segunda-feira, janeiro 31, 2005

Desejo (act.)

Gostava amanhã de abrir o jornal e ler "Fernandez já não mora aqui".

Post scriptum (às 21h05). Parece que os deuses do Olimpo me concederam este primeiro desejo. Já agora aditanto o meu segundo e terceiros desejos: vencer o Campeonato e a Liga dos Campeões. Serei demasiado ambicioso?

Decadência moral ou regressão?

Que dizer desta notícia?

Não sou daqueles que anda para aí a clamar pela decadência da moral actual quando comparada com a de antanho. Afinal a queixa sobre a decadência dos valores vem já da Antiguidade; parece que há sempre uma saudade por um passado de ouro (verdadeiro ou mitificado...). Por isso não alinho nesse tipo de choradeiras.

Mas, todavia, notícias como esta levam-nos a pensar que algo vai mal no "Reino da Dinamarca", mesmo quando esta "Dinamarca" se chama Alemanha e uma Alemanha governada por sociais-democratas e verdes.

Em nome de um politicamente correcto estúpido, que quer considerar como igual aquilo que efectivamente é diferente, não estarão os direitos e a dignidade das mulheres (no caso específico desta notícia) postos em causa?

Já não é a primeira vez que estas idiotices "pc" põem em causa os direitos individuais, consagrando uma efectiva regressão na história da Humanidade.

Espera sentado!

Freitas do Amaral diz não rejeitar uma hipotética candidatura a Belém.

Em 1986, levou por duas vezes o meu voto. Agora, bem pode esperar sentado que o meu voto não terá jamais. Francamente por quem espera ele ser apoiado?

domingo, janeiro 30, 2005

As sementes do ódio

Uma ONG norte-americana, Freedom House, através do seu Center for Religious Freedoom acusa a Arábia Saudita de propagandear o ódio nas mesquitas dos Estados Unidos, segundo o seu relatório Saudi publication on hate ideology fill American Mosques, publicado na passada sexta-feira.

Os sítios Little Green Footballs e Laïc Info fazem um resumo dos pontos principais da acusação aos sauditas.

Sem dúvida que um dos problemas fulcrais do terrorismo islâmico tem origem na Península Arábica. Considerações geo-políticas não têm permitido enfrentar este problema, mas talvez seja altura das democracias ocidentais deixarem-se de paninhos quentes.

Sunday bloody sunday

Yes...

I can't believe the news today
Oh, I can't close my eyes
And make it go away
How long...
How long must we sing this song?
How long? How long...
'cause tonight...we can be as one
Tonight...

Broken bottles under children's feet
Bodies strewn across the dead end street
But I won't heed the battle call
It puts my back up
Puts my back up against the wall

Sunday, Bloody Sunday
Sunday, Bloody Sunday
Sunday, Bloody Sunday

And the battle's just begun
There's many lost, but tell me who has won
The trench is dug within our hearts
And mothers, children, brothers, sisters
Torn apart

Sunday, Bloody Sunday
Sunday, Bloody Sunday

How long...
How long must we sing this song?
How long? How long...
'cause tonight...we can be as one
Tonight...tonight...

Sunday, Bloody Sunday
Sunday, Bloody Sunday

Wipe the tears from your eyes
Wipe your tears away
Oh, wipe your tears away
Oh, wipe your tears away
(Sunday, Bloody Sunday)
Oh, wipe your blood shot eyes
(Sunday, Bloody Sunday)

Sunday, Bloody Sunday (Sunday, Bloody Sunday)
Sunday, Bloody Sunday (Sunday, Bloody Sunday)

And it's true we are immune
When fact is fiction and TV reality
And today the millions cry
We eat and drink while tomorrow they die

(Sunday, Bloody Sunday)

The real battle just begun
To claim the victory Jesus won
On...

Sunday Bloody Sunday
Sunday Bloody Sunday...

U2 (War - 1983)

Eleições no Iraque

Apesar dos esforços dos media - só para dar um exemplo, acordei de manhã com a TSF a dizer que os terroristas (eles chamam-lhe "resistência") estavam a cumprir a ameaça de tornar este dia num banho de sangue - os iraquianos foram a votos (embora haja quem pense que só "alguns" o foram ) em números mais do que aceitáveis.

Como de costume, a cobertura noticiosa pelos meios tradicionais foi suficientemente enviesada, pelo que quem quiser saber algo mais concreto tem que recorrer à Internet. Bem, mas isso é algo que nos últimos tempos se tem tornado imprescindível. Os media tradicionais deixaram de ter o monopólio da verdade.

A maioria dos ataques ocorreram em Bagdad ou em zonas de maioria (ou um grande número) de sunitas (e mesmo assim, não em todo o lado). Na maioria do Iraque as eleições decorreram sem problemas de maior. Será que os jornalista não vêem para além de Bagdad e daquela zona central? Será que 3/4 do país não interessa para nada?

Penso que, apesar de tudo, as eleições correram muito melhor do que se poderia esperar (sobretudo para quem só tiver informação através dos media)?

sábado, janeiro 29, 2005

Dilema?

Vital Moreira mostra-se preocupado com o dilema dos militantes sociais-democratas que não sendo particularmente adeptos de Santana queiram restaurar no partido uma alternativa de poder responsável. Neste caso, que caminho deveria seguir esses militantes.

No entanto, penso que Vital Moreira parte de uma premissa errada: a de que do lado do PS há uma alternativa de poder mais credível do que a de Santana Lopes. Ora como se sabe o PS de Sócrates não é uma alternativa mais credível do que a de Santana. Pode parecê-lo, mas não é. E se o PS for governo, teremos rapidamente a prova.

Acredito que um governo Santana Lopes saído das eleições será, apesar de tudo, melhor do que qualquer governo saído do PS de Sócrates. Por isso, não tenho nenhum dilema. Não gosto de Santana como chefe do meu partido, mas voto sem qualquer peso na consciência.

Obra de arte

A 8 de Janeiro, falei aqui do caso da Figueira da Foz e do lavatório cujos cacos foram para ao lixo atirados por uma funcionária de limpeza.

Hoje o Jornal de Notícias, na sua secção Cultura, volta a falar no assunto. Em caixa, Paulo Cunha e Silva, director do Instituto das Artes, diz o seguinte:

A obra de arte deixou de ter legitimidade por si - é o artista que lhe confere esse estatuto. Além de vir complementar o anedotário da arte contemporânea, a sucessão deste tipo de equívocos acabou por introduzir uma questão muito interessante, a do conflito entre as obras de arte e o próprio Mundo. O senso comum orquestra a perplexidade e a resistência para rejeitar determinadas criações. A ideia de que não passam de lixo - ou que poderiam ter sido concebidas por qualquer um - acaba por dissolver a aura de objecto artístico e restituí-lo para o local onde ele deve estar. A realidade. O lixo. Em última instância, esse cidadão delimita as fronteiras - que, entretanto, se terão diluído - do conceito de museu enquanto caixote do luxo e não caixote do lixo. O problema é que essas obras de arte não foram concebidas por esse anónimo, que não tem estatuto de legitimação. Esse esforço só pode ser exercido pelo artista, designação conferida, nomeadamente, pelo crítico de arte e pela própria sociedade. No final, a questão deixou de ser "o que é uma obra de arte?", mas, antes, "o que é um artista?".

Tal como na literatura, não acredito numa definição essencialística da obra de arte em geral, mas também não acredito no extremo oposto.

Vítor Manuel Aguiar e Silva (in Teoria da Literatura, Almedina, 8.ª ed., p. 33), depois de considerar que:

(...) a obra literária só adquire efectiva existência como obra literária, como objecto estético, quando é lida e interpretada por um leitor, em conformidade com determinados conhecimentos, determinadas convenções e práticas institucionais.

