quarta-feira, julho 27, 2005

Le Canada n'est pas un pays sérieux

O Canadá não é um país que eu muito admire (quem quiser pode verificar aqui, aqui e aqui).

Agora, depois de ler isto, digam-me lá se os Canadá é ou não dirigido por uns bastardos politicamente correctos e se não é uma ditadura disfarçada de democracia. O conceito de liberdade de expressão é qualquuer coisa de completamente desconhecido no Canadá.

Há democracias ocidentais que têm uma tendência terrível para, em nome do politicamente correcto, eliminarem o direito que os cidadãos têm de se expressar livremente. O Canadá, país que pensa que tem que ser o pais mais multicultural do mundo (como se isso por si só fosse uma grande coisa), é dos países que mais tem limitado este direito aos seus cidadãos.

A democracia ateniense, com todos os seus defeitos, permitia aos que eram seus cidadãos três direitos fundamentais: a isonomia ("igualdade de direitos" ou perante a lei), a isegoria (igualdade no falar" a actual liberdade de expressão) e isocracia ("igualdade de poder", ou seja, no acesso aos cargos).

No que se refere à isegoria, diz José Ribeiro Ferreira (in A democracia na Grécia Antiga, Minerva, 1990, p. 175):
Nenhuma democracia moderna, por mais aberta que seja, concede uma liberdade de expressão tão ampla como a que se vivia em Atenas.
É lógico que eu não acredito em liberdades irrestritas e que a liberdade de expressão tem limites. Mas estabelecer esses limites é algo verdadeiramente difícil e é algo que não vousa neste momento. Mas, neste caso canadiano específico, trata-se apenas um caso de "delito de opinião". Pôr na janela de casa "Marriage = 1 man + 1 woman" não é ofensivo seja para quem for. Quem assim o pensar apenas quer eliminar o debate e não passa de um candidato a ditador totalitário (que é o que o politicamente correcto e seus sequazes são).

Numa democracia não pode haver debate sem incomodar os outros, sem mesmo por vezes os ofender (para a malta do politicamente correcto, quando os artistas se metem com a Igreja Católica isso é liberdade de expressão, quando mandam piadas aos gays é homofobia). A divergência de opiniões é inevitável e quando isso não contecer numa democracia, então deixará de ser uma democracia.

Costuma-se dizer, muitas vezes, que "o disparate é livre". Pelo vistos, no Canadá, nem isso, se por acaso algum desse disparate afectar as vacas sagradas dos lóbis LGBT, étnicos, religiosos (sobretudo se forem os muçulmanos, pois no Canadá o Catolicismo é visto como inimigo pela classe política e o sistema judicial), diversidade, multiculturalismo, etc. etc.

terça-feira, julho 26, 2005

Uma análise de discurso de um caso concreto

Recentemente comprei um livro intitulado Da Língua e do Discurso, org. por Fátima Oliveira e Isabel Margarida Duarte. Este livro é resultante de um colóquio de linguistas em homenagem ao Prof. Joaquim Fonseca. Este professor foi o primeiro, na FLUP, já em pleno 3.º ano, a fazer-me gostar de linguística (a culpa não será propriamente dos professores dos 1.º e 2.º anos, os programas é que não ajudavam muito e, de qualquer modo, deram base fundamentais). Depois de estruturalismos e gramáticas generativas, depois de Saussure, Jakobson ou Chomsky, depois fonética, fonologia, morfologia, etc... foi bom estudar uma linguística que abordasse também o discurso (não vou agora discorrer sobre definição deste...).

Entre as 31 comunicações que compõem o livro houve uma, a de Isabel Margarida Duarte (docente na FLUP), que me chamou a atenção. A comunicação tem o título "A citação no discurso de imprensa: uma «amostra» do caso moderna" e deveria ser lido por todos os aspirantes a jornalistas e mesmos por os actuais jornalistas. A comunicação analisa em concreto um texto (uma "notícia") publicado no jornal Público, em 17 de Março de 2003, assinado por Isabel Braga e intitulava-se "A mais amnésica das testemunhas da Moderna".

