quarta-feira, outubro 26, 2005

O Irão, essa democracia islâmica...

... tão apreciada por algumas pessoas de esquerda pela sua oposição aos Estados Unidos (só por isso, pois em mais nada há semelhanças entre eles), elegeu (?) um presidente ultra-conservador. Nota-se. Desde a história nuclear dos últimos tempos, e que o recente nobelizado pela paz subestimou até ao ponto de agora nada poder fazer, até às mais recentes declarações do presidente, há indicações claras que a ditadura teocrática é irreformável per si.

O senhor Ahmadinejad defendeu claramente a eliminação do Estado Israel. Pelo menos tem o mérito de dizer, sem hipocrisias, o que muita gente, da extrema direita à extrema esquerda pensa sobre o assunto. Aquilo de dizer que defende os direitos dos palestinianos é, em muitos casos, apenas um disfarce para aquilo que verdadeiramente os incomoda: a existência de Israel.

quinta-feira, outubro 20, 2005

A Turquia e a U.E.

Para a Turquia ser um estado-membro da U.E. muito trabalho ainda há que fazer, sobretudo na reforma das mentalidades. Ontem, ao ver o resumo do jogo do Fenerbahce, via-se na assistência muitas mulheres que em nada se distinguiam das mulheres ocidentais.

Mas, como eu já disse várias vezes, Istambul não é representativa do que se passa no resto da Turquia. Segundo a BBC, numa pequena amostra numa universidade turca do sudeste do país, muitos homens apoiam os crimes de honra.

Embora a amostra seja pequena, é ilustrativo de uma realidade persistente na Turquia que até já atingiu os países europeus, pois ainda recentemente na Alemanha uma jovem foi morta pelo irmão (por ordem do pai). O seu erro? Querer viver como uma alemã.

A justiça turca parece, por pressão da U.E., querer combater este tipo de crime bárbaro (que também existia no países europeus há não tanto tempo assim)e se o conseguir isso será um enorme passo.

É este o tipo de desafios que a Turquia tem que vencer para poder tornar-se membro da U.E. e, sinceramente, não acredito que em 10 ou 15 anos, este, como outros, problema possa ser resolvido de acordo com os padrões europeus.

domingo, outubro 16, 2005

Publius Vergilius Maro

No Humanae Litterae, um artigo sobre Virgílio, neste caso uma síntese biográfica. Penso, se tiver tempo para isso, publicar pelo menos mais um artigo sobre a obra de Virgílio.

sábado, outubro 15, 2005

Sugestão

E que tal se puserem o Jorge Costa a jogar? Não pode ser pior do que acontece agora, pois não?

quinta-feira, outubro 13, 2005

Prémio Nobel da Literatura

Hoje será conhecido o prémio Nobel da literatura.Digo desde já que, para mim, é totalmente irrelevante, pois nunca comprei qualquer livro apenas por o seu autor ter sido premiado nessa ano com o prémio.

Mas, esta irrelevância do prémio passa também por o tipo de escritores que têm sido escolhidos, como é caso exemplar o da laureada do ano passado que, do pouco que li dela, é de uma enorme mediocridade. Aliás, já nem tenho o livro, não valia a pena (já tenho os livros fora das estantes, nem sei onde inventar mais espaço, pelo que o lastro inútil vai fora...)

Sei que no mundo da literatura será sempre muito difícil agradar a todos, ter uma decisão unânime, pois, habitualmente, não é só a literatura que está em apreço (tudo conta desde a ideologia, raça, religião, região geográfica, etc.). Mas, não faria mal o prémio Nobel ter critérios menos politicamente correctos e usar critérios um pouco mais literários.

De qualquer modo, é também irrealista pensar que os "sábios" da Academia Sueca sejam capazes de conhecer todos os escritores, ou que tenham lido uma parte substancial da obra de todos os escritores que fazem parte da lista do possíveis nobelizados. Por outro lado, ninguém no mundo tem a capacidade de conhecer todos os escritores do mundo ou o que se passa no mundo da literatura em todos os países do mundo.

Por isso, apesar de ser de longo o mais prestigioso, o prémio Nobel não é, senão, mais um prémio literário, com todas as qualidades e defeitos que daí advêm.