Diz o seguinte na p. 34:

Julgamos, todavia, que o reconhecimento da verdade daquele princípio não implica a minimização e até a destruição da obra literária como estrutura artística relativamente autónoma, passando-se do extremo representado pela "falácia objectivista" denunicada por Earl Miner para o extremo da "falácia cognitivista" advogada pelo mesmo autor (...).

Apesar de nunca me ter debruçado sobre este problema na arte em geral, penso que o afirmado por Aguiar e Silva em relação à literatura também poderá ser válido para as outras artes. Talvez por isso, relativamente a este tipo de arte contemporânea, mais as suas manias da "performance", tenho muito dificuldade de considerar isto como arte. Se calhar estou errado, mas não basta alguém considerar-se como artista para que eu considere que o que ele faz é obra de arte (mesmo sabendo eu dos conceito e conveções, etc. que subjazem a esse tipo de arte).

sexta-feira, janeiro 28, 2005

Carlos Magno

No meu outro blogue, Humanae Litterae, assinalando os 1191 anos da morte de Carlos Magno, um artigo com uma tradução minha de um dos capítulos da Vita Karoli Magni.

Desde já aviso, tipo captatio beneuolentiae, que não sou um latinista, mas apenas alguém que, sendo tradutor profissional, gosta muito, partir do que aprendeu nos dois anos de Latim na Faculdade, fazer experiências de tradução nesta língua.

Sondagens

Toda a gente sabe que elas valem o que valem e que, depois, no dia das eleições, as pessoas indecisas costumam raciocinar de modo diferente quando vão votar. Afinal, por exemplo, embora não me tivesse na altura preocupado muito com o assunto (sabia que nunca votaria no Fernando Gomes), não conheço sondagem que tenha dado vitória ao Rui Rio aqui no Porto nas últimas autárquicas.

De qualquer modo, apesar de não me fiar muito nelas, parace-me altamente errado atacá-las como o fez Santana Lopes. Não sei se não será mesmo contraproducente, pois parece a birra de um menino com mau perder.

Numa metáfora futebolística, o jogo ainda vai a meio e não são os assobios do público e da claque adversária que podem impedir uma equipa de ganhar. Santana têm é que jogar bem e, neste caso, não se esquecer que o seu principal adversário é o PS e ninguém mais. Todos os outros não contam para o Totobola.

quinta-feira, janeiro 27, 2005

Ciência em evolução

Quando nos anos 80 a datação por carbono-14 dava ao Santo Sudário uma antiguidade que não iria além de tempos medieivais (julgo que séc. XIV), vieram logo dizer que a ciência tinha provado que o Sudário era um mito.

Agora, um senhor chamado Raymond Rogers publica uma investigação que diz que o Santo Sudário pode ser mais antigo do que anteriormente pensado e que poderia ter entre 1300 e 3000 anos.

Há gente que anda sempre com a ciência na boca, como se esta tivesse a verdade absoluta (numa crença positivista completamente fora de tempo), e como prova de que a religião não passa de uma falácia. Mas a ciência não é estática nem sequer tão exacta como nos querem fazer crer. A evolução é constante e novos paradigmas vêm desafiar e tentar desalojar os anteriores.

Pela minha parte não sei, sinceramente, se o Santo Sudário tem 600 ou 3000 anos, nem isso tem qualquer importância para a minha fé. Mas, andar sempre a brandir com a ciência na mão a acusar a religião de ser uma mentira não é, certamente, a melhor opção para quem, muito legitimamente, pensa que Deus não existe.

Esperemos novos desenvolvimentos.

Freitas vota PS

Freitas diz que vai votar PS.

Por favor, façam o favor de me dar uma novidade, pois isto já nem é notícia.

Nunca mais!

Auschwitz foi libertada há 60 anos pelas tropas soviéticas.

Perante o horror da descoberta, pensou-se que nunca mais, mas depois disso continuaram os massacres e os genocídios.

Mesmo perante a banalização do mal, e mesmo por causa dela, nunca deveremos esquecer a "solução final" de Hitler. É que há muitos hitlerzinhos por aí à espreita...

quarta-feira, janeiro 26, 2005

Há 30 anos

Para os saudosos dos PREC e da mítica época de 1974/75 e das "amplas liberdades" que nos queriam impor, quisessemos ou não essas "liberdades", o Jornal de Notícias, numa secção sem ligação, lembra uma notícia de 26/01/1975 sobre o Congresso do CDS. Ei-la:

Extremistas boicotaram congresso do CDS

O Congresso do CDS realizado no Porto foi marcado, pouco depois do início dos trabalhos por uma manifestação de violência desencadeada por indivíduos referenciados como militantes da extrema-esquerda. A meio da tarde, começaram a afluir ao Palácio de Cristal, onde decorria a reunião partidária, milhares de populares, que rotulavam o CDS de "partido fascista", clamando que a sua presença na cidade era uma "verdadeira provocação aos democratas". Um dispositivos policial começou por impedir a invasão do recinto pela mole intensa em fúria, que a partir de dado momento passou a arremessar "cocktails Molotov" e montou um cerco por forma a impossibilitar a saída do recinto de quem quer que fosse.

Nos recontros com as forças policiais registaram-se dez feridos, dois dos quais em estado grave, e em face do rumo que estava a ser seguido pelos acontecimentos, as Forças Armadas decidiram intervir, fazendo deslocar para o local forças militares para porem ponto final a tão melindrosa situação.

Viveram-se horas de grande ansiedade e apenas após o nascer do dia seguinte se tornou possível libertar do cerco não só as centenas de congressistas, entre os quais muitos convidados estrangeiros, como os próprios jornalistas destacados para relatar a reunião magna dos centristas.

Isto era esta provavelmente uma amostra da "democracia participativa" tão do gosto do nosso Bloco de Esquerdo, principal herdeira ideológicos destes "populares" enfurecidos.

Os novos "protocolos dos sábios de Sião"?

Na véspera da comemoração dos 60 anos da libertação do campo de extermínio de Auschwitz, leio esta notícia, deveras preocupante: 19 deputados russos exigem a interdição jurídica de todas as organizações judaicas. Razões? Extremamente racionais como se pode ver, ou melhor, ler:

Les avis négatifs exprimés par les patriotes russes sur les qualités juives typiques et sur les actions juives dirigées contre les non-juifs correspondent à la réalité. Ces actions ne sont guère spontanées, mais sont réglementées par le judaïsme et pratiquées depuis deux millénaires. Les discours et les publications des patriotes dirigés contre les Juifs, qui leur sont incriminés, représentent en fait une auto-défense qui contient peut-être des ardeurs stylistiques, mais qui est exacte pour l'essentiel.

Plusieurs actions anti-juives sont organisées en permanence dans le monde entier par des Juifs eux-mêmes dans le but de provoquer des mesures punitives contre des patriotes (…) Les règles et le mode de vie des Juifs permettent de comprendre pourquoi les Juifs ont toujours été confrontés, parmi tous les peuples, au soi-disant « antisémitisme », voire au refus de cette morale judaïque. C'est pour cette raison que les Juifs n'avaient pas tous les droits dans les États chrétiens et n'ont obtenu l'égalité des droits qu'à la suite des révolutions bourgeoises antimonarchiques. De même, dans l'Empire russe, après des tentatives infructueuses de rendre les Juifs « pareils à tout le monde », ils ont été privés d'égalité non pas parce qu'ils étaient des Juifs ethniques (l'Empire a été multinational), non pas parce qu'ils n'étaient pas chrétiens (il y avait des musulmans et des bouddhistes dans l'Empire), mais parce que la religion juive est anti-chrétienne et prône la haine du prochain, allant jusqu'à des meurtres rituels. Plusieurs cas de cet extrémisme rituel ont été prouvés par la justice…

Todos os estereótipos estão aqui presentes, recuperando os mitos que circularam durante séculos e também o tipo de acusação feita nos "Protocolos dos sábios de Sião". Aliás, foi na Rússia imperial que esse livro foi fabricado, pelo que talvez não seja de admirar.