Logo na introdução, Isabel Margarida Duarte diz o seguinte (destaques meus):
Tentarei mostrar [...] de que modo o jogo das citações num texto de imprensa releva, sobretudo, das intenções comunicativas do autor do texto, isto é, de que modo consiste numa estratégia argumentativa ao seu dispor. A orientação argumentativa, a actividade avaliativa do locutor citador (L1) é visível na forma como cita ourelata palavras do locutor citado (L2). Ao citar, o jornalista está frequentemente a levar a cabo uma imposição subreptícia de avaliações. Mesmo quando, na aparência, é discreta, a voz do discurso citador faz-se ouvir, mais ou menos indirectamente.
No desenvolvimento da comunicação, a autora vai desmonstrar como a jornalista vai tentar descredibilizar a testemunha (o artigo é sobre o depoimento de Jorge de Sá durante o julgamento do caso Moderna) através de vários processos (em que a citação é uma delas), ao mesmo tempo que finge objectividade (através dessa mesma citação das palavras da testemunha). Como diz a autora, o uso da citação serve para (destaques meus):
... fingir que a palavra é o espelho da realidade, que existe objectividade total, quando, como sabemos, estamos perante uma construção fictiva da realidade. A objectividade dos fragmentos citados em directo é aparente, uma vez que a selecção das citações e a respectiva inserção no texto citador revelam a atitude e a subjectividade do jornalista.
Os exemplos acumulam-se, como por exemplo o modo como a jornalista caracteriza Jorge de Sá, com um perfil profissional que chama atenção para os seus cargos na Dinensino, confrontado-o com o seu depoimento, em que alega nada saber. O tipo de verbos que utilizados e comentários valorativos (do género "ainda mais amnésica do que as outras [...], o que não é dizer pouco") também contribuem para essa descredibilização. Outros processos que criam uma aparente objectividade são também analisados.

Como conclusão, Isabel Margarida Duarte refere o seguinte (destaques meus):
A utilização de mecanismos de autentificação ou de aparente objectividade por parte do jornalista, como é o caso da citação em DD [discurso directo], ou de outro qualquer modo de relato de palavras do locutor citado, talvez faça parte da cultura jornalística, da necessidade que o jornalista tem de se defender por trás das palavras dos outros, parecendo estar a ser objectivo. Mas relatar palavras dos outros pode ter muitas intenções além desta. Aquela de que dei conta, neste texto, é a que consiste em mostrar, através das palavras do locutor citado, como esse locutor é completamente indigno do nosso crédito. E no "nosso", incluem, cumplicemente, L1, o jornalista e os leitores do jornal, cuja apreciação ética, se o texto do primeiro foi eficaz, argumentativamente, não pode deixar de ser coincidente.
Em resumo, o relato de discurso está ao dispor, nos textos de imprensa como nos de ficção, da intencionalidade comunicativa e argumentativa do relator.
[...]O relato de discurso consiste pois, não numa forma de tornar objectiva e real uma narrativa (jornalística ou literária), mas, pelo contrário, numa forma de fingir que ela é objectiva e real, ou seja, num modo de, criando instrumentos de verosimilhança, a ficcionalizar
. Um texto muito interessante de análise de um texto jornalístico com que muita gente seria capaz de aprender algo e a ler as notícias de outra maneira. Recomendo a sua leitura integral.

segunda-feira, julho 25, 2005

Férias

Ora aqui está alguém que tem o mesmo entendimento das férias do que eu. Ainda bem...

domingo, julho 24, 2005

O Desejado

Parece que o PS encontrou o seu D. Sebastião.

sábado, julho 23, 2005

Contrariados, mas lá o despediram...

O Guardian demorou, mas lá acabou por despedir Dilpazier Aslam, conforme informa aqui, onde tenta explicar o historial que levou à contratação de um jornalista que é membro de uma organização islamita radical, Hizb ut-Tahrir, ilegalizada em vários países europeus, mas legal na Grã-Bretanha, que tem no seu sítio web vários textos abertamente anti-semíticos e anti-ocidentais.

