papa, não tão veladamente como isso, fala da Jihad (ou guerra santa), bem como de maomé, utilizando para isso as palavras do Manuel II Paleólogo, imperador do Oriente entre 1391 e 1425 (e antepenúltimo imperador de Constantinopla) numa conversa que este teve com um persa sobre o Cristianismo e o Islão (destaque meu).
Nel settimo colloquio (διάλεξις – controversia) edito dal prof. Khoury, l'imperatore tocca il tema della jihād, della guerra santa. Sicuramente l'imperatore sapeva che nella sura 2, 256 si legge: "Nessuna costrizione nelle cose di fede". È una delle sure del periodo iniziale, dicono gli esperti, in cui Maometto stesso era ancora senza potere e minacciato. Ma, naturalmente, l'imperatore conosceva anche le disposizioni, sviluppate successivamente e fissate nel Corano, circa la guerra santa. Senza soffermarsi sui particolari, come la differenza di trattamento tra coloro che possiedono il "Libro" e gli "increduli", egli, in modo sorprendentemente brusco che ci stupisce, si rivolge al suo interlocutore semplicemente con la domanda centrale sul rapporto tra religione e violenza in genere, dicendo: "Mostrami pure ciò che Maometto ha portato di nuovo, e vi troverai soltanto delle cose cattive e disumane, come la sua direttiva di diffondere per mezzo della spada la fede che egli predicava". L'imperatore, dopo essersi pronunciato in modo così pesante, spiega poi minuziosamente le ragioni per cui la diffusione della fede mediante la violenza è cosa irragionevole. La violenza è in contrasto con la natura di Dio e la natura dell'anima. "Dio non si compiace del sangue - egli dice -, non agire secondo ragione, „σὺν λόγω”, è contrario alla natura di Dio.
Esta frase que destaquei provocou alguma comoção em países islâmicos e também em algumas comunidades islâmicas europeias que reagiram, como de costume (cf. o caso das caricaturas), como púdicas virgens ofendidas. É o que podemos verificar, por exemplo aqui, aqui ou ainda aqui.

Lá vêm as habituais acusações sobre cruzadas (esquecendo-se que estas foram uma resposta, até bastante tardia, à agressão iniciada pelos muçulmanos contra os territórios cristãos), a Inquisição, a suposta aliança entre a Igreja e o Nazismo (no entanto que viveu como convidado de Hitler em Berlim foi o Mufti de Jerusalém) ou ainda as recorrentes exigências de um pedido de desculpas, etc., etc., etc.

É claro que a Inquisição aconteceu e que se matou muito em nome de Deus, mas quem for intelectualmente honesto, sabe que em nenhuma parte do Novo Testamento se faz a apologia de propagação da Fé através da espada e da força. Quem tiver dúvida que leia, por exemplo, Mt 10, 1-42. A expansão do Cristianismo no Império Romano fez-se muito à custa de numerosos mártires, não através da conquista.

Não querendo de modo algum fazer uma análise do que é a Jihad, não é difícil, para quem sabe um pouco de história, que a expansão do Islão se fez pela espada e pela conquista. Maomé e os seus sucessores iniciaram uma série de guerras contra os árabes pagãos, judeus, cristãos ou zoroastrianos, tendo convertido numerosos povos à força.

Enquanto esteve em Meca, numa posição relativamente frágil (tal como diz o Papa), podemos encontrar no Alcorão versículos como aquele que o Papa cita (Alcorão 2.256) que, na tradução portuguesa de que disponho (Europa-América, Parte 1, 2.ª ed.), diz o seguinte (p. 53):
2.256. Não há constrangimento na religião! A rectidão distingue-se da aberração. Quem se afasta do Demónio e crê em Deus, pegou a asa mais forte, sem fenda. Deus tudo ouve, é omnisciente.
Como a situação de Maomé se tornasse insustentável em Meca, fugiu para Medina (16 de Julho de 622, Hégira) onde, e agora passo a citar o "Mourre, Dicionário de História Universal" (Círculo de Leitores, Vol. II, p. 890):
... organizou a comunidade apostólica dos primeiros muçulmanos. Perante a reticência dos judeus de Medina em ouvir a nova palavra, qualificada de falsificação das Escrituras, Maomé substituiu a persuasão pela força, exterminou as comunidades recalcintrantes e ordenou, em 624, que se orientasse a oração já não para Jerusalém mas para Meca, cuja conquista se tornou um objectivo essencial, o da «guerra santa».
É deste período em Medina que saem os versículos que incitam os seus ao combate, havendo centenas de exemplos:
2.216: Prescreve-se-vos o combate, ainda que vos seja odioso. É possível que abomineis qualquer coisa que para vós seja um bem e é possível que prezeis qualquer coisa que para vós seja um mal. Deus sabe, enquanto vós não sabeis.