Mas se talvez não nos admiremos com isto, talvez devamos ficar preocupados. O anti-semitismo é algo que parece que vai-e-vem e nenhum país europeu está livre disso.

terça-feira, janeiro 25, 2005

Louçã "persiste et signe"

Louçã não se arrepende de ter dito a Portas que ele não tinha direito a pronunciar-se sobre o aborto porque nunca tinha sido pai.

E mais, com uma argumentação absolutamente extraordinária. Disse Louçã:

Cada um tem o direito à sua opinião, mas o que realmente está em causa é saber se pode haver a diferenciação sectária do campo da vida e da morte, até porque hoje nas listas do PP, estão pessoas que entendem que uma mulher violada tem que ser presa se tiver abortado.

Bem, peço desculpa, mas em bom português pergunto: o que é que tem o cu que ver com as calças? É que não percebi a relevância desta explicação para a frase bem (neo)fascista de Louçã de achar que uma pessoa que não tenha filhos não pode ter opinião sobre o aborto.

É que o que Louçã disse foi que dezenas (ou centenas) de milhares de portugueses, de esquerda ou de direita, homo ou heterossexuais, não podem ter opinião sobre este assunto. E isto é absolutamente absurdo.

Será que os portugueses que não fazem política não podem ter opinião sobre a política portuguesa porque há alguns deles que defendem que Mao foi um verdadeiro humanista?Será que é preciso jogar futebol para se ter opinião sobre a falta que não era falta mas que deuorigem ao golo da vitória ao adversário?

Por outro lado, aqueles que desculpavam o contexto para uma afirmação tão obtusa não têm agora como desculpá-lo. O homem é mesmo assim, isto é, assim para o anti-democrático.

Humanae Litterae

No meu outro blog, publiquei finalmente a segunda parte do meu artigo Humanae Litterae.

Haverá pelo menos uma terceira parte que conto publicar durante esta semana.

segunda-feira, janeiro 24, 2005

Multiculturalismo

Hoje estou a aproveitar o ter um pouco mais de tempo livre para ir lendo o que se foi escrevendo na semana passada em vários blogs. Dentre as várias leituras, quero destacar o artigo Multiculturalismo por Luís Marvão no seu Office Lounging.

Dito de outro modo, o multiculturalismo estabelece o primado da comunidade sobre o indivíduo. Insiste na especificidade, no direito à diferença das comunidades, entidades monolíticas onde não há espaço para a esfera individual. Nessa deriva identitária, o indivíduo fica encerrado na sua identidade de origem.

Este determinismo é fonte de atropelos à dignidade da pessoa humana : se uma rapariga é obrigada a casar contra a sua vontade, tal é visto como uma prática ancorada nos costumes ancestrais da comunidade, não havendo por isso lugar a intervenção do Estado na defesa da dignidade individual. E a pobre rapariga, não constituída em sujeito autónomo, somente parte de um todo, lá tem de se sujeitar à sua sorte; e não há associação de defesa dos direitos humanos que se interesse pela sua causa.

Concordando com o diagnóstico, não posso deixar de concordar também com a prescrição:

As sociedades ocidentais necessitam de remover este corpo ideológico, enfatizar mais as semelhanças do que as diferenças entre os vários agrupamentos humanos; enfatizar a dignidade do indivíduo, independentemente das pertenças culturais, étnicas ou religiosas; enfatizar a Cidadania e os Direitos Humanos.

O multiculturalismo (ou a diversidade ou whatever) não é o respeito pelas culturas diferentes da nossa. É antes a perpetuação da opressão de uma sociedade, de uma religião, de uma moralidade sobre o indivíduo, impedindo aquilo por o qual muita gente se bateu no Ocidente: o (verdadeiro) direito à diferença.

Notas soltas (act.)

Na última semana não tive muito tempo para o blog, pelo que alguns assuntos não foram comentados em devido tempo.

- No muito já comentado debate Portas-Louçã na SIC-N, Louçã disse que só quem alguma vez gerou uma vida poderia ter opinião sobre o aborto. Alguns blogs, levaram isto para uma suposta homofobia. Penso que não é o caso. Desde já a frase de Louçã é inaceitável, porque levada ao extremo significaria que só poderíamos ter opinião sobre aquilo em que tivessemos experiência. Por outro lado, não há contextualização que salve a inaceitabilidade de tal opinião. Penso, apenas, que esta afirmação demonstrou, se tal era necessário pois os mais atentos já disso se deram conta há muito tempo, que a modernidade do Bloco de Esquerda é apenas uma fachada, um verniz que estala à mínima contariedade. E como os tiques de moralismo que afectam o Bloco - moralismo apoiado numa suposta superioridade moral sobre todos os outros partidos - rapidamente resvalam para o totalitarismo.

- Marcelo discursou ao lado de Filipe Menezes em Celorico de Bastos. Foi no mínimo aborrecido para aqueles que gostam de ver guerrilhas internas no PSD. Não é que Santana e Marcelo tenham feito as pazes. Para mim se dá o caso que Marcelo, tal como eu que não sou um santanista, penso que, apesar de tudo, será sempre melhor para o país o PSD ganhar as eleições com Santana do que Sócrates com o PS.

- O programa de governo do PS foi apresentado no passado fim-de-semana durante o Fórum Novas Fronteiras. Como já era de esperar, nada de novo... Vitorino tentou explicar aos assistentes que o pior inimigo do PS era a abstenção. Bem, para mim, depois de ter visto a pré-campanha do PS, penso que o maior adversário do PS nestas eleições é mesmo o próprio PS. A quantidade de asneiras tem sido assinalável. Começo a convencer-me que não é líquido uma vitória do PS.

- De notar que passam hoje 40 anos sobre a morte de um dos grandes estadistas do séc. XX, Winston Churchill. Chruchill foi sem dúvida um homem controverso durante toda a sua vida, mas foi um dos primeiros na Grã-Bretanha a ver o perigo de Alemanha nazi. Nas conferências de guerra, Estaline temia-o mais do que a Roosevelt (é natural, Roosevelt era mais socialista do que Churchill, que nunca gostara dos bolcheviques). Foi também Churchill que marcou o início da Guerra Fria, com o seu célebre discurso no Westminster College, em Fulton, Missouri, a 5 de Março de 1946, quando disse:

From Stettin in the Baltic to Trieste in the Adriatic an iron curtain has descended across the Continent. Behind that line lie all the capitals of the ancient states of Central and Eastern Europe. Warsaw, Berlin, Prague, Vienna, Budapest, Belgrade, Bucharest and Sofia; all these famous cities and the populations around them lie in what I must call the Soviet sphere, and all are subject, in one form or another, not only to Soviet influence but to a very high and in some cases increasing measure of control from Moscow.

Apesar de referir países que acabaram por não ficar na órbita de Moscovo, como por exemplo na Áustria, a metáfora "cortina de ferro" foi imediatamente adoptada e marcou o início da "guerra fria".

- Já me ia esquecendo de que hoje também faz um ano que morreu Miklos Féher. Eu simpatizava com Féher mesmo quando ele era tão pouco utilizado no Porto. Féher foi vítima de uma guerra que não era a dele e, mesmo descontando o facto de não ser um goleador como Jardel, fez falta ao Porto, por exemplo, na época em que o Sporting ganhou o campeonato com Inácio. Féher quase não foi utilizado, depois foi para o Braga, etc., etc., etc... Por fim rumou a Lisboa. Não gostei como o Porto tratou Féher, como também não gostei do modo como o Porto tratou com Drulovic. Por vezes o meu clube trata muito mal os seus futebolistas. Não sei como ficou o caso da indemnização que o Porto pediu ao Benfica por causa da transferência de Féher, mas só lhe ficava bem ter acabado com o assunto.

sexta-feira, janeiro 21, 2005

Será verdade?

