terça-feira, novembro 16, 2004

O novo Abu Ghraib...

Um marine matou um iraquiano ferido dentro de uma numa mesquita.

Alarido geral na imprensa bem pensante e também nos suspeitos do costume da blogosfera portuguesa. "Daqui d'el-Rei" que este tipos são uns assassinos. Enfim, a demagogia habitual.

E demagogia porquê? Será que eu defendo a morte de prisioneiros desarmados e, ainda por cima, feridos? É claro que não. Mas (e aqui entra esta adversativa por vezes tão irritante) não nos podemos esquecer das circunstâncias específicas que por levam frequentemente, em caso de guerra, as pessoas a cometer actos que dificilmente cometeriam na vida civil.

Em primeiro lugar, estamos perante uma situação de guerra e não de operação policial. O combatente tem, como principal missão, proteger-se a si e aos seus camaradas (o meu comandante de pelotão dizia que "colegas são as putas").

Perante a situação que se lhe deparou de um ferido que fingia estar morto e perante a experiência do que teria acontecido no dia anterior, pois a notícia de que faço o link diz o seguinte: "Sites [o jornalista] reported a Marine in the same unit had been killed just a day earlier when he tended to the booby-trapped dead body of an insurgent" o soldado pode ter visto algum tipo de ameaça (se calhar inexistente) e reagiu instintivamente.

Aliás os americanos, desde a 2.ª Guerra Mundial defrontaram-se com inimigos feridos que não tinham problemas em se suicidar à granada quando os enfermeiros americanos chegavam perto deles. Em Guadalcanal, os americanos deixaram de prestar assistência aos japoneses feridos por isso mesmo.

É muito fácil estar em casa a mandar bitaites, confortavelmente sentado na poltrona a clamar "assassinos". Só que isso não passa de demagogia. Ou então é desconhecer o que é a guerra, o que eu não acredito.

Casos como este deve ter sido vários, acredito mesmo. Este atingiu esta projecção porque foi filmado. Devemos aceitá-lo, sem mais nem menos? Não. Deve-se investigar e apurar as circunstâncias. Mas querer que alguém ao fim de vários dias de difíceis combates racicione friamente deve viver no mundo da lua...

E daí a concluir que os americanos no Iraque se dedicam a massacrar pessoas inocentes e desarmadas (como provavelmente alguém irá dizer) é apenas desonestidade intelectual.