8.39: Combatei-os até que não exista tentação e seja a religião toda de Deus! Se abandonarem a idolatria, serão perdoados, pois Deus vê o que fazem.

9.5: Terminados que sejam os meses sagrados, matai os idólatras onde os encontrardes. Apanhai-os! Preparai-lhe todas as espécies de emboscadas! Se se arrependem, cumprem a oração e dão esmolas, deixai livre o seu caminho. Deus é indulgente e misercordioso.

9.29: Combatei os que não crêem em Deus nem no Último Dia nem proíbem o que Deus e o Seu Enviado proíbem, os que não praticam a religião da verdade entre aqueles a quem foi dado o Livro! Combatei-os até que paguem o tributo por sua própria mão e sejam humilhados.

9.73: Profeta! Combate os descrentes e os hipócritas! Sê duro para com eles! O seu refúgio será o Inferno. Que péssimo Porvir!

9:123: Ó vós que credes! Combatei, entre os incrédulos, aos que vos rodeiam! Encontrem em vós a dureza! Sabei que Deus está com os piedosos.

33.60: Realmente, se os hipócritas, os que têm em seu coração uma enfermidade e os alarmistas de Medina, não cessam na sua reticência, incitar-te-emos contra eles para que os castigues. Em seguida, não serão teus concidadãos a não ser por pouco tempo.

33.61: Malditos serão onde quer que se encontrem. Serão apanhados e mortos sem piedade,

33.62: segundo o costume de Deus para com aqueles que os precederam. Não acharás modificação no costume de Deus.
Não faltariam outros exemplos para demonstrar que é no próprio Alcorão que os islamitas encontram justificação para os seus ataques terroristas e para o apelo recente que a Al-Qaeda fez para a conversão da América ao Islão.

Tal como os muçulmanos (e não só) estão sempre a atirar à cara dos cristãos as cruzadas (eesquecendo-se do seu contexto), a Inquisição ou a suposta colaboração com o nazismo, por que não aceitam eles ser criticados? Eu sei bem que aquilo que se critica nos exemplos que dei aos cristãos não está nos seus livros (em lado algum Cristo diz para converter as pessoas à força), ao contrário do que se passa com os muçulmanos que foram, indirectamente, criticados pelo Papa, mesmo se, como refere o porta-voz do Vaticano, o Islão não era o principal visado, sendo que o "central point of the Pope's presentation at the university [...] was that the tendency to dismiss religious attitudes and arguments is a serious flaw in Western thought today." É no Alcorão que se encontram todos estes exemplos de submissão pela força ao islão.

É claro que, quem ler toda a homília, e esta questão da Jihad era apenas um ponto de partida da reflexão de Bento XVI, em que ele procura explicar a relação entre a razão e a fé e que, valendo novamente das palavras de Manuel II Paleólogo: "Non agire secondo ragione, non agire con il logos, è contrario alla natura di Dio".

Os muçulmanos não podem, por outro lado, ficar ofendidos por o Papa por ele ter uma visão diferente de Deus e de Maomé. Afinal o Papa é católico, não é muçulmano, pelo que terá, forçasamente, uma outra opinião sobre o que Maomé fez na Terra.

Que reflexos vai ter este episódio nas relações entre a Igreja Católica e o Islão e, já brevemente, na visita que o Papa vai efectuar à Turquia, não sei. Mas, este discurso de Bento XVI é no mínimo encorajador e alimenta a esperança de que a Igreja Católica tome posições mais firmes (mas sem hostilidade gratuita) em relação ao Islão.

Post scriptum. Para quem quiser ler um texto muito interessante sobre a tolerância e Islão pode carregar aqui.


sábado, setembro 09, 2006

O dia em que morreu um ditador...

... mas que deixou a sua ditadura com vida.