Hamas reconece por primera vez las fronteras de 1967.

Neste caso sou como S. Tomé: ver para crer.

Reposição da verdade

No Diário de Notícias de hoje, é reposta a verdade (destaques meus):

Seria outra a classificação se os árbitros não tivessem falhado? Em alguns casos, talvez houvesse lugar a rectificações, mas no geral não há equipa que se possa sentir "largamente prejudicada", como Dias da Cunha, primeiro, e Luís Filipe Vieira, depois, tentaram fazer crer. Aliás, falando em "grandes", e numa análise aos lances mais polémicos (penalties por marcar e golos mal anulados), o FC Porto terá mais razões de queixa. E beneficiados? Olhando para as incidências, salta à vista o Boavista, que amealhou uns pontos graças a arbitragem de má qualidade.

Os árbitros erraram, prejudicaram e beneficiaram os chamados três grandes, mas o Benfica e o Sporting berraram como bebés chorões "aqui d'El-Rei" que "agarra que é ladrão" sem terem mais razões de que outros para isso.

Enfim, saudades dos tempos da Outra Senhora, sem dúvida, que sempre que o Porto estava a ameaçar demais a liderança, lá saída um árbitro do armazém de Setúbal para repor a ordem institucional.

Não admira, por isso, que haja gente por aí a reclamar a intervenção do Estado. E ainda por cima às 8 da noite, numa imitação dos piores tiques dos dos políticos.

Post scriptum. Eu sei que há leitores meus que não gostam muito dos meus artigos sobre futebol. Mas, que querem, o futebol também faz parte da vida. Só que, certamente, não é a coisa mais importante. Aliás, o único jogo que fui ver esta época foi o Boavista-Nacional.

Também não há qualquer recalcamento em relação a Lisboa ou algum síndroma de provincianismo - aliás, os que, quando de fala de Porto, Benfica e Sporting, acusam os portistas de provincianismo deveriam definir em que consiste esse provincianismo. Por mim, a melhor definição de provincianismo ainda é a de Fernando Pessoa e essa aplica-se a muita gente independentemente do sítio onde vive.

quarta-feira, janeiro 19, 2005

Trabalho...

...mesmo muito, manteve-me, hoje, afastado dos blogues e mesmo das notícias. Espero, amanhã, já poder escrever um bocadinho mais sobre, bem..., sobre o que quiser como é normal num blogue.

Não quero deixar de notar que parece que a justiça chegou às Câmaras Municipais. Ontem o ex-presidente da CMP Nuno Cardoso, hoje a presidente da Câmara Municipal de Leiria, Isabel Damasceno. Está bonito, está...

Noutro registo, Eugénio de Andrade faz hoje 82 anos. Ao contrário de Torga, nunca gostei muito da poesia de Eugénio de Andrade. E, logo eu, que nos últimos anos me tenho dedicado mais a ler poesia (mais antiga do que contemporânea) do que prosa. Não digo que Andrade não tenha alguns poemas de que gosto, digo apenas que, no geral, não aprecio muito. Um dia, com mais, tempo, direi porquê (razões literárias, sobretudo, mas não só).

terça-feira, janeiro 18, 2005

Islamofobia de novo

A palavra "islamofobia" serve para tudo, mas sobretudo para tentar calar aqueles que criticam o Islão, não para denunciar qualquer tipo de perseguição em relação aos muçulmanos (que eu não nego que possa existir em certos casos).

Antes do 11 de Setembro esta palavra aparecia raramente. Depois do ataque terrorista, serve para intimidar todos aqueles que criticam o Islão colando-lhe um rótulo que eles querem tão odioso como o de "nazi", "fascista" ou "racista" e desta forma limitando ou abafando o debate que se possa fazer à volta da religião muçulmana.

Por isso, casos como o de David Bell, responsável pela entidade que superintende as escolas no Reino Unido, acusado de islamofobia por ter dito que:

"traditional Islamic education does not entirely fit pupils for their lives as Muslims in modern Britain". He also warned that diversity should not be interpreted as separation or segregation.

Foi quanto bastou para ser acusado de islamofobia por várias associações muçulmanas britânicas, isto é, apresentar esta opinião como baseada em preconceitos e por isso desprezível, em vez de discutir o mérito da apreciação. Pelo que conheço da Grã-Bretanha, não acredito que alguém com tão altas funções fosse capaz de afirmar isto de um modo gratuito.

Outras notícias como esta, em que o Mrap se viu obrigado a esclarecer declarações do seu responsável, dão-nos bem conta como a palavra "islamofobia" tem sido utilizada.

A "novilíngua" está aí e o sufixo "fobia" muito tem contribuído para tal.

segunda-feira, janeiro 17, 2005

In memoriam

Já no ano passado evoquei a passagem de mais um aniversário da morte de Torga. Este ano, no 10º aniversário da sua morte, volto a evocá-lo, pois, para mim, trata-se, depois de Pessoa e juntamente com Vergílio Ferreira, o escritor português contemporâneo que mais admiro.

De toda a sua obra, gosto particularmente da sua poesia, pois, talvez por inclinação (como dizia Virgílio trahit sua quemque uoluptas), talvez por ter lido muita prosa quando mais novo, nos últimos anos tenho lido muito mais poesia.

Aproveitando esta ocasião, homenageio, por Torga interposto, Cervantes, pois ontem passaram 400 anos da 1.ª edição do seu monumental D. Quixote.

Cervantes

O génio é humilde como a natureza.
É também numa lenta e obscura
Tenacidade
Que realiza
Os milagres que faz...
Num apagado esforço pertinaz,
A partir dum lampejo de ironia,
Transforma dia a dia,
Hora a hora,
O louco temporal que em mim vivia
No louco intemporal que vive agora.

Miguel Torga, Os Heróis

domingo, janeiro 16, 2005

António de Nebrija (1441-1522)

Há 513 anos, neste dia, António de Nebrija apresentou à rainha Isabel a Católica, a sua Gramática de la lengua castellana, a primeira gramática de uma língua moderna. São célebres as palavras com que Nebrija começa a apresentação da sua obra (destaque meu):

Cuando bien comigo pienso mui esclarecida Reina: i pongo delante los ojos el antigüedad de todas las cosas: que para nuestra recordación e memoria quedaron escriptas: una cosa hallo e saco por conclusión mui cierta: que siempre la lengua fue compañera del imperio: e de tal manera lo siguió: que junta mente començaron. crecieron. e florecieron. e después junta fue la caída de entrambos.

A imagem da língua como companheira do império haveria de ter um enorme sucesso, em diversas épocas e com diversos poderes. Também em Portugal a influência da gramática de Nebrija haveria de ser notada.

As línguas modernas começavam a querer ganhar a sua independência, e o seu prestígio, em relação às línguas clássicas.

sexta-feira, janeiro 14, 2005

Troca-tintas

Dizer hoje uma coisa e amanhã o seu contrário sempre foi uma especialidade do nosso querido PS. José Sócrates só nos quis, para quem o duvidasse, provar que esta impressão era absolutamente verdadeira e por isso afirmou que se o PS fosse governo não iria repor os benefícios fiscais retirados pelo Orçamento aprovado para 2005.