O artigo que Dilzapier Aslam escreveu para o Guardian depois dos atentados é, como se pode verificar, absolutamente lamentável. De qualquer modo, acredito que, se não fosse a rápida resposta dos leitores e das blogosfera anglo-saxónica, o Guardian nunca teria despedido este "jornalista". Peças jornalísticas anti-semíticas e desculpabilizadoras do terrorismo é coisa que não falta no Guardian.

Não podia estar mais de acordo com o que disse o Fernando nesta entrada acerca deste "jornalista":
Um verme escrevinhador ousa gabar-se dos atentados de Londres nas páginas de um jornal britânico e justificá-los como actos de “petulância”. Se calhar estão bem um para o outro. Mas estão todos claramente a mais em qualquer sociedade decente que não tenha perdido os últimos vestígios de coragem e de dignidade.
Por outro lado, há uma coisa que me intriga: será que os jornais, com as suas manias politicamente correctas, não aprendem nada com os erros do passado?

Numa tentativa de aumentar a "diversidade" nas redacções os jornais contratam jornalistas vindos de diversos tipos de minorias. Mas, frequentemente, estas políticas dão "barraca", pois as pessoas que entram por este esquema não são devidamente avaliadas. Foi o que aconteceu com Jason Blair, com todas as consequências que isso teve para o NYT. Quando outros factores, para além dos profissionais, entram em jogo, a competência sai sempre a perder. Isto de considerar que a "diversidade" é sempre um ganho absoluto, seja em circunstância for é uma perfeita idiotice.

Para além de podermos também ter que discutir o próprio conceito de "diversidade"...

sexta-feira, julho 22, 2005

O Alcorão e o primado da lei

Leitura recomendada o artigo Il Corano e il primato della Legge da Magdam Allam, sobre as relações, na Europa, entre a justiça e o Islão.
I terroristi islamici hanno colpito nuovamente Londra mentre il premier britannico Tony Blair sta trattando con un gruppo di «esponenti islamici » sulle nuove misure per contrastare il terrorismo, dopo aver incassato una fatwa (un responso legale islamico) di condanna dei kamikaze dello scorso 7 luglio. In altri termini, il governo di uno Stato sovrano ha ritenuto opportuno sottoporre le proprie decisioni all'approvazione di alcuni cittadini a cui è stato attribuito in modo del tutto discutibile lo status di rappresentanti di una supposta «comunità islamica», percepita come un corpo a sé stante in seno allo Stato di diritto.

Siamo così arrivati all'Europa del «clero islamico», della fatwa e della sharia, la legge coranica. Dopo essersi distinta come retrovia logistica dei combattenti islamici in Afghanistan, Cecenia, Kashmir, Algeria, Bosnia, Palestina, Egitto, Marocco, Tunisia, Yemen, Iraq, Arabia Saudita, dopo essersi trasformata in una terra di predicazione della Jihad globale intesa come «guerra santa», dopo essersi scoperta «fabbrica di kamikaze » che si fanno esplodere fuori e dentro i propri confini, l'Europa emerge ora comeavanguardia mondiale di uno Stato teocratico islamico in nuce i cui leader sentenziano ciò che i musulmani debbono fare o meno. Tutto ciò all'interno di uno Stato di diritto dove vige un'unica legge che dovrebbe essere osservata da tutti i cittadini e residenti. Tutto ciò tra l'assenso, addirittura la compiacenza delle autorità europee, e perlopiù tra l'indifferenza dell'opinione pubblica.
Mais adiante:
Ma ci rendiamo veramente conto di quello che stiamo combinando? Stiamo legittimando il doppio binario giuridico in seno allo Stato di diritto, la legge ordinaria per gli autoctoni e la sharia per i musulmani. E' mai possibile che i musulmani per condannare il terrorismo, il massacro indiscriminato di innocenti, i kamikaze di Bin Laden, debbano obbligatoriamente far riferimento e trarre una legittimità dal Corano? Chi ha detto che i musulmani non debbano invece, al pari di tutti gli altri cittadini, far riferimento alle leggi dello Stato laico e al sistema di valori fondanti della civiltà umana che salvaguardano la sacralità della vita di tutti? E che cosa accadrebbe se in un domani, sempre facendo riferimento al Corano, gli stessi barbuti di Londra e Madrid dovessero sentenziare diversamente da quanto prescrivono le nostre leggi e contemplano i nostri valori?