Há 30 anos atrás, a 9 de Setembro de 1976, morreu Mao. Obviamente que, nesse dia, eu não fui um dos que chorou a sua morte. Mao foi um terrível ditador responsável por milhões de mortes resultantes da tirania que implantou na China e das suas ideias loucas como o Grande Salto em frente ou da Revolução Cultural. Aliás, como diz este editorial do Le Figaro de hoje de Pierre Rouseelin(destaques meus):
Chez nous, trente ans après, il est difficile de comprendre comment Mao a pu envoûter toute une génération d'intellectuels de gauche. D'avantage que le sursaut nationaliste bien compréhensible des origines, ce fut, à partir des années 1956-1957, avec les Cent Fleurs et la radicalisation qui s'en suivit, la quête d'une «voie chinoise» qui fascina bien des esprits. Et c'est précisément cette dérive qui conduisit la révolution maoïste à ses pires excès. Des débordements que personne ne pouvait ignorer.
De facto, muita gente, supostamente inteligente e de grande cultura, seguiu Mao mais o seu livrinho vermelho, ignorando olimpicamente o estado de pobreza e atraso em que ele manteve a China e os chineses. E essa mesma gente, certamente ofuscada pelo brilho do Presidente Mao, ignorou, não menos olimpicamente, os milhões de mortos que a ditadura comunista chinesa provocou. Se calhar, não tinha que ser assim mesmo, pois esses mortos seriam todos perigosos contra-revolucionários que poriam em perigo os avanços no caminho maoísta para o socialismo.

Destes que, em tempos foram ofuscados pelo maoísmo, há pelo menos alguns que agora se sentem envergonhados por alguma vez na vida, por pouco tempo que tenha sido, terem seguido Mao. Andre Glicksman assim o afirmou: "Mon engagement «maoïste» à la française, si bref fût-il, me fait encore monter le rouge au front." No entanto, a cegueira continua em muitos. Não é por acaso que o Bernardino Soares afirma que não tem a certeza de que a Coreia do Norte não seja uma democracia...

quinta-feira, setembro 07, 2006

Afinal, sempre estiveram lá...

O camarada Jerónimo lá acabou por confessar que elementos da FARC estiveram na Festa do Avante.

Afinal, o PCP só discorda da FARC em pequenos pormenores, isto é, questões de método (fuzila-se ou enforca-se?, rapta-se ou mata-se já, etc.), o resto, o ideário (que é acorrentar o povo a uma ditadura do proletariado) até é bom.

Para quem tivesse ilusões sobre o PCP ser ou não um partido democrata, penso que a resposta está cabalmente dada. De qualquer modo, eles até têm um conceito diferente de terrorismo (supõe-se que é do génerO: tudo o que Israel ou os EUA fazem é mau, tudo o que os kamaradas fazem é bom - só o método, coisa de somenos - é que poderia ser diferente).

E têm estes gajos a lata de quererem vir dar lições de moral ao pessoal.

sexta-feira, setembro 01, 2006

C'est en septembre

Les oliviers baissent les bras
Les raisins rougissent du nez
Et le sable est devenu froid
Oh blanc soleil
Maitres baigneurs et saisonniers
Retournent à leurs vrais métiers
Et les santons seront sculptés
Avant Noël

C'est en septembre
Quand les voiliers sont dévoilés
Et que la plage, tremblent sous l'ombre
D'un automne débronzé
C'est en septembre
Que l'on peut vivre pour de vrai

En été mon pays à moi
En été c'est n'importe quoi
Les caravanes le camping-gaz
Au grand soleil
La grande foire aux illusions
Les slips trop courts, les shorts trop longs
Les hollandaises et leurs melons
De cavaillon

C'est en septembre
Quand l'été remet ses souliers
Et que la plage est comme un ventre
Que personne n'a touché
C'est en septembre
Que mon pays peut respirer

Pays de mes jeunes années
Là où mon père est enterré
Mon école était chauffée
Au grand soleil
Au mois de mai, moi je m'en vais
Et je te laisse aux étrangers
Pour aller faire l'étranger moi-même
Sous d'autres ciels

Mais en septembre
Quand je reviens où je suis né
Et que ma plage me reconnaît
Ouvre des bras de fiancée
C'est en septembre
Que je me fais la bonne année

C'est en septembre
Que je m'endors sous l'olivier

Gilbert Bécaud