É claro que eu nunca tive dúvidas disso. Em conversa com várias pessoas, afirmei que isto iria acontecer se eles fossem governo. E é fácil perceber porquê. Não ficaram com o ónus pela tomada das medidas e, agora que elas já estão tomadas, dão uma desculpa esfarrapada e, hop!, para a frente é que é o caminho.

Mas, a gente lembra-se que há um mês atrás isto era um ataque intolerável à classe média. Como é que de "intolerável" passou a "tolerável" por via de uma recém-descoberta "estabilidade fiscal" ?

Só posso dizer, se o PS for governo, "be afraid... be very afraid".

quinta-feira, janeiro 13, 2005

Portunhol na rádio?

Num artigo anterior, a propósito do Plano Ibarretxe, escrevi:

É certo que há muitas portugueses que, apesar de irem muitas vezes a Espanha, têm um total desconhecimento do país, pensando que se trata de um estado-nação como é o caso de Portugal. Até já assisti a casos, na Galiza, de portugueses que, passando a fronteira do Minho, desatam a falar "portunhol" para uma população que fala maioritariamente galego e que, por isso, nos compreendem com grande facilidade.

O que não sabia é que os nossos jornalistas fazem o mesmo. No caso do pesqueiro espanhol com parte da tripulação portuguesa que estava em dificuldades na costa da Escócia, a TSF entrevistou a empresa armadora. E naturalmente a jornalista utilizou o castelhano (ou aquilo que ela pensa ser castlehano). O armador é galego. A mulher do armador que foi quem falou à rádio respondeu, naturalmente, em galego. Não mais valia as perguntas terem sido feitas em português?

É que apesar da castelhanização forçada do galego por muitos séculos de domínio linguístico de Castela (e com o Sr. Fraga a não ajudar nada, ao contrário do que se passa na Catalunha ou no País Basco, o que também não admira pois ele é um ferrenho espanholista), o galego continua ser mais próximo do português que do castelhano (andem pelo campo na Galiza e façam a experiência).

A rádio também desconhece a Espanha.

Post-scriptum. Espanholistas e galegos que não querem que o galego se aproxime mais do português não há só no Partido Popular da Galiza. Os socialistas da Galiza também têm desses casos. É ver o caso da Corunha e das guerras acerca da toponímia.

Só mau gosto?

O príncipe Harry, terceiro na sucessão da Coroa britânica, foi apanhado numa festa de um amigo com uma roupa a fazer lembrar a farda do deserto do Afrika Korps e com uma braçadeira com uma suástica.

Um porta-voz da Casa Real leu uma declaração onde se dizia que "Prince Harry has apologised for any offence or embarrassment he has caused. He realises it was a poor choice of costume."

É óbvio que ofendeu muita gente e não apenas os judeus britânicos. Ofendeu todos aqueles britânicos que sofreram os horrores da 2.ª Guerra Mundial e que combatarem contra os nazis. É preciso lembrar que a Grã-Bretanha foi a primeira barreira e, durante quase um ano, a única, à expansão da Alemanha nazi. Apenas em 1941, com a invasão da Rússia pelos alemães a pressão abrandou a Ocidente.

É um erro quase indesculpável por alguém que está na posição do príncipe Harry.

quarta-feira, janeiro 12, 2005

Direitos humanos

Nesta sua visita à China, o nosso presidente Sampaio evitou falar de direitos humanos, obviamente com receio de incomodar os seus anfitriões chineses. Até aí, Sampaio não inventou nada, fez o mesmo que Chirac e companhia:

A China é muito grande e ninguém quer ter chatices com ela. Isto de exigir o respeito pelos direitos humanos é só para com países pequenos e/ou ocidentais. Os outros que se lixem, aguentem-se como podem.

Não sei se, quem assim procede ainda tem legitimidade para falar de Guantanamo (que é, independentemente de tudo, um escândalo e indigno de uma democracia).

Por outro lado, não ouvi o coro de protestos daquelas organizações defensoras dos direitos humanos. Será que se fosse Santana Lopes a proferir estas declarações, não se teriam ouvido já as virgens ofendidas?

Que ninguém se esqueça que a China continua a ser uma ditadura comunista, responsável por milhões de mortos no passado (por exemplo, com o Grande Salto em Frente ou a Revolução Cultural), que muitos dos seus actuais dirigentes devem ter andado de livrinho vermelho na mão a perseguir os transviados e que o seu povo continua a sofrer as grilhetas da opressão, não esquecendo a ocupação de um país estrangeiro, o Tibete, há meio século conquistado pela China.

Enfim..., coisas da política.

Trapalhadas

Não, não vou falar de Santana Lopes que também já tem a sua conta delas (ver o que se passa agora com a viagem de Morais Sarmento que não merecia tudo este barulho à volta dela, mas por completa inabilidade faz a capa dos jornais, rádio de televisão).

Vou antes falar de José Sócrates que ainda não é governo e já mete os pés pelas mãos. de facto, com o problema do aborto, da promessa de 150 000 empregos, do crescimento de 3%, com o dizer que vai acabar com as receitas extraordinárias, com a confusão sobre a gestão dos hospitais, enfim, trapalhada a mais para quem quer ser governo.

Por isso, não quero deixar de destacar o Editorial de José Manuel Fernandes no Público de hoje. Pergunta JMF:

Sócrates tem evitado explicar qual é o seu rumo, e quando o faz baralha-se. Quererá um cheque em branco dos eleitores?

De facto, acredito que um governo PS chefiado por Sócrates será bem pior do que o de Santana, pois para além das trapalhadas será incapaz de fazer as reformas de que o país precisa, indo atrás de uma agenda mediática e "fracturante" para ir distraindo a tropas.

Por estas e por outras (naturalmente de cariz ideológico) é que não tenho dúvidas nem remorsos em votar em Santana (apesar de todas as reservas que possa ter em relação a ele). É que a alternativa é dez vezes pior.

Post scriptum. A propósito de Morais Sarmento, aconselho a leitura desta entrada no Picuinhices. Não posso estar mais de acordo.

Auschwitz

Em 27 de Janeiro de 2005, completar-se-ão 60 anos sobre a libertação do campo de concentração de Auschwitz.

Hoje, Alfred Gosser tem uma coluna intitulada "Auschwitz, il y a 60 ans" no Oeust-France em que relembra a tragédia do Holocausto. Tal como ele diz:

Le soixantième anniversaire de la libération d'Auschwitz doit raviver le souvenir et la connaissance d'un crime unique par son organisation et par son ampleur.

De facto, há muito gente que deseja esquecer isto, se calhar para justificarem mais facilmente algumas posições actuais...

terça-feira, janeiro 11, 2005

Pormenores

Há pequenos pormenores que me fazem passar dos carretos. Estava eu a ler o Jornal de Notícias uma pequena notícia (sem hiperligação) sobre Val Kilmer e a personagem que ele interpreta em Alexandre de Oliver Stone, quando vejo que o nome da personagem em questão é escrito como "Philip". Bem quem é este Philip? Nem mais nem menos Filipe da Macedónia. Isto é, o nome de alguém que é mencionado na literatura portuguesa há séculos. Porquê este desconhecimento? Porquê manter o inglês?

Desde já digo que não vi o dito filme, pelo que o redactor da notícia também não era obrigado a fazê-lo (isto quer dizer que também ignoro que nome é que lhe foi dado na legendagem). Mas, independentemente disto, o jornalista deveria saber que o pai de Alexandre da Macedónia era Filipe, conquistador da Grécia. Mas, provavelmente, também nunca ouviu falar, por exemplo, de Demóstenes e das suas Filípicas ou Oração da Coroa.

Se calhar, reparar nestes pormenores pode ser uma bizantinice, mas isto leva-me a pensar que a notícia em questão não passa de uma tradução de uma notícia vinda de fora, feita por alguém que não têm conhecimentos culturais suficientes.

