domingo, outubro 08, 2006

Jornalismo copy+paste (ou copiar + colar)

Ontem dei conta aqui de um texto de Jorge Silva Melo em que ele se demonstrando insatisfeito com a qualidade das traduções no teatro, fala também de uma crítica "estilo copy + paste".

Que os jornais hoje em dia dependem muito das agências noticiosas e que, por vezes, se limitam, a traduzir as notícias já toda a gente sabe. Por vezes, também, fazem-no mal e até se consegue ver de que língua é que a notícia foi traduzida. Outras vezes, mesmo em português, nem sequer conseguem aportuguesar a notícia.

Foi o que se passou hoje com uma notícia no JN sobre o Rocco Siffredi (sabem quem é, não?). O jornalista pegou numa notícia da Agência Efe escrita em português do Brasil (que pode ser lida aqui) e inseriu-a no jornal, tentando, apenas, aportuguesá-la. Mas, seja lá por que motivos foi, a coisa não saiu lá muito bem.

Desde frases como «passa pelos "primeiros prazeres solitários no banheiro"» (sabem o que quer dizer banheiro, neste contexto, em português de Portugal?), a flutuações ortográficas na mesma frase "actor/ator" ou a frases com construção típica português do Brasil: «Siffredi decidiu que era a hora de "que lhe pagassem por seus serviços"» (para além da estranhíssima, neste contexto, expressão "era a hora de que" - seria melhor uma formulação "estava na hora de lhe pagarem" -, "por seus serviços" omite o artigo definido na forma plural que é típico do português europeu, tornando a frase um pouco estranha ao nosso ouvido; "pelos seus serviços" seria mais usual.

Por fim, é mesmo a última plavra do texto, fala em "roteiristas", que em Portugal se chamam "guionistas".

Obviamente que, com este texto, não estou a insinuar que os brasileiros escrevem mal português e que nós é que somos bons. Os brasileiros têm uma norma e nós temos outra, é tão simples como isso. Se os jornais querem transcrever as notícias que recebem das agências, tudo bem. O que é preciso é que o façam em bom português e não em versões híbridas, mesmo em notícias como esta que não têm especial relevância.