quarta-feira, outubro 20, 2004

Da utilidade da praxe universitária

Este blog, nos últimos dois dias, tem andado um pouco abandonado porque tenho que uma tradução grande para fazer com uma complexidade técnica bastante elevada. E como para traduzir não basta saber línguas (quem pensar isso nunca será um grande tradutor), necessitei de procurar informação técnica pormenoriza junto de quem sabe e também onde se encontra literatura técnica adequada. Por isso, nestes últimos dois dias tenho passado o tempo na Faculdade de Engenharia do Porto (FEUP).

E por ter passado por lá tantas horas, pude observar alguns hábitos praxísticos lá daquela gente. Desde já digo que, enquanto estudante, fui sempre contra a praxe, não praxei nem fui praxado, não trajei à estudante (para ter uma farda bastou-me andar 16 meses no Exército), nunca participei na Semana da Queima, etc., etc., etc... e não me arrependo nada por isso. E nem por isso fui anti-social, pois criei amizades que ainda perduram actualmente.

Vem isto a propósito de que quando estava eu na biblioteca da FEUP, por baixo da entrada da biblioteca, numa zona coberta (foram dias de chuva), realizava-se por lá uma praxe que durou uma eternidade . Na segunda-fera estive na biblioteca das 9h às 17h (com intervalo para almoço, está claro) e durante todo esse tempo lá se ouvia os desgraçados cânticos, os gritos, os hi-hon com que os caloiros respondiam aos "doutores". E eu fiquei a pensar: bem, estes tipos (os caloiros) não vão às aulas? Porque é que eles aturam estes gajos que denominam a si mesmos "doutores", mas que são, alguns deles, do mais burro que anda na faculdade, pois têm já um número enorme de matrículas? Qual o sentido em andarem com os caloiros de um lado para o outro de mãs dadas?

A mim faz-me realmente pena ver jovens entregarem-se como cordeiros para serem imolados a estas praxes ridículas e, frequentemente, degradantes, aceitando o caso como se fosse uma fatalidade. É claro que não é fatalidade alguma. É claro que não têm que aceitar a praxe. Precisam é de ter vontade pois, penso também que há pessoas que pensam que se não forem praxadas não entraram a sério na Univeridade.

E isto é algo que me deixa triste pois essas pessoas aceitam que outros, nem que sejam por breves momentos, ajam autoritariamente sobre eles só porque chegaram primeiro à universidade. Sempre pensei que a praxe é o momento onde há muita gente, entre aqueles que praxam, que aproveita para poder fazer dislates e se rir à custa dos outros, pondo cá fora o ditadorzeco que tèm dentro deles.


Sinceramente não compreendo a utilidade da praxe, pois se queriam fazer integração dos alunos havia muitas outras maneiras de o fazer. Assim, tal como exite, não passa de um espectáculo degradante, tanto para que o faz, como para quem o sofre.

Abaixo a praxe!

3 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Queria apenas fazer um breve comentário a este artigo anti-praxístico, mas como qualquer outro do seu género, fala do que não sabe, pois nunca exprenciaram os seus autores a praxe no seu pleno, que revela ser muito mais do que uma forma de integração e por conhecer os dois lados posso abertamente falar do significado de praxe para mim. Sem mais e com o pedido que exponha artigos do qual tenha fundamento para o fazer,

Um caloiro.

3/22/2005 02:09:00 da tarde  
Blogger Rui Oliveira said...

Meu caro caloiro, não me conhece pelo que não sabe se sei ou não sei do que fala. Em cinco anos de Faculdade (visto que o curso tinha cinco anos, fi-lo em cinco anos, não andei por lá a arrastar-me, ao contrário de muitos praxistas que parece que a única coisa que sabem fazer é a praxe, porque estudar não o conseguem) vi muito coisa e quase nada me agradou.
Se gosta da praxe, força! Ninguém o impede de gozar as alegrias da praxe. Apenas, e falo por mim, a acho completamente inútil, não precisei dela e é uma perda de tempo. É a minha opinião e tenho todo o direito em escrevê-la. Há quem concorde, há quem discorde. Paciência... é a vida.

9/14/2005 12:56:00 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Lamento não ter tido oportunidade de ler este artigo mais cedo...
Pelo que percebi o Rui acha mesmo que sabe o que é a PRAXE e tem o atrevimento de criticar aqueles que acreditam na sua utilidade..É demasiado convencido para sequer dar o benefício da dúvida...e idiota o suficiente para se vangloriar dos 5 cinco anos de frustração em que acabou o curso...
Fico feliz pela sua eficácia,parece-me bem que se tenha aplicado,dentro das suas imensas limitações.
Caro Rui, embora a sua ignorância não o permita, devia saber que há muitos estudantes que concluiram o curso nos anos previstos e mesmo assim tiveram um percurso praxístico admirável.
Apesar de tudo,acho óptimo que tenha optado por não fazer o mesmo, seria um perfeito estorvo.


Andreia

9/29/2007 06:14:00 da tarde  

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