Intanto noi oggi, plaudendo alla loro condanna del terrorismo nel nome del Corano, li abbiamo già legittimati come referenti giuridici, abbiamo attribuito loro un potere che abbraccia la sfera della rappresentatività religiosa e politica. Come potremmo in un domani dire loro ci andavate bene quando condannavate le bombe di Madrid e Londra, manon ci andate più bene quando osannate lebombedi Gerusalemme e Bagdad? Inoltre, una volta istituito il doppio binario giuridico, una volta accreditata la sharia in Occidente come fonte legittimante dei valori e della vita dei musulmani, come potremmo rifiutare e denunciare le fatwa emesse da altri sedicenti imam, ulema o mufti? Cosa farà l'Occidente di fronte allo scontro tra opposte fazioni islamiche che si delegittimano e condannano a vicenda a suon di fatwa?
Por mim, o autor tem toda a razão. Será que os políticos europeus (neste caso particular, os britânicos) estão a ver bem o problema em que se estão a meter?

quinta-feira, julho 21, 2005

Manutenção

Já há algum tempo que precisava de fazer uma limpeza na coluna da direita, pois havia ligações que já não levavam a lado algum. Assim, fiz uma pequena remodelação eliminado aqueles que estavam inválidos.

Aproveitei, também, para introduzir novas ligações. Destas, quero destacar o blog The Guest of Time, verdadeiramente brilhante.

quarta-feira, julho 20, 2005

Este já levou um par de patins...

Ouço o Mário Crespo dizer que José Sócrates propôs ao Presidente da República a exoneração de Luís Campos e Cunha (segundo é dito a seu pedido)...

Era de esperar, depois de ter criticado, no último sábado, uma vaca sagrada do socialismo (o investimento público), sendo patente o duplo discurso no governo a esse propósito (basta ouvir as declarações de hoje de Mário Lino), Sócrates escolheu o socialismo...

A credibilidade do governo vai pelas ruas da amargura..

segunda-feira, julho 18, 2005

Edward Heath (1916-2005)

Sir Edward Heath foi o primeiro-ministro britânico que fez a Grã-Bretanha entrar na então Comunidade Económica Europeia (juntamente com a Irlanda e a Dinamarca), naquilo que se pode considerar como o primeiro alargamento, a 1 de Janeiro de 1973.

Mas ele é também o primeiro chefe de governo britânico de que me lembro. E lembro-me que o seu mandato, para além dessa coroa de glória, foi muito conturbado na sua parte final, sobretudo pela greve de mineiros liderada por Arthur Scargill - que dez anos mais tarde tentou a mesma gracinha contra a Dama de Ferro e lixou-se, nunca o sindicato dos mineiros teve mais a força de outrora (os tempos também estava a mudar, mas a esquerda sindicalista, empedernida como é, não se deu conta disso)- e que levou às eleições de 1974 que Heath perdeu para Harold Wilson (trabalhista).

Ainda por cima o seu mandato sofre em comparação com o que Margaret Thatcher, de quem ele nunca se aproximou, conseguiu mais tarde, quando no final de década de 70 pôs os conservadores no poder por mais de uma década.

De qualquer modo, ter ouvido, hoje, a notícia da sua morte, fez-me a memória voltar a 30 anos atrás numa altura, 1973/74, em que o mundo estava também em grande ebulição.

