quarta-feira, março 29, 2006

Cristãos perseguidos... na Bélgica

Segundo o The Brussels Journal, um padre tradicionalista belga, mas nascido na Turquia, está a ser levado a tribunal pela justiça belga por islamofobia, através da queixa de um organismo de feição totalitária chamado Centre pour l'égalité des chances et la lutte contre le racismo, por ter afirmado:
Every thoroughly islamized Muslim child that is born in Europe is a time bomb for Western children in the future. The latter will be persecuted when they have become a minority.
O engrançado é que este mesmo centro, especialista, pelo que se vê, em perseguir todos os que põe em causa o mantra multiculturalista, recusou processar o discurso racista de muçulmanos, como foi o caso dos cartoons anti-semitas publicados na Bélgica.

Dois pesos, duas medidas como de costume. E a tentativa de controlar o pensamento das pessoas através das palavras que se podem ou não dizer continua nesta abençoada União Europeia que cada vez mais parece candidata a herdeira da defunta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.

terça-feira, março 28, 2006

Coisas que fascinam

Se há obra de literatura que me fascina, essa é a Ilíada. Mas todo o mundo homérico me fascina imenso. Por isso, sigo com interesse notícias como esta: Palace of Homer's hero rises out of the myths.

Segundo a notícia, junto à ilha de Salamina, foi descoberto o palácio de Ajax, rei de Salamina, personagem para mim fascinante, que na Ilíada representa o guerreiro fortíssimo, mas totalmente conforme ao código heróico, não registando qualquer evolução.

O código heróico da "Ilíada" não tem um valor ético-moral, mas antes um conjunto de regras que condicionam o comportamento dos heróis. É amoral. A "Ilíada" é uma história onde o soldado comum não conta, apenas os heróis é que contam. O princípio mais importante deste código é a aretê (a excelência, o valor - mas sem conotação moral) que deriva de aristos, que é a característica dos aristoi ("os melhores").

A meta da acção humana é a aretê, por isso todos os heróis a devem buscar e, como de costume, há duas maneiras de lá chegar: através de feitos guerreiros ou através da eloquência e da sabedoria (que é o caso de Nestor, rei de Pilos).

O herói que alcance a aretê obtém o respeito e a honra pela parte dos outros heróis, isto é, a timê (honra).

Por isso, os heróis da "Ilíada" vivem preocupados com a opinião que os outros possam ter deles. É uma cultura de vergonha, pois não é a sua consciência individual que rege o seu comportamento. Assim deve evitar a vergonha, o desrespeito. O pior que lhes pode acontecer é ser aischrós (vil, indigno).

Ora, Ajax representa, ao contrário, por exemplo, de Ulisses (que é um guerreiro, mas também homem de palavras sábias), este guerreiro primitivo, espécie de força bruta, totalmente conformado ao código heróico. Por isso, quando a herança das armas de Aquiles é atribuída a Ulisses, Ajax considera isso como uma desonra e suicida-se. É esse o tema da tragédia de Sófocles "Ajax". Aliás, na "Odisseia", quando Ulisses desce aos infernos pela primeira vez, Ajax ainda está ressentido com ele e mesmo no Hades não esquece a ofensa feita à timê.

O destino de Ájax é verdadeiramente trágico, integrado num mundo que estava a formar uma nova cultura e de que a "Ilíada" é um dos primeiros mensageiros.

segunda-feira, março 27, 2006

Sugestão de leitura

A propósito do caso de Abuld Rahman, o cristão afegão que deveria ser julgado por apostasia em Cabul, aconselho a leitura deste artigo Under the Scimitar of Damocles. Penso que ajudará a compreender a origem do caso.

sexta-feira, março 24, 2006

Repor a verdade

quinta-feira, março 23, 2006

Azias...

Pelas declarações do treinador e dirigentes, vê-se que vai um grande melão lá para os lados de Alvalade.

O Sporting vinha de uma série vitoriosa, mas não estava a jogar nada de especial. No entanto, já pensavam que eram os melhores do mundo e arredores. À primeira contrariedade, pumba!, desatam a dizer mal de todos.

Vou verificar com interesse se, nas próximas jornadas, o Sporting for beneficiado, o treinador e dirigentes do Sporting vão reclamar contra as arbitragens habilidosas.

quinta-feira, março 16, 2006

Prisões ao estilo palestiniano

Ao que parece, alguns dos palestinianos presos pelas tropas israelitas em Jericó viviam como nababos. Pelo menos é o que diz o Times Online:
Palestinian terrorist suspects are said to have served their time in style before the bulldozers arrived

BRITAIN made a robust defence yesterday of its decision to pull out of Jericho prison before an Israeli raid, citing fears that its monitors would be kidnapped, and painting a portrait of a jail controlled by inmates living in luxury.

Palestinian guards confirmed yesterday that Ahmed Saadat, a leading militant captured by Israeli troops in the raid, kept birds and flowers in his quarters. Western officials said that Saadat in effect used other prisoners as “domestic staff”.