Post scriptum. A bolinha da sorte saiu a Harold Pinter. Que dizer? Nada, porque não posso falar daquilo que não sei. Conheço apenas superficialmente a sua obra e nunca vi nenhuma peça. Do que conheço, não me atraiu muito, pelo que nunca mais pensei em voltar a lê-lo. Estou errado? Talvez, mas vai ser difícil mudar de opinião.

terça-feira, outubro 11, 2005

Ressacas eleitorais...

Leio no Jornal de Notícias que, após a derrota do PS no Porto, Narciso Miranda está pronto a avançar para a Distrital e Orlando Gaspar e José Luís Catarino para a Concelhia. Só vos posso dizer, tempos sinistros se aproximam para o PS Porto. Não há ninguém novo para tomare estes lugares. É que, se Narciso não augura nada de bom, o Orlando Gaspar é verdadeiramente sinistro.

Também muito divertida é a análise feita no interior do PS pela derrota em Lisboa e Porto. Pegando numa outra notícia no mesmo jornal:
Leitura diferente é feita para Porto e Lisboa. A maioria absoluta de Rui Rio é associada ao apoio anunciado por Pinto de Costa a Francisco Assis, na véspera das eleições.

Em Lisboa, segundo um dirigente socialista, a derrota ficou a dever-se ao facto de não haver coligação à Esquerda "Foi um erro". "É uma lição para o PS perceber que já não se ganham os centros urbanos, sem a CDU ou o BE". Risos foi o que causou a declaração de Carrilho entre o núcleo duro que estava no Rato. "Até parece que foi o secretário-geral a ir buscá-lo a casa para ser candidato".
A hipótese de que Pinto da Costa foi mais prejudicial do que benéfico é verdadeiramente extraordinária. Talvez o PS (e não só) tenha aprendido a lição e, para a próxima, se deixe de bajulações ao futebol. De uma vez por todas, seria bom que os políticos deixassem de ter medo dos presidentes dos clubes (e das SAD) de futebol.

Quanto à derrota de Carrilho, realmente, o homem impõe-se ao partido, tem um projecto político que pretende chegar a presidente da república e depois espalha-se. É lógico que ele não poderia estar bem disposto.

segunda-feira, outubro 10, 2005

Delito de opinião na Turquia

Neste país que supostamente poderá aderir à União Europeia, a descrição do genocídio arménio pode dar lugar à prisão. Que o dia Ohran Pamuk que se arrisca a para à prisão por ter falado num jornl suíço sobre o massacre de arménios e curdos.

Sem dúvida, padrões europeus...

Agora são contra a marginalidade?

Ouço Fernando Rosas na RTP1 a verberar contra os candidatos da marginalidade...

Espantoso, estes tipos do Bloco sempre tão prontos a defenderem e a desculpabilizarem os marginais de todo o tipo (obviamente vítimas da sociedade demoliberal capitalista) e agora condenam estes candidatos sem mais nem menos? Nem se quer lhe dão o benefício da dúvida?

Também não serão estes autarcas vítimas inocentes da sociedade?

Maioria absoluta

Rui Rio conseguiu a maioria absoluta.

Votei nele. Espero que, agora que tem maioria absoluta, não desiluda a esperança que os portuenses puseram nele.

domingo, outubro 09, 2005

So far, so good

Até agora as informações disponíveis (só projecções, a CNE pifou) dizem que Rui Rio ganhou no Porto. Ainda bem.

As vitórias de Carmona, Seara, Encarnação e sobretudo se se confirmar Aveiro (Santarém dizem que também, mas ainda não acredito), são também bastante boas.

Bem, mas a procissão ainda vai no átrio.

sexta-feira, outubro 07, 2005

Notas soltas sobre as autárquicas

Estamos a chegar ao fim da campanha das autárquicas e, para (não) variar, o balanço não pode ser muito positivo. Houve barulho a mais, demasiadas quezílias e pouco esclarecimento. Pelos menos, no que diz respeito aos municípios mais mediáticos. Mas, neste fim, de campanha há ainda alguns episódios curiosos.