Quanto a Edward Heath, a história há-de dar o seu veredicto sobre a sua acção política.

sábado, julho 16, 2005

Os novos servos dos tempos modernos

Do sempre recomendável Ivan Rioufol, na sua coluna semanal Le Bloc-notes:
A propos du modèle français, de nouveau défendu hier par Jacques Chirac : l'emploi public a progressé de 24% entre 1982 et 2003, selon un rapport officiel diffusé lundi. Fin 2003, les fonctionnaires représentaient 5 millions de personnes, soit un salarié sur cinq. Selon les calculs de l'association des Contribuables associés, les Français consacrent 196 jours sur 365 – soit jusqu'au 16 juillet – à financer le secteur public. Ils travaillent donc un jour sur deux pour l'Etat. Commentaire de l'association : «Au Moyen Age, un homme était considéré comme serf lorsqu'il devait payer plus de 40 jours à son seigneur».
A França sempre orgulhosa da sua herança bonapartista.

quarta-feira, julho 13, 2005

E há quem lhes chame combatentes pela liberdade

Vingt-quatre enfants tués dans un attentant suicide à Bagdad.

Para quem tinha dúvidas quanto à verdadeira natureza dos chamados "insurgentes" iraquianos (que não passam de "terroristas", mas que muita imprensa tradicional tem medo de utilizar a palavra), esta notícia deveria abrir-lhes os olhos.

segunda-feira, julho 11, 2005

Circuito Automóvel da Boavista

Eu sou um confesso apaixonado pelos automóveis (sobretudo pelos carros de F1 e Grand Prix) pelo que nunca poderia estar contra a ideia de Rui Rio de reavivar o Circuito da Boavista, ainda por cima tão pertinho da minha casa.

Logo por azar, este fim-de-semana tive que trabalhar, pois tenho trabalho para entregar amanhã, pelo que nem sequer tive oportunidade de ir dar uma espreitadela ao circuito. Fiquei-me por ver as imagens da SIC-Notícias e ouvir os motores (que se ouviam distintamente em minha casa).

Mas ver todos aqueles carros fantásticos na televisão foi bastante bom, só foi pena o realizador não perceber nada sobre automóveis (que pobreza de realização - fazer cobertura de corridas automóveis não é o mesmo que fazer o Caras Notícias).

De manhã, tinha lido no Jornal de Notícias a oposição do Bloco de Esquerda a este evento:
BE acusa Rio de brincar aos carrinhos

O Bloco de Esquerda contestou, ontem, a realização do Circuito da Boavista, que "Rui Rio utiliza para colar à sua anunciada recandidatura à Câmara do Porto".

"Nada temos contra os automóveis, mas estamos contra a utilização de dinheiros públicos nestas iniciativas. Aliciam-se as pessoas com pão e circo. Como não há pão, dá-se-lhes circo", afirmou João Teixeira Lopes, do BE.

O BE, embora não veja com bons olhos o "cerco" da Parque da Cidade, sublinhou que "o circuito até poderia merecer o nosso apoio se organizado com dinheiros privados".

Não sei porquê, mas estas declarações do Bloco fazem-me rir. O Bloco de Esquerda é apoiante da iniciativa privada? Isso também se aplicará à "Cultura"? E se não, porquê?

Por um lado, eles lá devem saber do que falam quando referem o circo. Actividades circenses é aquilo a que o Bloco mais nos habituou seja à porta de tribunais, ou passearem de traineira para barcos ao largo da costa portuguesa, lenços palestinianos no Parlamento, etc., etc., etc.

No entanto, esta preocupação com os dinheiros públicos do Bloco é muito selectiva. Nunca os vi protestar contra o apoio que a Câmara de Lisboa de Sampaio e Soares dava, por exemplo, ao Festival de cinema "gay" de Lisboa ou o apoio que essa mesma câmara deu à Fundação Mário Soares (fazer fundações com dinheiro público também eu faço).

O Bloco gosta que os dinheiros públicos financiem as actividades de que eles gostam, a "Cultura", por exemplo. Só que a concepção de cultura bloquista (e esquerdista, em geral) não é muito abragente e dirigida apenas para um público minoritário e elitista. Os bloquistas são tal e qual como Horácio quando dizia "odi profanum uulgus". Se é para muita gente já não estão de acordo. Mas se os dinheiros públicos forem para subsidiar as pessoas "certas", nem que não haja mais ninguém a ver aquilo, então já não gritam ao "panem et circenses".