An official told The Times that Fuad Shobaki, the alleged moneyman behind a 2002 weapons shipment intercepted by Israel, smoked up to five Cuban cigars a day and was known as “The Brigadier” to inmates and staff. He was also seized.

“Saadat and Shobaki were very much in charge,” one prison source said. “These guys were running the prison. They did what they wanted, when they wanted.”

Prison perks

- Monitors complained that Saadat, Shobaki and the four other “special” prisoners were given the run of the compound by Palestinian guards

- They were not “locked down” at night

- They were never separated from the 300 other prisoners

- They had mobile phones and computers; Shobaki ordered the monitors’ phone jammers to be turned off

- They had up to 90 visitors a week and used other prisoners “as domestic staff”

- Saadat kept birds and had a big book collection

- Inmates and guards referred to Shobaki as “brigadier”. He smoked up to five Cuban cigars a day
O que lá estavam a fazer os monitores americanos e britânicos?

Questões de agenda

Se alguém neste mundo engole as afirmações iranianas do que o seu programa nuclear é apenas pacífico e se põe a dizer que se Israel tem armas nucleares, então, porque não o Irão, (como se houvesse equivalência), deveria ler este artigo:
Former Spanish prime minister Jose Maria Aznar said Tuesday that Iran's Ayatollah Ali Khamenei told him five years ago that "setting Israel on fire" was the first order of business on the Iranian agenda.

(...)

Aznar's aides refused to give Haaretz the exact quote, but mentioned an article Aznar has written in the past on his meeting with Khamenei.

"He received me politely," Aznar wrote, "and at the beginning of the meeting he explained to me why Iran must declare war on Israel and the United States until they are completely destroyed. I made only one request of him: that he tell me the time of the planned attack."
Sem dúvida esclarecedor.

sábado, março 04, 2006

A informação a que temos direito...

Já se sabe que em Portugal temos uma comunicação social muito pouca isenta, sempre pronta a promover certas causas e a atacar ferozmente as pessoas ou ideias de quem não gosta.

Por isso, não foi surpresa, o facto de terem afirmado, até à exaustão, que "Bush mentiu" e que ele sabia que "os diques iriam quebrar" com a chegada do Katrina. Agora quero ver se a mesma comunicação social difundirá este comunicado da Associated Press (que esteve na origem do vídeo):
Clarification: Katrina-Video story

ASSOCIATED PRESS

WASHINGTON (AP) _ In a March 1 story, The Associated Press reported that federal disaster officials warned President Bush and his homeland security chief before Hurricane Katrina struck that the storm could breach levees in New Orleans, citing confidential video footage of an Aug. 28 briefing among U.S. officials.

The Army Corps of Engineers considers a breach a hole developing in a levee rather than an overrun. The story should have made clear that Bush was warned about floodwaters overrunning the levees, rather than the levees breaking.

The day before the storm hit, Bush was told there were grave concerns that the levees could be overrun. It wasn't until the next morning, as the storm was hitting, that Michael Brown, then head of the Federal Emergency Management Agency, said Bush had inquired about reports of breaches. Bush did not participate in that briefing.
Afinal a história não estava bem contada. Aliás, o excelente blog americano Power Line começou logo, a 1 de Março, a desmontar a história.

Foi aliás por uma entrada no mesmo blog americano que cheguei ao comunicado da AP. É extraordinário que um blog tenha chegado à conclusão logo a 1 de Março, de que se falava não de quebra de diques, mas de o nível de água passar por cima dos diques.

E ainda dizem que os jornalistas são profissionais da informação e que, ao contrário dos blogues, têm controlo editorial, verificam fontes, etc... Vê-se, ao primeiro sinal, saltam logo para o comboio de dizer mal do Bush.

sexta-feira, março 03, 2006

Notas soltas de um debate

Ontem, ouvi grande parte do debate relativo à interpelação que o CDS-PP fez à política externa portuguesa e ouvi algumas coisas absolutamente inacetáveis.

Uma delas foi a referência do Morgenavisen Jyllands-Posten como um jornal de extrema-direita. Isto é uma táctica habitual da esquerda, a colocaçao de uma etiqueta considerada infamante para automaticamente se desqualificar a opinião do adversário sem sequer ser necessário discutir os seus méritos.

Só que este jornal está longe de ser um jornal de extrema-direita ou até, ao contrário do que até foi dito na TV, de ser um pequeno jornal. Visitanto a página FAQ do mesmo jornal, ficamos a saber que ele tem uma tiragem diária de 150.252 exemplares à semana e de 205.303 ao domingo.

Sobre o seu posicionamento político, afirma-se como liberal e independente, que socialmente sempre tomou partido pelo o indivíduo contra a concentração de poder. Se isto é ser de extrema-direita...

Outros disparates foram ditos por Freitas do Amaral, como já muito bem mencionaram, por exemplo, Gabriel, VPV e LA.