Estou farto de dizer que para fazer tradução não basta saber línguas. Saber línguas é condição necessária, mas não suficiente para se fazer uma tradução correcta, nem que seja de uma notícias com poucas centenas de palavras.

Enfim, coisas como estas repetem-se continuamente e ao que parece não há editores nos jornais que consigam suprir estes desconhecimentos.

Post-scriptum. Ontem, João Paulo Meneses também conta o disparate televisivo da RTP em referir um país chamado Latvia. Anda tudo a dormir nos nossos media?

segunda-feira, janeiro 10, 2005

Momentos de humor

Hoje, no Jornal de Notícias, numa rubrica da página 5, intitulada "Frases" (sem hiperligação) vem citada uma frase do impagável Ministro dos Negócios Estrangeiros de Espanha, Miguel Ángel Moratinos retirada de uma entrevista dada por este último ao El País. A frase é a seguinte:

Posso explicar o sucesso da diplomacia espanhola: o flamenco é muito atractivo porque é muito próximo do mundo árabe e pode ajudar os americanos a entender melhor esse mundo.

O sucesso da diplomacia espanhola será o de contemporizar com Chávez e Fidel? No entanto, faço a justiça de notar que a frase está descontextualizada, pelo que não posso apreciar devidamente toda a extensão da profundidade do pensamento de Moratinos, mas parece-me que haja contexto que justifique uma tão flagrante idiotia.

Mas, enfim, os espanhóis já se habituaram a que Moratinos os envergonhe.

domingo, janeiro 09, 2005

Palestina

Hoje vota-se na Faixa de Gaza e na Cisjordândia para a eleição de um novo presidente palestiniano. Em primeiro lugar, só espero que isto se torne um hábito, pois com Arafat o mandato tendia a prolongar-se indefinidamente. Uma vez eleito, estava eleito para sempre. Por isso, espero que desta vez os palestinianos se habituem a votar para a eleição do presidente em intervalos regulares conforme a sua lei o prescrever.

Em segundo lugar, não estou muito esperançado que daqui saia, de imediato, a paz. Arafat era sem dúvida um escolho no caminho da paz. Mazen parece mais moderado, mas já teve deslizes de linguagem como a de se referir a Israel como o "inimigo sionista", desculpando-se depois com o de nem sempre, no calor da emoção, as pessoas refrearem as suas palavras. Por outro lado, para ser eleito sem problemas, teve que condescer com elementos radicais da Fatah. Veremos como depois de eleito ele lidará com o problema.

De qualquer modo, talvez haja agora um oportunidade para a paz, coisa que definitivamente não houve nos últimos quatro anos. De qualquer modo, Mazen terá que abrir mão do chamado "direito de regresso", pois da forma como os palestinianos o entendem (e que não é aplicado a mais nenhum grupo de refugiados do mundo), Israel nunca o aceitará e com inteira razão, pois era aceitar a destruição de Israel por um mecanismo demográfico injustificável.


sábado, janeiro 08, 2005

Notas soltas

Hoje, como de costume, li o Jornal de Notícias, mas como estava à espera que a aula de natação da minha filha mais velha acabasse, e tinha algum tempo, ao contrário do que meacontece à semana, tirei umas notas daquilo que achei mais interessante, entre as notícias do maremoto e as política nacional.

Muito mentiroso
As investigações sobre o extinto blogue Muito Mentiroso levaram à Polícia Judiciária ao Correio da Manhã. A mim, completamente leigo nesta matéria, surpreende-me um pouco. Mas, parece-me interessante se se confirmar esta suspeita.

Arte moderna
Mais um caso. Uma parte de um peça de escultura numa exposição foi parar ao lixo devido ao zelo de uma empregada de limpeza. Para além do carácter ridículo da questão, que se repete, e não só em Portugal, como o diz a própria notícia, talvez estes factos nos devessem reflectir sobre o que é a arte.

Não vou, neste momento, entrar por essa discussão, por demais complexa e também por haver abundante bibliografia sobre o assunto. Também é certo que quando leio sobre este assunto, o faço sobretudo no domínio da literatura. Mas para que não fiquem dúvidas, não tenho um conceito apenas aristotélico da arte, em que a mimesis e a verosimilhança são a base da obra de arte. Mas tenho muitas dúvidas em qualificar como arte algumas das "obras" que vi expostos, sobretudo no campo das artes plásticas...

Já agora, e a jeito de blague, para quem quiser tentar, eis o conselho de Tristan Tzara (1896-1963), considerado como pai do dadaísmo, movimento surgido em Zurique, durante a I Guerra Mundial.

Pour faire un poème dadaïste

Prenez un journal
Prenez des ciseaux
Choisissez dans ce journal un article ayant la
longueur que vous comptez donner à votre poème.
Découpez l'article.
Découpez ensuite avec soin chacun des mots qui forment
cet article et mettez-les dans un sac.
Agitez doucement.
Sortez ensuite chaque coupure l'une après l'autre dans
l'ordre où elles ont quitté le sac.
Copiez conscieusement.
Le poème vous ressemblera.
Et vous voilà « un écrivain infiniment original et d'une
sensibilité charmante encore qu'incomprise du vulgaire ».

Tzara sabia do que falava.

"Nature Vs. Nurture"
Já para aqui escrevia algures no passado que não acredito que os comportamentos e orientações sexuais de homens e mulheres sejam apenas produto da educação que recebem. Obviamente que a educação e a sociedade tem influência, mas querer ignorar a influência da biologia parece uma negação da realidade.

Vem isto a propósito da estreia mundial no Porto da peça Hetero,
de Denis Lachaud (autor sobre o qual tudo e ignoro e não me parece que perca muito com isso) que afirmou que "a diferença entre o homem e a mulher é uma diferença cultural e não natural, como todos pensam". Tudo bem, problema dele.

Mais interessante, são as palavras do encenador, Francisco Alves, que "aponta a necessidade de o teatro "confrontar o público. Caso contrário, não serve para nada", afirma. "Enquanto criador, não acredito num teatro de entretenimento; para isso há a TV". Por isso, "Hetero" pretende agitar consciências."

Velho problema este da questão entre "arte pela arte" e "arte ao serviço de uma causa". Falso problema talvez. A este assunto voltarei com maior desenvolvimento no meu outro blog, o Humanae Litterae.

"Olha para o que digo, não olhes para o que eu faço"
É a única coisa que me lemra dizer acerca deste caso. Leis, contratos, ética, etc. tudo pela porta fora. A, agora ocorre-me outro ditado popular: "em caso de ferreiro, espeto de pau".

Bem, para notas soltas, escrevi um pouco de mais, não?


sexta-feira, janeiro 07, 2005

Anti-semitismo

Quem quiser já pode ler o Report on Global Anti-Semitism do Departamento de Estado dos Estados Unidos.

Será sempre uma leitura instrutiva.

Movimento cívico?

Parece que vai aparecer um movimento cívico para concorrer com uma candidatura independente à Câmara Municipal do Porto contra Rui Rio. Pôncio Monteiro, Rui Moreira e Pinto da Costa são alguns dos nomes falados neste movimento cívico.

Acho muito bem o aparecimento de um movimento cívico para concorrer à Câmara. À do Porto e a todas as outras. É, aliás, pena que mais vezes isso não tenha acontecido no passado. Parece, no entanto, que a legislação também não ajuda muito. Se houvesse mais candidatos independentes às câmaras, com hipóteses de ganharem, talvez as câmaras fossem mais bem geridas.

Todavia, este movimento cívico parece constituir uma coligação negativa contra uma única pessoa, que é diabolizada pelos seus adversários, e não um movimento que se imponha pelas suas ideias para a cidade. Sei que ainda é cedo, mas os nomes conhecidos sugerem apenas essa vontade anti-Rui Rio. Não me parece muito promissor...