Não se espantem por eu comparar "cultura" com "eventos desportivos". Tudo depende do conceito de "cultura". Além do mais, Rui Rio disse que o evento estava projectado para ter um ligeiro lucro ou um ligeiro prejuízo (espero que se cumpra o primeiro). Para além da enorme promoção da cidade que o evento criou junto dos entusiastas dos automóveis antigos de competição estrangeiros (sobretudo ingleses), que é gente que quando faz turismo não é propriamente turismo de pé descalço.

Só que recordar aquilo que se passou há 50 anos não será também "cultura"? (seja isso lá o que for). A minha filha mais velha (a mais pequena não tem idade para isso) e os meus sobrinhos (que tiveram a sorte de poder ir) deliraram com o que viram, ficaram maravilhados com os carros diferentes que viram. Deu-lhes a conhecer coisas diferentes daquelas que conhecem.

Virem agora armar-se em defensores dos dinheiros públicos (quando estão sempre prontos a gastá-lo em tudo e mais alguma coisa, desde que se enquadre na sua mundovisão) e falarem em circo, quando são os maiores criadores de espectáculos circenses políticos é ter lata.

Post scriptum. E eu até não tenho nada quanto à chamada "cultura", afinal até sou de Letras e conheço melhor o neo-realismo literário (e nessa matéria a minha professora até foi a Isabel Pires de Lima) do que o Mises ou o Hayek (espero que os meus colegas insurgentes não levem a mal esta heresia).

Entrada publicada ontem no Insurgente.

sábado, julho 09, 2005

Madeira...

A Madeira, é bem certo, bem muito deve a João Jardim pelo desenvolvimento conseguido nos últimos 30 anos, mas isso não lhe dá autorização para dizer todos os dislates que lhe vêm à cabeça.

No caso actual das suas declarações sobre os chineses, que ele acaba de reiterar, mais do que xenófobas, as suas declarações são um autêntico disparate. O desporto de acusar os estrangeiros pelos problemas que se têm em casa é muito perigoso e normalmente dá asneira (é só olhar para o passado).

Mas o mais divertido (ou neste caso, o mais triste) é o facto de Jardim ter dito a propósito de Marques Mendes (que tinha considerado as declarações como "infelizes"):
O caso dr. Marques Mendes será amanhã apreciado no Conselho Regional. O dr. Marques Mendes é a segunda que me faz. À primeira, todos podem cair; à segunda já é mais grave.
Como muitos leitores deste blogue sabem, eu sou militante do PSD e nem sequer sou fã do Dr. Marques Mendes, mas que outra coisa poderia ter ele dito? Que as declarações eram muito judiciosas? ou oportunas?

O tempo do Dr. Jardim já passou e era tempo do PSD-Madeira se ir renovando, mas de preferência sem ser com um João Jardim de segunda.

Post scriptum. Esta minha opinião não é nenhuma conceção ao politicamente correcto ou às ideias de uma sociedade bem-pensante. É que de facto estas declarações só pura e simplesmente disparatadas.

sexta-feira, julho 08, 2005

Parole parole soltanto parole

"O Sr. Blair teve agora o mesmo que o Sr. Aznar". Esta afirmação inacreditável foi feita pelo "senador" Mário Soares (cuja inimputabilidade é bem conhecida e mesmo completamente reconhecida).

Esta afirmação é quase idêntica às declarações de Abdelilah Suisse (que dá aulas na FLUP) que, também na SIC-N, disse que o atentado era consequência das políticas inglesas.

Bem, esta linha de argumentação é, no fundo, tentar justificar o injustificável. A responsabilidade primeira por este atentado de Londres é exclusivamente dos seus autores e mais ninguém.

A Al-Qaeda tem uma visão de mundo em que vê o Ocidente e a sua democracia como inimigos. Ela pretende destruir-nos, não importa como, porque nós somos os infiéis. E quer impor um novo Califado. Quem não compreendeu isso, não compreendeu nada e vai inventando novos "Muniques" até à derrota final.

