sexta-feira, novembro 12, 2004

Memória

Na minha mania de mencionar factos do passado, não podia deixar passar o 13º aniversário do fatídico massacre no cemitério de Santa Cruz em Timor-Leste.

Só um aparte linguístico: nunca gostei desta maneira de referir o país (Timor-Leste). É um decalque de East Timor que não tem razão de existir em português; porque não escrever Timor Oriental? Era mais correcto. É que "leste" não é adjectivo, para ter valor adjectival teria de se escrever "de leste", como aliás se fazia com a Alemanha Oriental também chamada Alemanha de Leste. Bem, foi só um desabafo.

Este massacre, em que terão morrido cerca de 200 pessoas, foi um ponto de viragem na questão de Timor, pois, ao contrário dos massacres que tinham acontecido no passado, este foi filmado e todo o mundo pode ver na televisão a actuação criminosa e genocida do ocupante indonésio.

A partir daí a questão timorense começou, lentamente, a estar na ordem do dia, primeiro, da diplomacia portuguesa, depois da europeia e por fim da dos norte-americanos. O resultado já todos nós o conhecemos.

Mas a divulgação televisiva do massacre em muito contribuiu para o resultado final.

Post-scriptum. Durante os 24 anos de ocupação indonésia de Timor, terão morrido cerca de 200 mil timorenses, numa população que tinha menos de um milhão de habitantes. Não sei quantas pessoas terão morrido no conflito israelo-árabe em mais de 50 anos, mas duvido que tenha morrido tanta gente como aquela que morreu em Timor. Quando ouço comparar Israel aos nazis é óbvio que esta gente não tem o sentido das proporções nem sabe do que está a falar. Genocídio foi o que aconteceu em Timor, não aquilo que acontece na Palestina (embora também trágico).

2 Comments:

Blogger António Viriato said...

Bem observada a incongruência linguística na denominação já muito enraízada de Timor-Leste. Para a corrijirmos, por aquela aqui proposta, Timor-Oriental, de facto, preferível, seria preciso um forte empenho junto dos Professores e dos jornalistas, sobretudo. Nada que não se pudesse fazer e poderia mesmo resultar. Nos anos trinta, quarenta e cinquenta, o vocabulário futebolístico estava cheio de termos ingleses e de anglicismos. Dizia-se, por exemplo, fulano é um bom fora-de-centro, por forward-center ; ou aquela equipa tem uma excelente linha de backs ou de half-backs; dizia-se liner, refree, keeper, etc. Graças ao empenho de gente esforçada, esclarecida, patriótica, etc., foi-se conseguindo arranjar termos portugueses para os substituir e hoje já quase ninguém usa termos ingleses no futebol. Ficou o Mister, que os jogadores e alguns jornalistas mais pacóvios costumam utilizar para treinador.Imfelizmente, já não tenho a mesma confiança no progresso do ensino e na força da alfabetização escolar para fazer aumentar a cultura de um povo. Os exemplos actuais são demasiado decepcionantes. Mas sempre se deverá insistir.

Quanto ao segundo ponto, está igualmente muito bem notado. Retenho até de memória que a maior chacina de que os palestinianos foram vítimas, terá sido praticada pelos seus irmãos jordanos, a mando do rei Hussein, salvo erro em 1970 ou 71, quando aqueles os expulsaram de território jordano. Terão sido chacinados uns largos milhares e só de uma vez. Isto pode ser averiguado e confirmado. Mas os nossos bem-pensantes jornalistas não sentem essa inclinação.

11/13/2004 12:20:00 da manhã  
Blogger António Viriato said...

Emende-se corrijirmos, pela forma correcta corrigirmos...Caso para se dizer : «Quandoque bonus dormitat Homerus», quanto mais um comum escriba tocado pelo sono, no final de uma cansativa semana...

11/13/2004 12:49:00 da manhã  

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