O facto de serem todos portistas notórios também não parece muito inclusivo. Será o FC Porto contra a Câmara? De novo, muito pouco promissor...

Enfim, vamos indo e vamos vendo.

Lido e completamente aprovado

Excelente este Seis asneiras para os primeiros cem dias. O Miguel está em forma.

quinta-feira, janeiro 06, 2005

O Plano Ibarretxe

Já alguns dias que andava para escrever sobre este assunto que, em Portugal, apesar de ter sido objecto de algumas referências, tem passado relativamente incógnito o que não deixa, talvez, verificar a relevância que este assunto pode vir a ter no futuro de uma Espanha unida tal como a conhecemos agora.

É certo que há muitas portugueses que, apesar de irem muitas vezes a Espanha, têm um total desconhecimento do país, pensando que se trata de um estado-nação como é o caso de Portugal. Até já assisti a casos, na Galiza, de portugueses que, passando a fronteira do Minho, desatam a falar "portunhol" para uma população que fala maioritariamente galego e que, por isso, nos compreendem com grande facilidade.

É que se os espanhóis desconhecem Portugal, os portugueses não desconhecem menos a Espanha.

A formação da Espanha como país foi um processo que apenas se concluiu no século XV, iniciado com o casamento de Isabel e Fernando, os reis católicos, que uniram o Reino de Castela e a Coroa de Aragão, respectivamente, e completado em 1492 com a conquista definitiva do reino de Granada.

Com a Reconquista, formaram-se vários reinos cristão independentes que conduziram a guerra uma vezes independentemente, outras em conjunto e aindas outras vezes se guerrearam mutuamente. Nesse processo, apareceram e desapareceram reinos como os da Galiza e Leão, mas que deixaram, por exemplo, línguas próprias, neste caso o galego ou o asturo-leonês, que embora, durante séculos ofuscadas pelo castelhano, conseguiram sobreviver.

A Espanha é por isso um moisaco de nações unidas sob a coroa de Madrid. Aliás, já em épocas medievais, os reis de Castela revelaram uma tendência centrípeta, considerando-se como os legítimos descendentes dos reis visigóticos que tinham unido toda a Península Ibérica durante o séc. VII, depois de conquistarem as possessões mediterrânicas dos bizantinos. Por isso, sempre tentaram unificar a península sob a sua coroa, embora durante séculos não tivessem tido os meios para o fazerem.

Aliás, de notar, que a palavra "Espanha" em tempos medievais não denotava um determinado país, mas sim toda a península ibérica. Nas línguas romance, "Espanha/España" era o equivalente do latim "Hispania".

Bem, toda esta introdução foi para dizer o óbvio: há várias nações em Espanha e, dentro dessas nações, há gente que está descontente com o status quo actual. Como português, isto é, como cidadão do único reino (apesar de ter sido o último a ser fundado) que resistiu à força crentípeta de Castela que, efectivamente, absorveu os restantes estados que, só a partir de 1975, com a queda do franquismo, começaram a ter alguma autonomia, não posso ser um defensor à outrance da unidade absoluta do estado espanhol. Todavia, penso que, nos tempos actuais, o separatismo puros e simples também não é resposta aos problemas de Espanha. Provavelmente, a roda da história já passou por aí (e não sei quando voltará a passar...).

O Lehendakari de Euskadi (presidente do governo basco), Juan José Ibarretxe propôs um novo estatuto político para o País Basco que prevê, nomeadamente, uma "livre associação com o estado espanhol". Este estatuto foi aprovado, um pouco de surpresa, em 30 de Dezembro passado no parlamento basco. O PSOE e o PP estão contra, mas o plano passou graças ao apoio dos 3 deputados do ex-Batasuna(isto é, do braço político da ETA). Quais são os perigos desta acção?

FA no Quinto dos Impérios assinala o excelente editorial no ABC de ontem. Passo a citar alguns trechos deste editorial (destaques meus):

LA rueda de prensa que ayer ofreció el lendakari Ibarretxe demuestra que los nacionalistas han detectado con su agudeza habitual la fragilidad de la respuesta dada por el Gobierno de José Luis Rodríguez Zapatero a la aprobación parlamentaria de la propuesta del nacionalismo vasco. Mientras el jefe del Ejecutivo se recrea en anunciar obviedades -que dirá a Ibarretxe que no negociará, que el plan no se aprobará en el Congreso-, el lendakari ha aumentado la presión política para dejar bien claro que la iniciativa es suya y que su oferta a Zapatero no es para negociar el contenido del plan si no cómo se pone en marcha pacíficamente. Hechos consumados. Y es en este punto donde el lendakari empezó a descubrir sus cartas más duras, preguntándose capciosamente si, a falta de negociación, la solución del conflicto será «a tortas».
(...)
EN estas condiciones, el lendakari se crece, más aún cuando contempla que cuenta como apoyos en el Congreso a los socios del Gobierno del PSOE. Ibarretxe no puede sentirse disuadido por la admonición del jefe del Ejecutivo Gobierno cuando una parte influyente de la actual mayoría que apoya a Rodríguez Zapatero ya ha expresado su respaldo al plan soberanista. Esta situación empieza a complicar más si cabe el discurso del PSOE, porque las razones que oponga al plan Ibarretxe son aplicables a las pretensiones del tripartito catalán y en buena parte al sucedáneo nacionalista alumbrado por el socialismo vasco.

Isto é, Ibarretxe diz que o plano é para para a frente a bem ou a mal. Que belo presente para a ETA. Se o plano Ibarretxe falhar, como deve ser o caso, até porque, parece, é anticonstitucional, a ETA pode dizer, que a luta armada, tal como ela a defende, é a única hipósete para alcançar a desejada independência do País Basco.

Em segundo lugar, o PSOE está atrapalhado, porque os seus aliados catalães podem vir a criar problemas. Aliás, já lhe criaram. Juan Puigcercós, da Esquerra Republicana de Catalunya (ERC), ameaça retirar-lhe o apoio se Zapatero não aceitar discutir o plano Ibarretxe. Puigcercós alargou mesmo a ameaça ao PSC (socialistas da Catalunha). A ver vamos como Zapatero descalçará esta bota.

No meu entender, este assunto devia ser seguido com maior atenção aqui em Portugal. Por um lado, para os portugueses compreenderem, de uma vez por todas, que a Espanha não é um monólito (e não por causa das imigrações, mas pela sua própria formação). Talvez ganhassemos alguma coisa se assim víssemos a Espanha. Em segundo lugar, embora não acredite que se passe o mesmo que se passou na ex-Jugoslávia (onde a pressa foi má conselheira), temos de estar informados do que se passa aqui ao lado. Afinal estamos na mesma "jangada de pedra".

Futebol e tecnologia

Bem, vamos lá fazer mais um incursão ao mundo do futebol, mas não vou falar do Apito Dourado ou outras coisas assim. Vou falar de golos que entram mas não são considerados.

Certamente que toda a gente se lembra do barulho que houve no último Benfica-Porto, por um possível golo não considerado a favor do Benfica. A bola terá (digo terá porque não estou convencido, mas até posso acreditar que tenha entrado, não é esse o problema) entrado totalmente na baliza de Baía antes deste a ter atirado para fora. O que não se pode pode negar é que o árbitro e o árbitro assistente, na posição em que estavam, não poderiam, humanamente, ter certezas quantoao que realmente aconteceu.

Agora, no Manchester United-Tottenham aconteceu um caso bem mais escandaloso, pois a bola, chutada por Pedro Mendes a mais de 50 metros, passou a linha de golo em cerca de um metro e, nem mesmo assim, o golo foi considerado, porque a equipa de arbitragem afirmou não ter hipótese de - a partir da zona do campo onde estava - poder certificar que a bola tivesse entrado mesmo.