O Iraque, a Palestina, etc., etc. são apenas argumentos tácticos que estas organizações terroristas vão utilizando para justificar os seus ataques. Quando aconteceu o 11 de Setembro não havia nenhum ataque a países islâmicos. Mesmo que os americanos e aliados saíssem amanhã do Iraque e do Afeganistão, os atentados terroristas não acabariam.

É tempo de acabar com a culpabilização do Ocidente por aquilo que é culpa exclusiva dos seus autores: um terrorismo bárbaro e selvagem que não conhece limites na sua tentativa de alcançar a supremacia.

Opiniões como as destes dois senhores apontam para o acessório, desviando-se do essencial do problema. Assim, nunca se chegará a lado nenhum e o que eles dizem são apenas palavras...

quinta-feira, julho 07, 2005

Para quem já se esqueceu...

O terrorismo anda novamente à solta pela Europa. Hoje foi em Londres... não que os ingleses não estivessem à espera, só não sabiam quando.

Há gente que não sabe viver na Europa (ou em qualquer outro país civilizado). É preciso que os políticos europeus tenham vontade de os irradicar de veze sejam eles quem forem.

quarta-feira, julho 06, 2005

Baudelaire, francês e inglês...

Pensei que o exclusivo de fazer citações de autores franceses em inglês era uma exclusivo de direita blogosférica. Mas, afinal, esta conhecida bloquista também incorreu neste crime lesa-majestade. Ainda para mais com a possibilidade de fazer a citação em francês graças à Internet.

La danse peut révéler tout ce que la musique recéle de mystérieux, et elle a de plus le mérite d'être humaine et palpable. La danse, c'est la poésie avec des bras et des jambes, c'est la matière, gracieuse et terrible, animée, embellie par le mouvement.
La Fanfarlo

É ou não é mais bonito em francês?

terça-feira, julho 05, 2005

Novas do multiculturalismo

Um deputado neo-zelandês muçulmano não se opõe, de acordo com a Charia, que em certos países os homossexuais e adúlteros(as) sejam lapidados.
Muslim MP Ashraf Choudhary will not condemn the traditional Koran punishment of stoning to death some homosexuals and people who have extra-marital affairs.

But the Labour MP - who has struggled with his "role" as the sole parliamentary representative of the local Muslim community - is not advocating the practice here.
Mr Choudhary once again found himself between a rock and a hard place on questions of Islam when he appeared on TV3's 60 Minutes programme last night.

It was examining warnings about extreme fundamentalism within New Zealand's Islamic community.

Mr Choudhary was asked: "Are you saying the Koran is wrong to recommend that gays in certain circumstances be stoned to death?"

He replied: " No, no. Certainly what the Koran says is correct.

"In those societies, not here in New Zealand," he added.
Fonte

E a esquerda de cá ainda se queixa do Alberto João Jardim?

sexta-feira, julho 01, 2005

Ai! estes belgas...

...tão insensíveis às outras culturas!

Ler esta notícia divertiu-me mas, confesso, também me espantou um pouco.

E espantou-me porque se passou num país da "Velha Europa", com problemas com a sua própria comunidade muçulmana com uma minoria fortemente radicalizada, e por a história incluir deputados de esquerda frequentemente sensíveis a questões "politicamente correctas".

Mas para além do lado divertido desta história, há uma outra face mais sinistra: a do totalitarismo islamita que quer impor aos outros, que nem sequer são da mesma fé nem do mesmo país, as suas próprias concepções do mundo. Para esta gente, o ditado "em Roma, sê romano" não faz sentido nenhum.

A compreensão do "outro", como tudo na vida, e já me estou a repetir em relação a esta frase, é uma estrada com dois sentidos. O "outro" também tem que nos compreender, senão estala definitivamente uma "guerra de culturas". Isto é uma coisa que a esquerda do "pensamento único" e "politicamente correcta" tem que aprender de uma vez por todas. Receio é que muita dela continue a não compreender nada, mesmo com episódios como este.