Antes de mais, para que tudo fique claro, desde já digo que nesta análise não sou, obivamente, imparcial relativamente à cor política. Voto no Porto e vou votar PSD nos três boletins. Independemente disso, penso que as minhas observações não perdem validade.

Em primeiro lugar, quer falar do caso do Bloco de Esquerda. Francisco Louçã, qual Torquemada trotsquista andou à caça dos "candidatos-bandidos", gabando-se que apenas o Bloco de Esquerda tinha uma absoluta pureza em relação a contas com a justiça. Depois acontece que candidata a uma junta de freguesia um ex-terrorista. Se Louçã, quando foi da manifestação de extrema-direita, não tivesse tido como principal argumento contra a manifestação o facto de ser liderado por uma pessoa que cumpriu pena por crime racista, talvez as suas catilinárias contra os "candidatos-bandidos" não soassem tanto a hipocrisia como agora soam.

Mas, pior ainda, há agora o caso da presidente de câmara de Salvaterra de Magos. Seja qual for a desculpa que Louçã dê sobre o assunto, as suas anteriores inequívocas afirmações deixam à mostra a grande falácia moralista do Bloco de Esquerda. Talvez por serem ateus, desconhecem a parábola bíblica sobre o "atirar a primeira pedra".

O segundo caso que trago aqui é o de Pinto da Costa que anunciou o seu apoio a Francisco Assis. Ao contrário de 2001 em que alinhou logo de início com Fernando Gomes, parece que Pinto da Costa esteve à espera do fim da campanha e também de sondagens mais favoráveis para declarar o seu apoio. Teve medo de quê? Toda a gente já sabia que ele nunca votaria no Rui Rio (até nem sei se ele vota no Porto).

Enfim, uma campanha não muito edificante...

quarta-feira, outubro 05, 2005

95 anos

Faz hoje 95 anos da Implantação da República. Desde já digo que sou republicano, pois que a república cumpre melhor aquele velho preceito grego de isocracia - por outras palavras, a igualdade no acesso aos cargos (que, valha a verdade nunca será completamente igualitária) -, mas tenho um olhar muito crítico sobre a nossa I República.

E porquê? Porque a I República não representou um avanço, relativamente à monarquia, nas liberdades gozadas pelos portugueses, nem foi um regime mais democrático do que aquele que tinha existido nas últimas décadas de monarquia.

Por exemplo, a I República tratou de se proteger do voto do povo, alterando a lei eleitoral de modo a que menos eleitores votassem (excluindo muitos dos eleitores que julgavam influenciados pelos padres), o que fazia com menos de 500 000 eleitores votassem, quando havia mais de 5 milhões de pessoas no país.

Por outro lado, grande parte dos 16 anos da I República foram uma, na prática, uma ditadura do Partido Democrático que fez e desfez gabinetes ao sabor da conjuntura. Foi uma república que, nos seus primeiros anos, tentou, mais do que separar a Igreja do Estado, destruir essa mesma Igreja, hostilizando deste modo grande parte da população portuguesa e, de algo modo, a minar os próprios alicerces de sustentação da república (por alguma coisa o 28 de Maio de 1926 teve tão pouca resistência).

A I República está longe de ser o poço de virtudes que alguns nos querem impingir (nomeadamente algumas figuras do PS, partido que se julga herdeiro deste republicanismo). Se teve aspectos positivos (esforço na educação, por exemplo), teve outros muito negativos (a entrada na I Guerra tem explicação? Os ingleses nem nos queriam lá), como exemplo, a agitação social que foi sempre intensa durante os anos da república (e a maior culpa disso nem coube aos monárquicos).

Por isso, embora republicano, não sei se hoje tenho muita coisa a comemorar. Gostava que a república tivesse sido implantada de um modo diferente e, sobretudo, que tivesse sido uma outra república, não aquela república jacobina e sectária que acabou por ser a I República.

segunda-feira, outubro 03, 2005

Por mim ficava para as calendas gregas

Parece que a UE está num impasse quanto à abertura de negociações com a Turquia com vista à adesão desta à União Europeia.

Bem, por mim, a adesão da Turquia podia ficar lá para as calendas gregas, mas o dia de São Nunca à tarde também não era mau...