Mas, parece-me particularmente grave a compreensão manifestada por Freitas pela reacção violenta dos muçulmanos ao caso das caricaturas. É que não pode haver compreensão alguma por uma reacção que demonstra intolerância e que foi convenientemente manipulado por líderes islâmicos e governos totalitários e autoritários, para além de visar amedrontar e calar qualquer crítica ao Islão (e parece que conseguiram em alguns casos, é só ver as lamentáveis acções de Solana, da presidente e do primeiro-ministro da Finlândia, do governo da Noruega, do secretário-geral da ONU, etc.)

Não se pode manifestar qualquer compreensão por quem nos quer calar e impedir de emitir as nossas opiniões, por muito ofendidos que possam estar.

Também se disse que o mundo estava mais inseguro desde a Guerra no Iraque ou não. É preciso lembrar que os ataques na costa oriental de África às embaixadas americanas aconteceram na era Clinton, que os atentados de Nova Iorque e Bali aconteceram antes de 2003, por exemplo. Que se a situação na Palestina está mal, a culpa não é propriamente dos americanos. Em que números, em que estudos se baseiam para dizer isto? Já estudaram as últimas décadas? Há alguma seriedade nessa opinião? Duvido... Por exemplo, alguém se lembra do número de atentados da extrema-esquerda na Europa dos anos 70 e da quantidade de mortos que fez?

A apresentação de uma política de apaziguamento como uma política de paz foi outra das estratégias utilizadas pelo ministro e pela esquerda em geral, tentando fazer parecer os que defendem outra política como monstros vorazes que gostam da guerra. Que o apaziguamento nunca levou à paz, mas apenas à guerra e por vezes à destruição, está a história plena de casos. Já diziam os romanos "Si uis pacem, para bellum". No entanto, a guerra deve ser sempre a "ultima ratio" para resolver uma questão. Mas, neste caso das caricaturas, nem sequer era preciso estar preparado para a guerra. Bastava a União Europeia ter sido firme na defesa da liberdade de expressão e do seu país-membro, Dinamarca, abstendo-se de fazer considerações sobre o suposto bom ou mau gosto das caricaturas. A mensagem enviada teria sido bem mais eficaz e profícua para as futuras relações internacionais.

No fim de contas, apenas se provou que a posição de Freitas foi apenas lamentável com aspectos verdadeiramente ridículos (o tal torneio de futebol - será que as equipas europeias teriam que ser obrigadas a perder, para não ofenderem os muçulmanos?).

quarta-feira, março 01, 2006

Vergílio Ferreira

Nos décimo aniversário da morte de Vergílio Ferreira, não quis deixar de evocar a sua memória e do seu melhor romance (pelo menos, na minha opinião): Para Sempre.

Parabéns

Já me ia quase esquecendo, mas não queria deixar de dar os meus parabéns ao Blasfémias, minha leitura diária, pelos seus 2 anos de vida. Espero que muitos mais se sigam...

Manifesto contra o novo totalitarismo

No Jyllands-Posten, o manifesto que Salman Rushdie e outros 11 intelectuais europeus escreveram sobre a ameaça de um novo totalitarismo: o Islamismo.
MANIFESTO: Together facing the new totalitarism


After having overcome fascism, Nazism, and Stalinism, the world now faces a new totalitarian global threat: Islamism.

We, writers, journalists, intellectuals, call for resistance to religious totalitarianism and for the promotion of freedom, equal opportunity and secular values for all.

The recent events, which occurred after the publication of drawings of Muhammed in European newspapers, have revealed the necessity of the struggle for these universal values. This struggle will not be won by arms, but in the ideological field. It is not a clash of civilisations nor an antagonism of West and East that we are witnessing, but a global struggle that confronts democrats and theocrats.

Like all totalitarianisms, Islamism is nurtured by fears and frustrations. The hate preachers bet on these feelings in order to form battalions destined to impose a liberticidal and unegalitarian world. But we clearly and firmly state: nothing, not even despair, justifies the choice of obscurantism, totalitarianism and hatred. Islamism is a reactionary ideology which kills equality, freedom and secularism wherever it is present. Its success can only lead to a world of domination: man's domination of woman, the Islamists' domination of all the others. To counter this, we must assure universal rights to oppressed or discriminated people.

We reject « cultural relativism », which consists in accepting that men and women of Muslim culture should be deprived of the right to equality, freedom and secular values in the name of respect for cultures and traditions. We refuse to renounce our critical spirit out of fear of being accused of "Islamophobia", an unfortunate concept which confuses criticism of Islam as a religion with stigmatisation of its believers.

We plead for the universality of freedom of expression, so that a critical spirit may be exercised on all continents, against all abuses and all dogmas.

We appeal to democrats and free spirits of all countries that our century should be one of Enlightenment, not of obscurantism.

12 signatures

Ayaan Hirsi Ali
Chahla Chafiq
Caroline Fourest
Bernard-Henri Lévy
Irshad Manji
Mehdi Mozaffari
Maryam Namazie
Taslima Nasreen
Salman Rushdie
Antoine Sfeir
Philippe Val
Ibn Warraq