Linesman Rob Lewis defended himself on Wednesday saying he would have had to have run as fast as former Olympic 100 metre champion Linford Christie to spot whether the ball had crossed the line.

"The Spurs player had a pop shot from distance and I was doing my primary job which was to stand in line with the last defender and watch for an offside.

"When the ball landed I was still 25 yards from goal and it was impossible to judge if it had crossed the line.

"There was nothing I could have done differently apart from run faster than Linford Christie."


De facto, o que aconteceu foi, não um erro deliberado, mas uma impossibilidade humana de ter a certeza de que algo aconteceu. Todo aquele barulho que o Benfica fez, com DVD para o governo, ameaças de exposição à FIFA, etc. era perfeitamente escusado, até porque um responsável da FIFA, Markus Siegler a propósito deste último caso, declarou:

"FIFA is strongly against the use of video evidence to decide the referees' decisions.

"The only thing that could be considered is the technology to decide whether the ball has crossed the line or not if -- and so far it is not the case -- a suitable technological solution is found.

"We just have to accept the decision last night of the referee and his assistant. There is no point arguing about that. It's part of football."

Por aqui se vê o acolhimento que a FIFA teria feito à pretensa reclamação benfiquista. De qualquer modo, o futebol, para além de um jogo, é também um grande negócio que movimenta milhões de euros e que não pode ver casos como estes repetidos com muita frequência, sob risco de se descredibilizar.

A bola está agora do lado da FIFA. Uma solução tecnológica precisa-se.

quarta-feira, janeiro 05, 2005

Heranças

No Le Figaro, Jean-Louis Harouel tem hoje uma coluna de opinião com o título Les legs du christianisme com a qual não posso estar mais de acordo.

Soyons clairs : «culture» signifiant ici civilisation, développer «une sensibilité culturelle musulmane» revient à encourager une islamisation de la civilisation de l'Europe. Or, précisément, l'Europe est aujourd'hui ce qu'elle est grâce au fait qu'elle a refusé plus de mille ans durant de devenir musulmane. C'est parce que l'Europe a été capable de chasser de son sol les dominations musulmanes qui s'y étaient établies par la conquête (Sicile, Italie du Sud, Espagne, France méridionale, Balkans) ainsi que de repousser les grandes offensives militaires musulmanes – en dernier lieu devant Vienne voici trois siècles –, que nous vivons dans une société laïque, libre, tolérante, économiquement développée, à haut niveau de vie moyen et socialement généreuse. Cette société est le produit historique de la civilisation chrétienne européenne.

C'est parce qu'elle a su rester chrétienne que l'Europe a pu construire une civilisation intellectuelle et technique apportant une connaissance du réel et une action sur lui qui ont révolutionné la condition humaine. L'Europe a inventé aussi bien l'histoire moderne que l'anthropologie, l'archéologie ou la sociologie. Chose sans précédent, la science européenne a voulu connaître et comprendre les autres civilisations. C'est ainsi que l'art musulman ou l'art hindou sont pour la civilisation née du creuset de l'Europe chrétienne un objet d'étude et de dilection, au même titre que son propre patrimoine artistique.

De facto, há muita gente que se esquece de factos tão simples como estes e querem negar a herança da civilização onde vivem.

terça-feira, janeiro 04, 2005

Top 10

Bem, toda a gente fez mais ou menos um top das suas preferências bloguísticas, pelo que também não me abstenho de o fazer, embora com algum atraso. Por ordem estritamente alfabética, aí vai o meu top 10:

1. Aviz
2. Blasfémias
3. Bomba Inteligente
4. Contra a Corrente
5. Crítico
6. Jaquinzinhos
7. No mundo
8. O Intermitente
9. O Observador
10. Rua da Judiaria

Pronto, está feito. Muitos outros são lidos, mas estes são aqueles que, normalmente, leio em primeiro lugar.

Pedroso candidato?

Apesar da Federação de Setúbal não o ter proposto, leio e ouço que a direcção nacional do PS vai colocar Pedroso num lugar não elegível na lista do partido para o distrito de Setúbal.

Penso que este caso é perfeitamente lamentável. De um lado, Pedroso, que até prova em contrário é inocente, deveria por motu proprio dizer à direcção nacional de que não seria candidato. É que está a tornar-se num problema para o PS. Por outro lado, a direcção nacional do PS não tem que se sentir obrigada a incluir Pedroso.

Estando inocente, Pedroso tem todo o tempo do mundo para voltar a ser deputado em 2008. Para quê todo este circo à volta do assunto?

Listas eleitorais do Porto

No meu distrito do Porto vão-se compondo aos poucos as listas de candidatos à Assembleia da República. No PSD, a possível inclusão de Pôncio Monteiro criou a confusão, como aliás seria de prever. Não percebo porque é que Santana se meteu nisto. As pessoas sabem distinguir bem entre política e futebol. Eu sou portista desde que me conheço (o primeiro jogo que vi, isto é, de que tenho memória ter visto, no Estádio das Antas foi um Porto/Académica na época de 1969/1970) e voto PSD e daí não vem qualquer incoerência. Esta confusão entre futebol e política, o aproveitamento da notariedade de pessoas que, por méritos que pouco tem que ver com a sua acção política, são lançadas para lugares como estes de deputados e algo de verdadeiramente lamentável e nada traz de novo. Não é esta a renovação que pretendemos.

Por outro lado, o PS no Porto também não traz muito de novo. A seguir a Braga da Cruz, vêm Fernando Gomes, Manuela de Melo e José Lello (não exactamento por esta ordem, mas também não faz mal, entram todos) é tudo menos renovação. Eu sei que o trabalho de deputado não é apenas falar no hemiciclo. Mas, de facto, continuamos a ver, em praticamente todos os partidos, sempre as mesmas caras. Não que a renovação pela renovação seja uma vantagem per si, mas nós já sabemos que de muitos destes não há nada verdadeiramente de novo a esperar.

Bom, esperemos para ver as listas completas. Trata-se no fundo só de uma questão de curiosidade, pois com o nosso sistema actual, as pessoas acabam por votar no primeiro-ministro, não nos cabeças de lista eleitorais de cada distrito. Para ser doutra forma tinha-se que mudar o sistema, o que não me parece que vá acontecer.

segunda-feira, janeiro 03, 2005

Consequências

A imprensa portuguesa e não só gosta de diabolizar aqueles de quem não gosta. Por isso, homens como Bush, Berlusconi ou Santana são alvos habituais destes "iluminados" e não só por motivos de discordância política. Por uma razão ou por outra, estes tipo de políticos saem do padrão que os jornalistas julgam como aceitável para um político e, por isso, tornam alvo de todo o tipo de ataques que geralmente não são efectuados a outros políticos e o mínimo dos seus gestos são escrutinados ao pormenor.

O resultado é que entre mentes mais influenciáveis criam ódios que depois vêm ao de cima quando menos se espera. Por isso, a notícia de que Berlusconi foi agredido em Roma não espanta. Vejam só o início da notícia:

Roberto Dal Bosco a le sang chaud. De voir celui qu'il «hait le plus au monde» se promener tranquillement en pleine rue lui a fait perdre la tête. Aussi s'est-il précipité sur Silvio Berlusconi et, armé du seul instrument à portée de main, le trépied de son appareil photographique, lui en a-t-il asséné un coup violent à la tête.

O autor desta "brincadeira" foi preso mas, poucas horas depois, já estava cá fora. Realmente, o assassinato de D. Carlos I não foi assim há tanto tempo assim.

Post scriptum. É claro que para certa esquerda (quase toda ela), Berlusconi é um alvo legítimo desta fúria popular.